Por Deth Haak

Heidegger é absolutamente peremptório quando afirma que a Arte é, por essência, Poesia, onde a verdade acontece como espaço de comba ocultante/des-velante. Na sua essência repousam o artista e a obra de arte, pela qual a verdade é posta em obra de um modo que nos transporta para além do habitual, quer dizer, para além do dado na trivialidade da mostração quotidiana comum dos homens que não nomeiam, como o Poeta, a originariedade do ser de todos os entes que são. Todo esse arrodeio, para realçar a importância da Sociedade dos poetas Vivos e Afins do RN neste lócus chamado cidade do Natal. A SPVA-RN completou 17 anos de existência e como clareira na floresta densa não oculta a inspiração de seus entes que repousam simultaneamente na vereda da arte , e sobre a essência da prosaica Poética que se erige em um espaço aberto, em cuja abertura tudo se mostra de um outro modo que não o habitual”.“(…) a poesia é aqui pensada num sentido tão vasto e, ao mesmo tempo, numa união essencial tão íntima com a linguagem que a palavra tem de permanecer em aberto sê a arte, e mais propriamente em todos os seus modos, saciar a sede de poesia».

De repente um surto de poesia passou a tomar conta do todo, saraus, recitais, debates, publicações, vão se espalhando e ocupando pequenos espaços nos centros urbanos, bares, cafés, restaurantes velórios e bibliotecas. Parece que a poesia voltou a fazer parte da cidade dada a agenda de eventos no 14 de março. Mas será que ilustra a crise da linguagem, do pensar e da cidadania? Afinal de contas, poesia passou a ser tudo que alguém escreve movido por uma inspiração”, uma revolta, uma paixão, um discurso livre e aleatório, como: a frase da mesa do bar, o bilhete da namorada, o discurso de protesto, etc. E o poeta que já foi expulso da cidade, volta ao cenário urbano na condição de sintoma da cidade grande.

“Os poetas nos ajudarão a descobrir em nós uma alegria tão expressiva ao contemplar as coisas que às vezes viveremos, diante de um objeto próximo, o engrandecimento de nosso espaço íntimo.”

(Bachelard)