Pesquisa e Texto: Frank Tavares Correia

“O Colégio Santo Antônio” – Antônio Fagundes (09-12-1896 – 10-10-1982).

“Quando conheci Natal, ou melhor, quando ela, carinhosamente, me acolheu em seus braços maternais, era realmente uma aldeia. Os seus limites não iam além da Avenida Deodoro e do Sítio da Bica, local onde hoje se encontra a Usina Elétrica. O mais era mato onde havia árvores de porte considerável.

“No Monte Petrópolis, que estende seu nome a um dos pitorescos bairros próximos à praia, erguiam-se quatro prédios de estilo coloniais, três adquiridos pelo Governador Alberto Maranhão, que neles instalou o Asilo de Mendacidade ‘Padre João Maria’, convertido em Orfanato e depois em Instituto, a Casa de Detenção e o Hospital ‘Miguel Couto’. O último situado mais a leste, foi ocupado pelo saudoso Vigário João Maria quando adoeceu, tendo ali falecido. Demolido há poucos anos, está sendo erigida no local a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes” (Antônio Fagundes, O Colégio Santo Antônio. Natal: Tipografia Santa Teresinha, 1961, pp. 05-06).

O Livro. “O Colégio Santo Antônio”, de autoria de Antônio Fagundes (09-12-1896 – 10-10-1982), com 37 páginas, veio a lume em 1961, sob a confecção da Tipografia Santa Teresinha. Consta apenas de um capítulo intitulado de Reminiscências. Antes, há na página 03 uma dedicatória de Fagundes ao Senhor Salustiano Peregrino da Rocha Fagundes (Lalu) tio e padrinho do Autor. O tema do livro são as evocações de Antônio Fagundes ao tempo que lá estudou, entre 1904 a 1907. Segundo Lauro Pinto (1905-1985), em “Natal que eu vi” (Natal: Sebo Vermelho, 2003, p. 53), o Colégio Santo Antônio era uma Instituição de Ensino que pertencia a então Diocese de Natal, e foi inaugurado em 01/03/1903, funcionando num “velho prédio e com instalações precárias, principalmente o sistema sanitário. Carteiras rudimentares e bancos duros”. A descrição ainda é de Lauro Pinto que diz:

“A água potável, pelo menos no meu tempo, provinha de uma cisterna que recebia água dos velhos telheiros da Igreja e do próprio prédio, o que motivou em 1919 um violento surto de febre tifóide ceifando a vida de seis estudantes, o que obrigou o fechamento do colégio” (Natal que eu vi, Natal: Sebo Vermelho, 2003, p. 53).

Essa igreja da qual nos fala Lauro Pinto era a Igreja do Galo, e o Colégio ocupava as dependências do atual convento dos Capuchinhos, em Natal, na Rua Santo Antonio, que ali inauguraram seu Claustro em 1948.  E para constar o feito de inauguração, na portaria do Convento se encontra uma lápide onde está escrito em letras maiúsculas o seguinte:

“COM SÉCULOS DE DEVOTAMENTO

AO SERVIÇO DAS ALMAS

OS MISSIONÁRIOS CAPUCHINHOS

ERGUERAM ESTE CONVENTO

DE SANTO ANTÔNIO

COM O AUXÍLIO DO POVO

E BÊNÇÃO DE DEUS

NATAL 1-2-948”

Obras do Autor. “Noções de Geografia do Assu”, 1922; “Leituras Potiguares”, 1934 (reeditado pelo Sebo Vermelho); “Educação e Ensino”, 1940; “O Cruzeiro”, 1943; “Vida e Apostolado de Dom Joaquim Antônio de Almeida”, 1955; “Símbolos Nacionais”, 1964/1967; “O Vigário Bartolomeu”, 1976;

O Autor. Antônio Gomes da Rocha Fagundes, ou simplesmente Antônio Fagundes, fotógrafo, memorialista, biógrafo do Vigário Bartolomeu, professor, ainda recordado pelos mais velhos, nasceu em Canguaretama/RN, em 09 de dezembro de 18996, e faleceu em Natal, a 10 de outubro de 1982.

Fontes Consultadas:

FAGUNDES, Antônio. O Colégio Santo Antônio. Natal: Tipografia Santa Teresinha, 1961.
PINTO, Lauro. Natal que eu vi. Natal: Sebo Vermelho, 2ª edição, 2003.