A EXECUÇÃO DE MARCO ARCHER
Carlos Costa


A execução por um pelotão de fuzilamento, do brasileiro Marco Archer, de 53 anos preso há 10 anos por tráfico internacional de drogas na Indonésia, pode ser analisado por vários aspectos: histórico, jurídico, religioso, político e dos direitos humanos. Por questões humanitárias, sou contra qualquer tipo de pena de morte como também sou contra atentados em nome de qualquer religião, os historicamente praticados pelas “Cruzadas” e “Os Cavaleiros Templários” e a corrupção. Vamos ao primeiro ponto: no do aspecto histórico, o jornalista Paulo Nogueira disse que Archer morreria por culpa dos crimes cometidos pelo Império Britânico e, principalmente, por ter sido condenado à morte depois de ser preso com 13,4 quilos de cocaína escondida no interior de uma asa delta. (http://brasilemversos-am.blogspot.com.br/2015/01/por-que-um-brasileiro-sera-fuzilado-na.html).

Ainda no aspecto jurídico, Paulo Nogueira garante que os 13,4 quilos de cocaína, não representam quase nada perto de quase meia tonelada descoberta no helicóptero do político Perrela em uma fazenda, mas, voltando ao aspecto histórico, também diz que o Império Britânico promoveu no século 19 uma verdadeira guerra contra o tráfico do ópio quando dominava a Indonésia. Continuando no aspecto jurídico, todos os trâmites legais do processo, com ampla defesa do réu, foram cumpridos e a soberania nacional da Indonésia foi respeitada, apesar dos diversos apelos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff em favor da vida do condenado. Enquanto isso, o processo contra os políticos da família Perrela não consegue andar porque enquanto na Indonésia para quem é traficante, no Brasil ele vira político, se elege e nada acontece porque ele passa a ter imunidade parlamentar, mesmo sendo pego com droga. Muitas desculpas já foram dadas sobre esse episódio e chego a suspeitar que há envolvimento de gente muito mais importante com essa droga encontrada na fazenda no helicóptero da família Parrela.

Nos aspectos histórico e religioso do passado, há que se dizer que a pena de morte foi verdadeiramente implantada no mundo pela Igreja Católica, durante vários momentos de imposição, intolerância e perseguição religiosa, convertendo aos que não eram pertencentes à Igreja, com penas bárbaras e até execuções como narra a obra “Vigiar e Punir: o nascimento da prisão”, do francês Michel Foucault, publicado originalmente em 1975 e até hoje considerada uma obra que alterou a forma de pensar e de fazer política social no mundo ocidental. O livro narra a condenação de Robert-François Damiens, em 1757 a ter “a carne dos mamilos, dos braços, das coxas e da barriga e das pernas arrancadas, queimada com fogo de enxofre e as feridas cobertas por chumbo derretido, óleo fervente, piche, cera quente, e, finalmente, o corpo puxado e desmembrado por quatro cavalos”. Depois, inerte, o homem deveria ter seu, “cadáver reduzido a cinzas e elas espalhadas aos quatro ventos” (Aventuras na história – para viajar no tempo – in http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/saiba-mais-obra-vigiar-punir-michel-foucault-678921.shtml). Naquela época de repressão violenta e desproporcional, os bispos eram os aplicadores das penas. Por fim, se mesmo depois de tudo isso, a pessoa ainda permanecesse viva sem braços e pernas, “o tronco seria jogado na fogueira”. Eis a origem da pena de morte imposta pela Igreja, que prosseguiu com as “Cruzadas Medievais”, na Palestina do século XI ao XIX, iniciada logo depois do domínio dos turcos, na chamada “Guerra pela Terra Santa”, convocada em 1095, pelo papa Albano II, com a promessa aos camponeses que receberiam reconhecimento espiritual. Os turcos, invasores, por vários séculos impediram o acesso à Terra Santa, considerada sagrada para os cristãos. (http://www.suapesquisa.com/historia/cruzadas/). Depois, veio “A Ordem dos Cavaleiros Templários”, que contaram com a participação militar nas etapas seguintes das Cruzadas.

Mas voltemos ao tema Marco Archer Cardoso Moreira que, ao ser preso aos 43 anos, disse que fora detido porque um “guardinha” no Aeroporto, que o tinha visto nervoso, decidiu revistar sua Asa Delta. Ele fugira e fora preso mais tarde. Dez anos depois, sabendo que todos seus recursos e apelos humanitários tinham sido negados, decidiu dizer que desejava retornar ao Brasil para ensinar aos jovens que a droga só leva a dois caminhos: prisão e morte. No caso dele, foram as duas coisas, a prisão e a morte. Mas se arrependera e teve tempo de reconhecer seu erro! Mas fui fuzilado porque decidiu vender droga no país errado, na hora errada, porque “lhe daria um bom dinheiro”. Se fosse no Brasil, talvez ele virasse um político e se destacasse!

Continuando com a história, na época o Império Britânico, berço da civilização industrial, comandava a Indonésia. Os britânicos comercializavam seda, chá e porcelana e a China comercializava o ópio produzido na Índia. Com isso, em termos comerciais, a Inglaterra acumulou um grande deficit comercial com a Índia, como informa a publicação do jornalista Paulo Nogueira, “Por que um brasileiro será fuzilado na Indonésia”. Com relação aos aspectos histórico, jurídico e religioso, o politico, o dos direitos humanos e apelos humanitários, todos foram respeitados. Marcos Archer, no início, só queria saber de dinheiro fácil, mas confundiu o Brasil com a Indonésia e fora fuzilado em razão de sua ganância porque lugar de dinheiro fácil é no Brasil, através de muitos políticos que se tornam celebridades da noite para o dia, principalmente quando seus advogados lhes apresentam como inocentes e invocam a Constituição, assegurando que “todos são inocentes até que a sentença transite em julgado”. Como existem muitas possibilidades de recursos, dá tempo a aos que querem se eleger deputados federais ou senadores e passarem a ter fórum privilegiado.

Eis a diferença e a razão porque “um brasileiro foi fuzilado na Indonésia”. Marco Archer, “não poderia ter escolhido um lugar pior para contrabandear cocaína” porque “raiz das todas as balas que o abateram, está o terror que o Império Britânico promoveu na Ásia, no século XIX”, conclui com propriedade, historicidade e lucidez o jornalista Paulo Nogueira.