Por Carlos Costa (*)

 

CRÔNICA DE NATALE OUTROS ENCANTOS

(“Não sabia que doía tanto”) (Eduardo Gosson)

 

 

Natal é Natal, a verdadeira! 

 

Mas João Pessoa tem lá seus encantos que não encontrei em Natal, como Coroa Vermelha e as Praias do Coqueirinho e do Beça, entre outras que já as tinha conhecido em viagem anterior e voltaria a rever, principalmente para tentar uma outra foto da Praia do Coquerinho,  que usava como tela de descanso em meu celular, mas a perdi. A foto mostrava os coqueiro e o mar ao fundo. Desejava voltar e fazer uma outra foto no mesmo ângulo. Voltei, mas não consegui, já estava escurecendo quando nos chegamos e a primeira foto fora tirada pela manhã, com beleza exuberante que todos para quem mostrava ou viam ficavam admirados.

 

Pensando nisso, cruzei e aprecie a decoração do Restaurante Camarões, no qual o ex-presidente da UBE/RN, Eduardo Gosson, já me aguardava à porta e conduziu-me conversando. Dele, recebi o livro de crônicas “Crônicas da Família Gosson,”. À mesa, era aguardado por vários outros escritores, com livros seus para me presentear. Recebi vários, mas escolhi dois para lê-los de imediato, em Natal e, no carro, rumo a a João Pessoa: os do sensível cronista e poeta Eduardo Gosson e “No Ventre do Mundo”, ensaio premiado do professor Paulo Caldas Neto, com muitas citações filosóficas., ganhador de um prêmio de literatura naquele recanto de intelectuais. 

 

O livro “Crônicas da família Gosson”, narra a ascendência de sua família no Líbano, passando por Maranguape/CE, fala de mortes de membros da família em Natal e termina quase sempre com a frase “eu não sabia que doía tanto”.  Contudo, a obra é cheia de vida e não monótono como pensei sê-la no início. A linguagem” do autor é suave, gostosa, mesmo quando narrando seus infortúnios que a vida lhe deu de presente. “Eu não sabia que doía tanto”, perder um filho!  Ainda lhe dói no peito uma dor invisível e só quem a sente é que sabe o quanto dói na alma. É uma inversão de sentido da vida: o filho deve estar sempre preparado para enterrar os pais, mas “doe demais” o pai sepultar um filho, ainda jovem! A obra que comecei a ler na mesa dos bares de Natal, continuei lendo-a na viagem a João Pessoa e tive que fazer releitura em Manaus, narra detalhes da saga de homem guerreiro que ficou órfão muito cedo, criado por parentes, formando em direito, perdeu membros de sua família e um filho gêmeo muito jovem ainda e, agora, prestes a se aposentar, teve o salário reduzido, mesmo recebendo gratificação de 100% por mais de cinco anos no TJ/RN, que deveria ser incorporada ao salário de aposentado, lhe fora retirada. “No ventre do mundo”,com muitas citações filosóficas, li não consegui conclui a leitura da obra  em solo potiguar. Deixei-a para ler com calma em Manaus. O autor, Paulo Caldas Neto compareceu ao Restaurante Camarões acompanhado de sua noiva, a colega assistente social Jacian. 

 

 

 

Não lhes presenteei com nada porque em minha primeira viagem à Natal e João Pessoa, em janeiro, não consegui encontrar ninguém e conhecê-los pessoalmente agora foi muito prazeroso. Na minha viagem de retorno, não levei nenhum livro para presenteá-los, mas recebi vários: “Do  Picadeiro ao céu: o riso no teatro de Ariano Suassuna”, de Paulo Caldas Neto, “Jornal da Saudade-Natal do meu tempo de menina”,  de Casi Cortez, “15 poetas do RN” – Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães; “ANL Revista – Câmara Cascudo na Revista de Cultura Brsileleña”, de Afonso Bezerra, (Revista da Academia Riograndense de Letras n. 41, de outubro-dezembro/2014: “Ressaca”, de Águeda Maria Mousiubo Zerôncio, 

 

Deixei a casa da Francisca da Silva, a France, e segui a João Pessoa, na Paraíba. Hospedei-me na casa da amiga Joseane Farias. Durante a tumultuada partida, marcada para as 9 horas, conseguimos alcançar a BR-101, próximo ao meio dia. Observei poucas e distantes passarelas para pedestres na Rodovia BR-101. Ouvindo músicas de bolero e pensando que seria recebido em João Pessoa com um cuscuz de milho preparado no capricho com verdura e ovo, pela dona da casa, Joseane Farias, lia o livro de Gosson e me encantava com cada palavra e cada frase. Ao narrar infortúnios de cada morte na família, o autor conclui com a frase “não sabia que doía tanto”. No cuscuz com verdura e ovo que pensava, só Joseane sabe fazer. Como ela faz para ficar tão molhadinho e gostoso ensinou, mas nossa secretária Maria Joaquina não acertou fazer igual. Joseane, qual o segredo que você coloca no preparo, além de amor e carinho por mim e pela minha esposa Yara? Seria só um pouco mais de carinho e mais amor, mesmo? Desconfio que não seja só isso, mas deixa para lá! Um dia descobrirei o seu segredo.

 

Lentamente, degustarei todos os livros que recebi de presente, mas deixarei de apreciar a que obra do “poeta del mundo”, ensaísta e fotógrafo, Consultor de Desenvolvimento Estratégico e Cônsul de Lisboa, do Ministério do Interior e professor universitário aposentado Carlos Moraes dos Santos, que leu para mim   verso de um poema de seu livro. Disse-me que quando deixar a vida material quer seu corpo cremado e suas cinzas jogadas ao mar de Natal e de Portugal, para ele continuar surfando em ondas poéticas e ter certeza que vivendo. Diferente de mim que fui aposentado por invalidez devido ao empiema cerebral que sofri em 2006, aos 46 anos, sem ter idade, acredito que meu xará cônsul de Lisboa, se aposentou por tempo de serviço, podendo morar seis meses em Natal, no bairro Ponta Negra e seis meses em Algés, em Lisboa, o que pretendo fazer depois da aposentadoria de minha esposa Yara, morando seis meses em Natal ou João Pessoa e seis meses em Manaus.

 

O poeta, Carlos Moraes dos Santos, me confidenciou que quando falecer materialmente, deseja ser cremado para que suas cinzas possam ser jogadas uma parte no Mar de Natal e outra parte no Mar de Portugal. 

 

Assim, ele poderia continuar vivo, surfando nas ondas do mar!