Ivan Maciel de Anndrade

Mais um amigo faleceu: José Arno Galvão. Filho de um dos maiores humanistas do nosso Estado – Dr. Hélio Galvão. José Arno herdou do pai a vocação jurídica, pois o dr. Hélio era sobretudo um excepcional, um notável advogado, com domínio – à altura dos maiores doutrinadores nacionais – sobre os mais diferentes ramos do Direito. E José Arno cultivava amorosamente a imagem do pai: muito escreveu sobre ele com uma grande admiração – de filho, mas também de observador imparcial que tinha condições de avaliar, melhor do que ninguém, a excelente formação cultural, o apuro e a elegância estilísticas, a inteligência perspicaz (com o gume afiado para a realização de sínteses analíticas e a formação de brilhantes juízos críticos), que destacaram o seu pai em nosso meio jurídico e literário. Certa vez, conversando com José Arno, ele me confidenciou que gostaria de se dedicar intensamente ao estudo da filosofia do Direito. As suas múltiplas e absorventes atividades de advogado militante não lhe permitiam abrir espaços – em seu tempo de profissional do Direito – para esse “hobby” jurídico-cultural. Senti, naquele momento, o quanto se identificavam, em preocupações intelectuais, as duas personalidades: a sua e a de seu pai, ambos tocados, vocacionalmente, por um grande culto pelo Direito, em seus aspectos teóricos e operacionais.
Minhas comovidas homenagens ao amigo recém-falecido.