Por Ivan Maciel de Andrade

Mario Vargas Llosa escrevendo sobre Ema Bovary, personagem do romance “Madame Bovary” de Gustave Flaubert, diz: “há algo que ela e eu compartilhamos intimamente -- nosso incurável materialismo, nossa predileção pelos prazeres do corpo sobre os da alma, nosso respeito pelos sentidos e pelo instinto, nossa preferência por esta vida terrena a qualquer outra.” E observa que “Ema não se resigna a reprimir em si uma profunda exigência sensual que Charles (o marido) não pode satisfazer porque nem sabe que existe.” Quem não se apaixonou por Ema Bovary? Só quem não leu Flaubert. Mas Ema é o protótipo da mulher romântica, sensual, inconformada com sua vida medíocre e sem perspectiva de mudanças. Ema pensa: "quero que minha vida se realize plena e total, aqui e agora." Quem estava certa: Ema ou a sociedade que a levou ao desespero e ao suicídio?