Por Thiago Gonzaga
 
1.     Diógenes da Cunha Lima onde você nasceu? Fale-nos um pouco da sua infância?  Quais foram suas primeiras leituras literáriasQual o livro que você leu, quando criança, que mais lhe marcou?
A casa em que nascei foi depois o Hotel Cosmopolita. Por isso, creio, Nova Cruz me fez cidadão do mundo. Infância intensamente vivida, linda. Jogo de bola de borracha, bola de gude, jogo de castanha (castelo e tila) peteca, brinquedos construídos por mim e meus irmãos, montar em cavalo. Ainda hoje me arrependo e sofro por lembrar que caçava passarinhos com baladeira. Tenho em minha casa um self-service de passarinhos. Todos os dias sirvo alpiste e painço, comidinhas. Seria uma compensação?
Tudo eu queria entender e aprender. Nova Cruz bebia água vinda de trem. Do rio Pequiri. Ficava impressionado com a fila de latas na estação à espera. Aí, aprendi a importância da água. Queria saber como um vapor, uma espécie de fumaça, podia mover uma enorme locomotiva. O padre Manoel Barbosa me ensinou explicando também que as rodas do trem se moviam porque havia um braço excêntrico, então, aprendi aí a importância de excentricidade. Daladier e eu ganhamos uma bicicleta vermelha, fantástica. Aprendi equilíbrio e a partilhar. Aprendi, com uma surra, que não devia pegar “morcego” no trem.
Fui coroinha na Igreja Matriz. Ajudava missa em latim. Ad Deum qui laetificat juventutem meam. Deus, que me alegrava a juventude, me faz feliz até hoje.
Estudava no Colégio das freiras, Nossa Senhora do Carmo.  A minha turma, três meninos e sessenta meninas. Um dia, fui fechar uma janela e as meninas disseram não fecha. Respondi: fecho porque estou resfriado e pode vir um ar de vento. Ganhei o apelido deadvento e as meninas faziam uma espécie de coral cantando advento. Delicadamente, eu agradecia falando na mãe delas.
Aprendi a trabalhar na loja. Meu pai dizia que, quando o braço estirado dava um metro, estava na hora de trabalhar. Fazia pacotes, cilindrava. Fui caixa e vendedor de tecidos, chapéus, sombrinhas. Por vezes, vendíamos colchões de capim e máquina de costura.
Meu pai era leitor imbatível, do Almanaque Capivarol a Shakespeare.  Um dia me levou para ouvir cantadores de feira. Gostei.  Entendi que a poesia popular era diferente, mas ágil do que as que meu pai recitava em casa. Li gibis, Monteiro Lobato, muitos livros infantis. Logo, Anatole France, Euclides da Cunha, Coelho Neto, José Lins do Rego, Câmara Cascudo. O livro que mais me impressionou foi Fogo Morto, de Zé Lins.
Todo homem tem um rio correndo na sua infância. Eu tenho dois: o Curimataú e o Potengi. O Curimataú assombrava os meus olhos meninos quando vinha com cheia de água barrenta, de barreira a barreira. Zé Preto tomando cachaça e atravessa o rio com um balde de leite. Eu só podia tomar banho quando as águas estavam transparentes. Ou pescar piaba, com uma garrafa com farinha.
 
2.     Você participou de algum movimento cultural/literário na época de estudante?
De muitos. Fui presidente do Centro Panamericano no Atheneu. O Centro tinha pretensão otimista de interagir com alunos da América Latina. Com José Augusto Delgado e outros fizemos uma exposição de poesia no Grande Ponto. Na Faculdade, apontado como de direita, fui candidato à Presidência do Diretório Acadêmico Amaro Cavalcanti e da União Estadual de Estudantes, derrotado por pouco votos.
 
3.     E o período como estudante universitário, como foi? E por qual razão escolher cursar a área jurídica? Era sonho tornar-se advogado?
Participei da chamada Turma da Paz da Faculdade de Direito. Aluno encantado por Luís da Câmara Cascudo, Edgard Barbosa, Alvamar Furtado, Otto Guerra, Floriano Cavalcanti, Raimundo Nonato Fernandes. Meu pai fora Adjunto de Promotor de Nova Cruz. Meu primo Otalício Pessoa da Cunha Lima, meu primo, foi Promotor da Cidade. Substitui-o, algumas vezes em Nova Cruz e fui Adjunto de Promotor da Primeira Vara de Natal cujo titular era Nogueira Fernandes. Otalício e Dr. Nogueira ocuparam, depois, a Procuradoria Geral de Justiça. Penso que nasci para ser advogado, tanto que fui Procurador da Prefeitura de Natal, fiz dois concursos para juiz de direito, fui nomeado e nunca assumi. Talvez, por medo de julgar pessoas.
 
4.     Quando acontece a sua estreia em livro? Relate-nos um pouco dessa fase, das influencias e do período de lançamento da sua primeira obra poética?
Eu poetava em Nova Cruz. Com treze anos trouxe os poemas para Natal. Aqui o soneto era coisa do passado. Mudei o rumo e, incentivado por Newton Navarro e por Câmara Cascudo, publiquei pela Universidade Federal “Lua quatro vezes sol”. O editor foi Geraldo Batista.
 
5.     E as obras seguintes; "Instrumento dúctil", “Corpo breve" e "Natal, poemas e canções”? Seguem a mesma linha poética do primeiro?
Não sei dizer. Só posso viver com poesia, viver poesia, acreditar nela até como um meio de sobrevivência. Estes livros representam o meu momento, estado de espírito.
 
6.     Quantos livros você escreveu até o momento (Junho de 2013)? Alguns da sua preferencia? Algum “filho” especial?
Vinte e cinco. Gosto muito do Livro das Respostas (Em face do Livro de Las Preguntas, de Pablo Neruda), um atrevimento meu que deu certo. Já Tendresse, (Poèmes d’un Amour Tourmenté) foi publicado na França em Charleville, tradução de Bernard Allegued. Aqui, transformei em Cd, eu recitando os poemas e Marco Bruno Miranda Clementino, hoje juiz federal, recitando em francês. Gosto de Natal, uma nova biografia, e de poemas como Celebração, Jesus Nordestino, A Ribeira, Poema da Moça Menina. Está por nascer um livro, filho especial: O Dicionário Amoroso de Natal.
 
7.     E como surgiu a ideia de escrever a obra “Câmara Cascudo Um Brasileiro Feliz”? Ele como ele recebeu a homenagem?
Preparavam-se as comemorações dos 80 anos de Cascudo que sempre me considerava o aluno mais próximo, um filho de predileção. Paulo Macedo sugeriu que eu fizesse. Eu tinha muitas anotações de conversas com o Mestre. O problema é que estávamos a cinco semanas do aniversário. Fechei o Escritório e, durante oito dias e oito noites, escrevi o livro. Meu compadre Marco Aurélio de Sá fez a edição, correndo. O Mestre queria mudar o título. Perguntou-me se eu achava que ele era o único homem feliz no Brasil. Haveria cento e muitos milhões de infelizes? Depois, passou a se intitular um brasileiro feliz em entrevistas, em conversas, em crônica.
 
8.     Diógenes da Cunha Lima exerceu inúmeras funções e cargos públicos, dentre elas: Presidente da Fundação José Augusto; Secretário de Estado da Educação e Cultura; Consultor Geral do Estado; Presidente do Conselho Estadual de Cultura; Reitor da UFRN, dentre outras. Alguma marcou de modo especial a sua carreira ?
Todas me marcaram. Exerci plenamente as funções, principalmente o exercício dos cargos de Reitor e da Presidência do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras.
 
9.     Você foi eleito muito jovem para Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, nos relate um pouco desse momento? Era um sonho entrar para Academia?
Aluízio Alves era candidato à sucessão de José Augusto. Câmara Cascudo e Dr. Onofre lançaram o meu nome e trabalharam muito. Às vésperas do pleito, ficou claro que eu obteria o maior número de votos. Aluízio retirou a candidatura, afirmando que estava havendo interferência política na Academia. Ele estava cassado. Anos depois, com entusiasmo, apoiei a sua candidatura. A sua presença deu brilho a Academia.
 
10.                Poucos anos depois se torna presidente da Academia norte-riograndense de Letras, cargo que você ocupa até os dias atuais. Estava nos seus planos, dirigir esta tão importante instituição cultural?
Não. Coloquei o meu trabalho à disposição dos colegas acadêmicos. E enquanto bem servir. Amo a Instituição, admiro os companheiros, tenho por eles carinho e amizade. Ninguém é feliz sem ser útil, nem é útil sem ser feliz.
 
11.                Você também recebeu ao longo da carreira varias condecorações e medalhas, como o Diploma de Mérito Centenário Câmara Cascudo.  Diógenes da Cunha Lima de onde vem tanto amor pela educação/cultura/literatura?
Fui honrado com muitas distinções. Todas recebi com emoção. Destaco: a Ordem Nacional de Mérito Educativo no grau de Grande Oficial, a Medalha João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras, do Conselho de Reitores da Universidade do Chile como Rector Y Consegero,  e a Medalha Santos Dummont do Governo de Minas Gerais.
Da minha infância vem o amor. A minha infância nunca me abandonou. Tanto que escrevo livros e canções infantis.
 
12.                Você escreveu biografias de importantes figuras do RN, como Djalma Marinho, Câmara Cascudo, Onofre Lopes entre outros.  O que você acha que poderíamos fazer para que estas figuras não fossem esquecidas e fizessem parte da formação dos nossos jovens?
Biografias e perfis biográficos são essenciais à formação dos jovens. São modeladores. Governo, Instituições de intelectuais devem promover divulgações de grandes homens à coletividade.
 
13.                Você foi reitor da UFRN no período da transição da ditadura para democracia. Como foi conduzir a universidade naquele processo onde a sociedade e especificamente os estudantes, levantam bandeiras que iam de encontro às instituições que embora estivessem buscando a democratização adotavam políticas diferentes?
Foi instigante. Era época do surgimento e fortalecimento das Instituições, das Associações de Professores, Estudantes e Funcionários. Com todos eu procurava dialogar. Uma vez fui avisado de que os estudantes haviam invadido o auditório da Reitoria com muitos protestos. Fui para lá e perguntei se me permitiam falar. O clima era tenso, com gritos, início de vaias, protestos muitos. Lideranças estudantis como a de Mineiro e Hugo Manso. Comecei o discurso dizendo: Esta é a Universidade que eu sonhei, viva, atuante, protestando, exigindo mudanças...
            Durante a minha gestão, não permiti interferências ditatoriais contra professores, alunos ou funcionários. As minhas decisões sempre tiveram o respaldo do Ministério da Educação.
 
14.                Você mantinha bom relacionamento com os líderes estudantis, considerando as posições divergentes entre estudantes e a reitoria?  Algum dos antigos líderes estudantis mantém contato ainda hoje com você? Algum fato marcante nesse período?
Mantenho excelente relacionamento com os antigos líderes estudantis. Tive o privilegio de receber como cliente muitos professores que, por posições ideológicas, me combatiam.
Os estudantes eram proibidos de se associarem. Contrariando ordem expressa, recebi na sede do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras a União Nacional de Estudantes, então presidida por Aldo Rabelo, hoje Ministro. Apoiamos as suas revindicações e fomos, os reitores, reivindicá-las ao Ministro. Aldo lembrou do episódio quando visitou Natal como Ministro de Esportes e depois quando me recebeu em Brasília.
 
15.                Sua obra O Livro das Respostas é um diálogo com um dos maiores poetas do século XX. Qual a sua motivação para escrever este livro considerando a história do escritor Pablo Neruda?
Neruda é, do meu ponto de vista, o maior poeta das Américas. Sabendo da minha predileção, Veríssimo de Melo pediu-me para fazer três respostas ao Libro de Las Preguntas a fim de que ele fizesse uma crônica. Fiz. E não pude mais parar. A sétima versão do livro é que foi a definitiva com as 314 respostas. Neruda baixou como em sessão espírita e reprovava as tentativas iniciais. Afinal, senti dele a aprovação. Claro que foi um atrevimento meu esse diálogo onírico, mas deu certo. A crítica foi sempre exagerada, favorável. Thiago de Mello disse que gostaria de traduzir as perguntas de Neruda e que ele, se tivesse vivo ficaria feliz com as minhas respostas. Ivo Barroso fez um poema em homenagem e publicou na Folha de São Paulo. Agora mesmo em Frankfurt um editor mostrou-se interessado em representar o livro na Europa.
 
16.                Pode nos relatar um pouco da amizade com Câmara Cascudo? Você aprendeu muito com ele? Ele ensinou mais sobre a vida ou sobre os livros?
Quando vim para Natal, tinha 13 anos, meu pai me orientou: “Em Natal há um rio chamado Luís da Câmara Cascudo, o resto é tudo riacho”. Aconselhou-me a visitá-lo. Toquei na campainha da casa da casa da Rua Junqueira Aire, 377, e Anália, a velha criada, veio me atender:
- O que é que você quer, menino?
- Quero conversar com Câmara Cascudo.
- Ele está muito ocupado e não vai poder “conversar” com você.
- Vá dizer a ele que eu vim de Nova Cruz para vê-lo.
O Mestre veio me receber, deu-me chocolates e uma cestinha feita por índios, disse lembrar-se de meu pai – “ele tem olho de xexeu” - e de alguns parentes que eu mencionei. Depois, procurei estar presente às palestras dele onde tivesse notícia. Já na Faculdade de Direito foi meu professor de Direito Internacional Público. De fato, foram aulas de etnografia, história, folclore, costumes, hábitos, supertições, mitos, lendas. Íamos ouvir o que ele dizia mesmo estando estudando outras matérias. Ele me fez seu aluno permanente e começou a me receber em sua casa. Foi meu padrinho de casamento no alto do Cabo Branco em João Pessoa. Quando me candidatei a Reitor ele fez uma carta enaltecedora ao Presidente da República. Escreveu em sua máquina Remigton, com carbono, e me deu a cópia assinada para que eu mostrasse a outros escritores a fim de que fizessem o mesmo. Levei a cópia para Gilberto Freyre, José Américo de Almeida, Jorge Amado e Odílio Costa Filho. Durante cerca de vinte anos frequentei a sua casa. Chegava no final do expediente e saia quando ele dizia que eu fosse baixar em outro terreiro. Retirei no banco, muitas vezes, cheque relativo a sua aposentadoria, levei cartas para o correio, pesquisei significados de palavras e gestual populares, fui seu advogado, enfim, fazia tudo o que podia para facilitar o dia a dia do meu Ídolo.
 
17.                Câmara Cascudo é um ícone da cultura norte rio-grandense. É possível pensar o RN como sendo um antes e outro depois de Cascudo, em termos históricos e culturais?
Certamente. Câmara Cascudo é um dos mais nobres arquitetos da alma brasileira. Fez promoção cultural como ninguém. Deu respaldo à fundação da Universidade Federal, criou a Academia de Letras e deu valor maior ao Instituto Histórico e Geográfico, sem esquecer do estímulo à criação da Sociedade de Danças Antigas e Semi-desaparecidas, ARARUNA. A ele se deve a permanência de muito das nossas tradições e muito da autoestima potiguar.
 
18.                A imagem da Natal provinciana tão presente na sua geração já foi superada ou você acha que ainda está presente nos dias atuais e ainda fazem parte dessa geração?
Câmara Cascudo é o sinônimo mais nobre de Natal. Ele assinava, frequentemente, Luís Natal. Tudo produziu aqui. Daqui a quinhentos anos, enquanto se estudar o Brasil, o que é o brasileiro, haverá de se estudar Cascudo.
 
19.                Você sempre esteve ligado a formação educacional. Foi secretário de educação e reitor da universidade. A educação apesar dos constantes discursos em sua defesa continua deficitária no nosso estado. O que você acha que esta faltando para mudar efetivamente essa situação.
Eu sou um professor. Ainda hoje, no meu Escritório de Advocacia, eu não passo de um professor para colegas, para os estagiários e até para alguns clientes. Não há como fazer crescer o país com a educação deficiente. Tratando-se o professorado como uma classe subalterna, ganhando pouco sem condições de preparação adequada para o magistério. O investimento em educação determinara mudanças a todos os setores da vida social.
 
20.                Seus livros são resultados de intensas pesquisas históricas, culturais e geográficas, utilizados de forma agradável, lírica e didática. Qual a vertente literária que você mais gosta de escrever?
Poesia. Muitos poemas são enjeitados por mim, mas tenho o prazer de fazer. Toda manhã depois da higiene física, faço higiene mental lendo até cinco poemas de autores prediletos.
 
21.                 Você também escreveu alguns livros infantis, como surgiu o interesse por esta vertente ?
Comecei fazendo músicas infantis. Cada filho meu, netos, alguns sobrinhos e filhos de amigos têm uma canção de ninar. Já fiz umas sessenta. Alguns estão com vozes lindas em três CDs.
 Natália, minha sobrinha, estava com o pai fazendo doutorado em Madri, quando eu estava de férias em Pirangi. Mandei uma história por e-mail. Ela gostou. Mandei outras, seguidamente. Aprendi, na prática, a fazer histórias para crianças. Acrescido de contos sobre os netos, estava pronto A Avô e o Disco Voador. Por isso, esse livro é dedicado à Internet. Este livro tem me dado todas as alegrias, adotado em vários colégios, estudado por meninos e teatralizados também. Sarah Benchimol, compositora carioca, viu o livro e fez um belíssimo Cd com as histórias. O Cascudinho o Menino Feliz também me deu alegria. Será, talvez, adotado pela Secretária de Educação de São Paulo. Foi manifestado o interesse. O livro resultou de um pedido de Cortez da Editora. É resultado da convivência com o Mestre Cascudo e teve a participação essencial de minha filha Cristine, a educadora. Revelo uma tristeza: As Secretárias de Educação daqui não o valorizam.
 
22.                Diógenes da Cunha Lima tem ideia de quantos prefácios e orelhas escreveu até o momento?
Penso que já ultrapassam uma centena. Gosto de fazê-los, de ler em primeira mão, usufruir de novos afetos e pensamentos.
 
23.                Quais foram às pessoas mais próximas a você no mundo literário além de Cascudo?
Tive o privilégio de merecer a simpatia de monstros sagrados da literatura como Gilberto Freyre, Afonso Arino de Mello Franco. Em Natal foram meus amigos diletos Newton Navarro, Zila Mamede, Veríssimo de Melo, Luís Carlos Guimarães, Nilson Patriota, Gilberto Avelino, Miriam Coeli, Dom Nivaldo Monte, Miguel Cirilo.
 
24.                Quais as obras mais importantes da literatura potiguar no século XX em sua opinião?
A produção intelectual é boa. Temos excelentes escritores. Dou destaque a: Civilização e Cultura, Dicionário do Folclore Brasileiro, História de Alimentação no Brasil, Canto de Muro, Prelúdio e Fuga do Real de Luís da Câmara Cascudo, A Fortaleza dos Reis Magos de Hélio Galvão e, de Veríssimo de Melo, Folclore Infantil.
 
25.                E o mercado literário potiguar? Existe alguma diferença em relação, por exemplo, quando você estreou em livro?
Sinto-me satisfeito com o mercado literário potiguar. Há várias editoras, com ótima escolha dos livros publicados. As sedes estão em Natal e Mossoró. Nada existia quando a UFRN publicou o meu primeiro livro, o Lua Quatro Vezes Sol.
 
26.                Como se sente sabendo que faz parte da historia da literatura potiguar? Participando das principais antologias poéticas do estado, inclusive com muitos elogios do Assis Brasil e do Tarcísio Gurgel, Diva Cunha, Manoel Onofre Jr, dentre outros.
A critica tem sido generosa comigo. Tive a surpresa de ver trabalho meu integrante da Antologia de Poetas do Recife, elaborada por Edilberto Coutinho e do livro Dal “Pan di Zucchero” al Colosseo, de Aniello Angelo Avella, publicado em Turim na Itália. Neste estão incluídos escritores do porte de Cecília Meirelles, Murilo Mendes, Darcy Ribeiro, Chico Buarque de Holanda.
 
27.                Algum novo poeta potiguar, desperta sua atenção? Você tem lido a poesia potiguar da atualidade?
Nosso Estado tem autores com poemas de excelência. Entre tantos, cito quatro mulheres: Marize Castro, Diva Cunha, Carmem Vasconcelos e Rizolete Fernandes. Leio com frequência a poesia potiguar.
 
28.                Que outro tipo de arte desperta seu interesse além da literatura?
Pintura, escultura, balé, teatro, filmes clássicos.
 
29.                Você já virou personagem de ficção em obras de Joao Ubaldo Ribeiro e de Nei Leandro de Castro. Diógenes da Cunha Lima, nunca pensou escrever um romance?
Não tenho competência para escrever um romance. Lamento, mas não é a minha vocação. No máximo, escrevo um mini-conto.
Lembro, como exemplo um conto: Cantiga Triste. O cemitério da cidadezinha já não cabe ninguém, com tanta gente morrendo. A voz fanhosa do sino da Igreja despedem: vão, vão, vão ... A murmuração fanhosa do sino da igreja despede .
 
30.                Passados mais de 40 anos desde o lançamento do seu primeiro livro, qual o balanço que você faz da sua carreira literária, tudo valeu a pena?
Quem faz o que pode, a mais não se obriga, ensinaram-me em Portugal. Sigo, aprendido com o Mestre Cascudo, a lição de Goethe: Eu, enfim / sou o que sou / se assim sirvo / aqui estou.
 
31.                E quais os seus planos literários para o futuro?
Penso que um dia vou, luto para escrever o poema ideal. Claro, límpido, transparente, sem mácula.
Tenho biografias a fazer, inclusive a de Dom Eugênio Sales e Dorian Gray. Coordeno um novo volume de O Livro das Revelações Matrizes do Afeto – o pensamento vivo de escritores.
 
32.                Quem é o escritor Diógenes da Cunha Lima?
Um escritor provinciano que ama tudo que faz e procura somente fazer aquilo que ama.
 
33.                 Quem é o ser humano Diógenes da Cunha Lima?
 
Um ser que imagina ter encontrado um sentido para a vida.