Por Franklin Jorge


De outubro de 1940 a 8 de novembro de 1945 o escritor Thomas Mann (1875-1955) dirigiu-se pelo rádio a ouvintes alemães, conclamando-os, como nação, a animar-se e reagir ao crime que se estabeleceu na terra como inviolável e levantar a mão contra ele é uma afronta digna de uma sentença de morte, pondera o autor de A montanha mágica (1924), alegoria de um mundo sombrio de volta à barbárie.
Expõe e disseca Thomas Mann, nessa série de palestras radiofônicas, as vulnerabilidades do nazismo, uma organização criminosa sem tradição nem futuro. Um partido que rouba, distorce, deturpa, corrompe e suja tudo o que é bom e bem-intencionado. Esta, a essência do nazismo, um partido que se empenha na subjugação do homem e na legalização de seus crimes, a aceitação, enfim, do humanamente intolerável.

Representante da democracia combativa, distinguido em 1929 com o Prêmio Nobel de Literatura, curtia o escritor o exílio na Califórnia, de onde a BBC passou a transmitir-lhe os discursos contra o deplorável embusteiro da história e sua insondável falsidade, cabeça de um governo infame que levara o povo alemão à degradação. Oprimido por um governo perverso e beligerante e submetido a uma privação interminável, não lhe restando senão incluí-lo nessa categoria.

Ao contrário de muitos intelectuais que se deixaram paralisar e emudecer diante da insolência apocalíptica de um governo totalitário que intentou travestir a bestialidade em legalidade, sua voz constitui uma terrível advertência contra a revolução nacional-socialista imposta por Hitler, a seu ver, apenas uma infeliz história de ladrões e aventureiros capazes de qualquer perversidade, como o extermínio de seis milhões de judeus em câmeras de gás e campos de concentração. Sobretudo, chama-nos a atenção para as sutis formas de manipulação usadas pelos nazistas para proclamar seus sucessos. Assim, diz-se que “Hitler libertou a Alemanha do desemprego. Sim – através do armamento para a guerra. Nacional-socialismo: ou seja, a solução das questões sociais através da guerra. Diz-se que ele unificou a Alemanha como nunca antes e concretizou o socialismo na medida em que criou uma comunidade popular. Essa comunidade popular era a ditadura da plebe, um horrível terror partidarista que trouxe consigo devastação moral, deterioração humana, violência da consciência, destruição dos laços naturais e mais respeitáveis, como nunca antes um povo vivenciou, e que se amparou em tudo, menos naquilo que é bom no ser humano”. 

Quanto ao socialismo – que Thomas Mann considera “um islã de quinta categoria”, não passaria de um balcão de negócios se não fosse uma aberração moral com uma “necessidade voluptuosa de chafurdar no poder e no dinheiro”. Um partido que submeteu a Europa e pretendia submeter o mundo, para que o capital alemão crescesse e se multiplicasse a partir da miséria dos povos oprimidos. “Monopólio e exploração em grande escala – eles chamam a isso de socialismo”.

Relendo esses discursos contra o nazismo, proferidos por um dos grandes escritores de língua alemã, não há como não pensar no socialismo que o Partido dos Trabalhadores (PT) quer implantar no Brasil a ferro e fogo, seguindo diretrizes estabelecidas pelo Foro de São Paulo, organização inspirada pelo tirano que há 50 anos escraviza o povo cubano. Embora sem fazer uso de armas e da ação de forças militares, segundo o método gramsciano – voltado para o aparelhamento do estado, ou seja, pela ocupação dos organismos de estado em vez da luta armada que despertaria o povo para a realidade construída na calada da noite -, o PT se impôs em todos os segmentos da administração pública do país, inclusive no Supremo Tribunal Federal, que a exemplo de outras instituições tem a sua representação petista ativa e atenta aos interesses do partido repudiado por um numero crescente de brasileiros que se opõem aos traidores da pátria.

Durante uma década de governo, o PT promoveu de maneira contumaz e contundente o desmonte das instituições, a começar pelas distorções infligidas à história, reescrita com o intuito de servir aos interesses desse partido que, ao chegar ao poder, transformou-se na organização criminosa que conhecemos. Não admira que tenha tantos pontos de contato com o nazismo: em 12 anos, Hitler destruiu a Alemanha e escravizou várias nações. Como o nazismo, há 12 anos no poder, o PT está destruindo o Brasil e transformando os brasileiros em escravos de um partido que só trabalha para os seus interesses. Como está acontecendo atualmente no Brasil, na Alemanha a classe média foi declarada inimiga do estado e reduzida à miséria pelo Terceiro Reich, que também declarou guerra à imprensa, como estamos vendo sob os governos do PT, um partido que se diz dos trabalhadores e que nunca dá aumento aos que trabalham, mas tem contribuído, como nenhum outro governo, para que os bancos tenham lucros exorbitantes.

Finalizando, deixo aqui a palavra com Thomas Mann, um grande escritor humanista:
“... Na Alemanha, a classe trabalhadora foi destituída de seus direitos e seu patrimônio sindical foi roubado. A classe média foi reduzida à miséria pelo Terceiro Reich. Mas quem floresce e prospera no país são os plutocratas e os donos dos trustes (...) Como acionista da editora Eher, Hitler ultrapassou pessoalmente em riqueza a maioria dos multimilionários americanos. Desde a fundação de seu conglomerado, internacionalizado pela força das armas, Göring, marechal do Reich, acumulou tanta gordura capitalista que se tornou provavelmente o homem mais rico do mundo. Ley, o saqueador dos trabalhadores, comanda cerca de 65 sociedades de capital. O líder regional Sauckel construiu seu próprio truste de fábricas de armas e munições sem nunca apresentar um balanço. A inveja, a cobiça, o prazer de saquear, a necessidade voluptuosa de chafurdar no poder e no dinheiro não foram sempre os impulsos fundamentais do nazismo? Roubar conceitos e ideais não é o último prazer dessa escória. (...) Eles submeteram a Europa e tinham a intenção de submeter o mundo para que o lucro do grande capital alemão crescesse a partir da miséria dos povos oprimidos. Monopólio e exploração em grande escala – eles chamam isso de socialismo”.

(In NOVO JORNAL, 24.11.2013)