“O termo Academia tem sua origem na Grécia, em torno do século III AC, quando Platão passou a reunir pensadores que discutiam questões filosóficas em um local chamado Jardins de Akademus (herói Ateniense). O grupo passou a ser conhecido por Akademia. Com o tempo, a reunião de pessoas especializadas em uma determinada área também passou a receber a mesma denominação. Mais tarde o termo passou a ser usado também para designar estabelecimentos de ensino superior e posteriormente escolas onde se ministram práticas desportivas, artísticas e outras. Sociedades de caráter científico, artístico ou literário também passaram a ser denominadas de academia. Atualmente, quando nos referimos genericamente à ACADEMIA, estamos nos referindo ao sistema educacional e ao meio intelectual como um todo.” (Paulo de Azeredo (RS) em 03-05-2010)

Diga-se, por oportuno, que a União Brasileira de Escritores/RN, pertence ao gênero academia, instituto, associação, etc, porquanto agrupa nos seus quadros uma categoria profissional que é a dos escritores do Rio Grande do Norte.    

Excelentíssimo Senhor Presidente da UBE/RN, Professor Roberto Lima de Souza; Senhores Membros da Diretoria Executiva; Senhores e Senhoras Confrades e Confreiras que hoje tomam posse como sócios efetivos desta Entidade; autoridades que compõe a honrosa Mesa condutora dos trabalhos; Senhores e Senhoras membros da UBE/RN; minhas Senhoras e meus Senhores

 

“Não há riqueza maior que a saúde do corpo, nem contentamento maior que a alegria do coração” (Eclo 30,16).

 

 

 

            Primeiramente devemos agradecer a Deus pela oportunidade que nos oferta de aqui estarmos reunidos em Seu Nome nesta alegre e festiva noite de posse dos novos sócios efetivos desta prestigiada instituição da cultura potiguar.

           

            Sentimo-nos fortalecidos e honrados com a escolha generosa que me foi delegada para representar as dezoito personalidades que foram selecionadas e eleitas para compor os quadros associativos de tão importante casa cultural deste Estado, que abriga a toda evidência, o que mais sublime existe na expressão criativa do povo norte-rio-grandense.

 

            Destarte, iniciamos por transmitir a todos os senhores, em nome dos empossados, o mais profundo e vibrante sentimento de gratidão aqueles que com máxima indulgência aprovaram nossa indicação, elegendo-nos e fazendo-nos partícipes do novo ciclo de afirmação deste ilustre sodalício que, inegavelmente, agrupa, ao lado de tantas outras instituições o que há de mais puro e representativo no acervo da arte de escrever e produzir textos para devaneio de ávidos leitores.

 

            Como já demonstrado pelo valoroso ex-presidente e atual Vice, escritor Eduardo Antônio Gosson, a quem a UBE/RN muito deve, em face de sua eficiente e emocional dedicação a nobre classe de escritores do Rio Grande do Norte, esta associação já adentra na sua maior idade, eis que está próxima de completar os seus 56 anos de efetiva participação nos vitoriosos movimentos propulsores da cultura da terra de Câmara Cascudo, sendo, para os seus orgulhosos componentes a quarta entidade mais antiga do Estado e, mais importante, na plenitude de sua força-motora, tal o ímpeto operativo dos seus diretores ao longo do tempo, a partir de sua primeira diretoria comandada pelo escritor regionalista Professor Raimundo Nonato da Silva, que pôs as velas ao mar e fez navegar entre abrolhos e águas mansas a nossa sempre trepidante instituição.

 

            Os mais novos foram aprimorando e enriquecendo o patrimônio histórico da Casa dos Escritores do Rio Grande do Norte, até chegar à atual diretoria sob a batuta deste homem abençoado por Deus, que é o escritor e músico Professor Roberto Lima de Souza, pois em consonância com a sua eficiente diretoria executiva vem aparelhando a entidade para os dias futuros, sem temer as dificuldades que se apresentem e sem esmorecer diante das barreiras naturais do cotidiano.

 

            Entretanto, os que fazem esta União de Escritores praticam a sempre repetida lição do magistral Ortega y Gasset, ao prelecionar:

 

“(...) os indivíduos, à semelhança das gerações têm destino preestabelecido, do qual se não podem afastar, sob pena de censura da sociedade (...)”.        

 

            Por sua vez, em PROVÉRBIOS – 20:24, somos cientificados de que: “os passos do homem são dirigidos pelo Senhor; como, pois, poderá o homem entender o seu caminho?”.

            Assim, fique certo Senhor Presidente, que é um privilégio sermos recebidos por esta Confraria diante de alvissareiras perspectivas. E “é com o mais saudável otimismo que aceitamos compartilhar os propósitos que orientam a vida desta instituição”, parafraseando o escritor e poeta Francisco de Assis Câmara, quando do seu discurso de posse no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

 

            A partir de agora, distinta platéia, deixamos de ser apenas admiradores da União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte, porque passamos a compor os seus dignos quadros, com a idêntica responsabilidade daqueles que, mesmo em sacrifício dos seus afazeres profissionais, procuram dar régua e compasso a esta congregação.

           

            Sabemos das grandes dificuldades que são próprias dos órgãos culturais e científicos, especialmente em relação aos poderes constituídos. Entretanto, esses óbices vêm sendo paulatinamente ultrapassados, mercê da vontade de todos que se envolvem nos campos da intelectualidade, como é o caso dos homens e mulheres que abraçam o difícil caminho da arte de escrever.

 

            Ensina o escritor e confrade Jurandyr Navarro em trabalho publicado na plaqueta RESGATE DA MEMÓRIA JURÍDICA POTIGUAR – Natal, 2009 – editada pela Academia de Letras Jurídicas do Rio Grande do Norte, ao proferir conferência sob o título Nilo Pereira: - Vida e Obra –Fls. 27 e seguintes:

 

“O ESCRITOR E O ACADÊMICO

Tais acepções se aplicavam a contento ao perfil cultural do homenageado. Trata-se de um casamento monogâmico, indissolúvel, entre o autor e a obra, já que uma Academia não deixa de ser um grande livro, aberto ao entendimento.

Ela foi criada para o Escritor – a individualidade letrada, a natureza intelectual em perfeito convívio com a nobre atividade do espírito.

Para a conquista de uma Cadeira em qualquer Instituição Cultural, requer-se ab initio, o nome feito nas lides do pensamento. O grande Goethe já havia proclamado ser impossível para um mortal, mocidade e sabedoria ao mesmo tempo.

Igualmente, sucede em relação ao escritor, analisado pelo exame severo da crítica. (...)”.

 

            Com inegável sinceridade, deste momento em diante não poderemos somente admirar e contemplar! Na verdade, precisamos interagir com os nossos dirigentes para que a chama idealística dos mais antigos não se reduza apenas a quimeras idas e vividas. Cada um de nós – os dezoito desta inesquecível noite – passemos a dar força aos que vêm conduzindo com dedicação franciscana a tocha cintilante da vontade de fazer, de produzir, destinando às futuras gerações o que for melhor e mais duradouro em prol da sociedade politicamente organizada.

 

            Por isso, acreditamos que o arrojo e a dinâmica dos que modelam a UBE/RN em nossos dias, serão amplamente compensados pela admiração e pelo reconhecimento dos que dinamizam o universo literário. Portanto, caríssimos senhores, estamos aqui para aprender, colaborar, unir e construir. Não devemos nos restringir apenas a atitudes de agradecimentos, porquanto a entidade precisa mesmo dos nossos olhares, da nossa força e do nosso inegável entusiasmo. Iniciemos um novo tempo de produtividade. Cuidemos da vitoriosa União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte.

 

            Resta lembrar o lúcido e eminente Djalma Marinho:

 

“Vim testemunhar, nesta solenidade a vitória da minha geração. Ela não se frustrou como num barco que, singrando para uma grande viagem, desistisse à primeira tormenta e voltasse sem glória e sem rumo (...)”.

 

            Não desistiremos!   Muito obrigado!

 

(Discurso proferido pelo sócio empossando Odúlio Botelho Medeiros, em 12 de março de 2015, no auditório do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte)