Por Juliana Ribeiro Dantas

Ela disse:

-Hoje encerro o tempo da poesia.

Mas a poesia é ciclo vicioso

é rio e não para de correr.

 

Ela insiste em fechar as janelas

porém a luz do corredor estará sempre acesa

como as vozes das crianças, as cantigas e brincadeiras sem fim…

O tempo das dores chegou mais cedo,

Maria, poderia perguntar pela rosa

ela não gosta de rosas

só se estiverem bem plantadas no jardim.

 

O jardim

é quase escasso

mas há um banco de praça com pau-brasil sombreando.

Enquanto houver praça, banco, vasos…

haverá semente para fomentar versos.

 

Alguém falará das doenças

você esconderá as suas

e as meninas bagunçam e agitam os ventos.

 

Os verbos se confundem

pretérito perfeito, imperfeito

tanto faz

temos o futuro do presente –dedilhando-

e ele se fia com palavras

mesmo que desfiemos em lama de várzea

mesmo que a dureza da vida coloque pedras

sobre o colorido dos fonemas.

 

Não é possível enterrar a vida

sepultamos apenas o que morre

e até a morte em nós renasce.