Por Carlos Gomes




Domingo é dia de poesia.
Apresentamos o poeta BENILDE DANTAS DE MELO, nascido em Ceará-Mirim, no engenho Cajazeiras, de onde saiu cedo, tendo residido em vários lugares deste pais, em razão da sua ideologia política. Era filiado ao Partido Comunista Brasileiro, sendo ele o autor do Hino da Aliança Nacional Libertadora.
Foi jornalista, tendo contribuído para vários jornais de sua época, embora com pseudônimos.
É um grande poeta e mostra, na sua obra, o imenso amor que teve pela sua terra. É autor de várias músicas, embora só uma tenha sido editada: “SAUDADE DE MURIU”.
O poema que ora publicamos, é o título do seu único livro, publicado em 1941.
CANTO DO CANAVIAL
Benilde Dantas
Minha sombra musicada
Que mora nos meus ouvidos,
Canção de ninar meninos
Que ecoa nos meus ouvidos
Como o ciclo de um segredo....
Há quantos anos eu te escuto,
Canção que vem de minha infância,
Canção os engenhos românticos?
E esse apito dos engenhos nas madrugadas
Que eu escuto em todas as madrugadas de minha vida
Em todas as minhas tardes...
Em todas as minhas manhãs...
E essa música dos eixos dos carros de bois,
As vozes dos homens morenos nos eitos brutos
E as lavadeiras cantando na beira dos riachos...
Porque eu escuto essa sinfonia
Se estou tão longe de tudo, noutras terras?
E esse canto lamentoso do canavial
Como uma queixa de almas penadas
Que assombravam a minha meninice...
Porque ainda te escuto
Se estou longe, noutras terras?...