Carlos Gomes de Miranda Gomes

Ao tomar ciência das últimas notícias sobre os procedimentos para a construção da “Arena das Dunas” e conhecer alguns dados alarmantes, inevitavelmente entrei em depressão. Não pelo fato da possível demolição do Machadão e o restante do complexo de prédios, pois nada material é eterno, mas pelo descaramento de um lado e a omissão de outro sobre as farsas que estão sendo perpetradas contra o povo do nosso Estado.

Há alguns dias publiquei artigo sobre o “Início da Farsa”, quando resolveram demolir a Creche Kátia Garcia e não colocaram outra em seu lugar, a teor das reclamações dos pais ventiladas na imprensa.

Mas agora, para a análise e meditação dos cidadãos e dos defensores da fúria demolitória, estou anexando os extratos dos contratos celebrados e publicados no DOE do dia 22/6: um de R$ 12.670.000,00 para serviços dos projetos complementares para a Arena das Dunas; o outro, no valor de R$ R$ 14.885,450,00 para elaboração do projeto arquitetônico e documentação para o novo Estádio Arena das Dunas. Observe-se, quem assinou os contratos foi o Sr. Armando José e Silva, porque o Fernando Fernandes está na sede da Copa de 2010.

Mas não tinha sido paga uma boa quantia para um mirabolante projeto apresentado por Fernando Fernandes e difundido até hoje, com juramento que era o tal projeto?

A verdade é que nunca houve projeto nenhum, mas o dinheiro foi pago e TUDO COM INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO, com parecer da Procuradoria do Estado, que agora quer incorporar a Consultoria Geral.

Este fato precisa de explicações convincentes e urgentes e para isso devem ser convocados o Tribunal de Contas, o Ministério Público, a Assembléia Legislativa do Estado, a Câmara Municipal, o CREA e demais órgãos que tenham interesse na moralidade pública.

Como anda o processo de tombamento? Como se posicionou a Controladoria Geral do Estado?

Ao dizer isso quero lembrar que quando fui o seu titular passei por momentos difíceis e tive a coragem de sustar os registros dos processos de pagamentos enquanto não se cobrisse a dotação para pagamento dos servidores públicos; sustei a venda, através de “leilão”, de grande área de terreno pertencente ao DER. Jamais tive medo de ser exonerado e não o fui, porque tive a coragem de advertir os meus superiores para as coisas erradas e ser por eles ouvido. Nunca pequei por omissão.

Mas hoje já não sou nada, pois não ocupo nenhum cargo público, não tenho dinheiro e não sou capaz de fazer mal a ninguém, daí não ser mais registrado em nada e até já fui excluído dos compêndios das figuras ilustres da sociedade e já não recebo muitos convites para eventos oficiais. Aliás, quero mesmo que não me convidem, pois não suporto os cínicos e bajuladores.

Contudo, é do meu destino não ficar calado e estarei presente, mesmo que várias e graves enfermidades me sejam companheiras nos tempos atuais. Enquanto tiver um sopro de vida participarei dos debates em favor do povo da minha terra e combaterei os ‘fichas sujas’ através de artigos que envio para a imprensa e nem todos são publicados e agora através do meu ‘blog’ http://mirandagomes.zip.net ou cara a cara nos encontros fortuitos ou programados nas livrarias, sebos, plenários, audiências públicas.

Quero a ajuda dos meus amigos para me aconselharem para não cometer excessos, através das dezenas de e-mails que recebo, graças a Deus. Estou vivo, lúcido, ainda que sem saúde plena.

Nem mesmo sei se valeria essa briga toda contra a demolição absurda do Machadão, em detrimento de tantas obras estruturantes indispensáveis para melhorar a qualidade de vida do nosso povo, pois não tenho a certeza de estar neste mundo na Copa de 2014.

De qualquer forma, estimarei ouvir o clamor do povo e a providência das autoridades.

Se isso não vier, gostaria que a implosão do velho Machadão, também alcance certos órgãos públicos que não funcionam e com quem estiver dentro deles.

De antemão confesso-me INDIGNADO e inteiramente CÉTICO com as coisas deste País e, particularmente, do Rio Grande do Norte e da cidade do Natal.

Com extrema tristeza, mas com o respeito de Carlos Gomes.