Pesquisa e Texto: Frank Tavares Correia

“A Caça nos sertões do Seridó” – Oswaldo Lamartine de Faria (1919-2007)

“Rastejar, é quase certeza ter sido um dos primeiros verbos que os nossos antepassados colonizadores aprenderam a soletrar, até mesmo por carecimento de sobrevivência. Rastejar tem sido uma constante das populações primitivas que pouco a pouco se vai diluindo com a artificialização do homem” (Oswaldo Lamartine de Faria, A Caça nos sertões do Seridó. Rio de Janeiro: Serviço de Informação Agrícola/Ministério da Agricultura, 1961, p. 41).

O livro. Veio a publicação em 1961, editado pelo Serviço de Informação Agrícola/Ministério da Agricultura. “A Caça nos sertões do Seridó” é uma obra de 80 páginas, VII Capítulos (I- O começo dos sertões do Seridó; II- O mundo seridoense; III- A Caça nos sertões do Seridó;  IV- E por derradeiro; V- Notas; VI- Quadros estatísticos e da fauna; VII- Referências bibliográficas). As ilustrações são assinadas por Percy Lau. E as fotografias, presumivelmente, são do autor. Há na página 05 a seguinte dedicatória:

“À memória do meu pai JUVENAL LAMARTINE DE FARIA que muito mais amava o chão do Seridó”.

O tema que Oswaldo Lamartine de Faria (1919-2007) explora é a caça no âmbito da Região Seridó/RN, um dos meios de sobrevivência do sertanejo daquela área (Sertões do Seridó[1]). Detidamente, o autor analisa as técnicas, as armas, a experiência, o universo lendário em torno da caça.

Bibliografia do Autor. “Notas sobre a Pescaria de Açudes no Seridó”, 1950; “ABC da Pescaria de Açudes no Seridó” 1961; “Algumas Abelhas dos sertões do Seridó” (parceira com Hypérides Lamartine) 1964/1980/2004; “Conservação de Alimentos nos sertões do Seridó”; “Vocabulário do Criatório Norte-rio-grandense”, 1966/1997 (parceria com Guilherme Azevedo); “Encouramento e Arreios do Vaqueiro no Seridó”, 1969; “Uns Fesceninos”, 1970/2008; “Silo-Família no Seridó”, 1970; “Açudes nos Sertões do Seridó”, “Sertões do Seridó”; “E aonde era sombra se fez sol. E aonde era solo se fez chão”, 1980; “Algumas peças líticas do Museu Municipal de Mossoró”; “Ferros de Ribeiras do RN”, 1984/2010; “Pseudônimos & Iniciais Potiguares” (parceria com Raimundo Nonato da Silva), 1985; “Seridó – Século XIX (Fazendas e Livros)” – parceria com Padre João Medeiros Filho –, 1987; “Apontamentos sobre a Faca de Ponta”, 1988/2006; “Alguns Escriptos da Agricultura no Império do Brasil”, 1998; “Notas de Carregação”, 2001; “O Sertão do nunca mais” (parceria com Vicente Serejo), 2003; “Cartas da Seca” (Targino Pereira), Organização e notas: Oswaldo Lamartine;

O Autor. Oswaldo Lamartine de Faria, Funcionário do Banco do Nordeste do Brasil (ingresso em 1955), Agrônomo da Escola Superior de Agricultura, de Lavras, Minas Gerais, Administrador de Fazendas (Fazenda Lagoa Nova/RN, Fazenda Oratório/RJ, Colônia Agrícola do Maranhão, Núcleo Colonial de Pium/RN), escritor, pesquisador, sertanista, consultor da Rede Globo de Televisão, Professor da Escola Doméstica de Natal/RN e Escola Técnica de Jundiaí/RN, estilista, membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras, Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), bibliófilo, nasceu em 1919 e faleceu em 2007.

Um perfil de Oswaldo pelo jornalista Sanderson Negreiros. Em “Cartas e Cartões de Oswaldo Lamartine”, livro de Veríssimo de Melo, Sanderson Negreiros escreveu sobre uma apresentação datada de 28 de abril de 1995. Da apresentação, escolhemos o seguinte extrato:

“E me volto a vê-lo, por inteiro, diante de mim, na singular identidade do corpo físico: agora setentão, magro, como só os místicos que usam cilício podem sê-lo; sentindo frio no calor; de mãos longas de quem já arou a terra do Seridó – e aqueles olhos que as aves, na aba da serra, costumam a apurar para ver o chão e o horizonte. Olhos implacáveis para descobrir, no cotidiano, o sinal de beleza da vida feroz” (Veríssimo de Melo, Cartas e Cartões de Oswaldo Lamartine, Natal: 1995, p. 17).

Crédito da fotografia: Foto de autoria de Clóvis Tinôco.

A Fotografia: Oswaldo Lamartine é visto no centro, ladeado por Frederico Pernambucano de Mello e o filho de Gilberto Freyre.

 

Fontes Consultadas: Veríssimo de Melo, Cartas e Cartões de Oswaldo Lamartine. Natal: Fundação José Augusto, 1995.  Oswaldo Lamartine de Faria & Hypérides Lamartine. Algumas Abelhas dos sertões do Seridó, Natal: Sebo Vermelho, 3ª ed., 2004, p. 11


[1] É o próprio autor (Oswaldo Lamartine, em pareceria com Hypérides Lamartine) quem esclarece o âmbito do Seridó: “Dezesseis municípios, ao Sul do Estado, formam a região do Seridó no Rio Grande do Norte”. E mais adiante, na mesma página, em nota de rodapé detalha cada uma das dezesseis cidades: “Acari, Caicó, Carnaúba dos Dantas, Cerro Cora, Cruzeta, Currais Novos, Florânia, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Jucurutu, Ouro Branco, Parelhas São Fernando, São João do Sabugi, São Vicente e Serra Negra do Norte” (Oswaldo Lamartine de Faria & Hypérides Lamartine. “Algumas Abelhas dos sertões do Seridó”, Natal: Sebo Vermelho, 3ª ed., 2004, p. 11).