O Tejo é mais belo que o rio que corre para minha aldeia;
mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre para minha aldeia.
Porque o Tejo não e o rio que corre para minha aldeia.
(Fernando Pessoa)

 

“Se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia”

(Tolstoi)

Veio-me a palavra: Macaibística. E as associações de idéias (ou rimas?) – probabilística, infortunística, logística – tantas, que formariam um cortejo maior que o beija-mão das autoridades civis e eclesiásticas. Talvez a expressão Macaibística indique a ciência, o estudo, os fundamentos, o conjunto de conhecimentos que caracterizem e definam a raiz “Macaíba”.

Descubro que a palavra Macaíba, designa uma palmácea espinhosa, que produz um fruto carnudo, e que é encontradiça em todo o território brasileiro, chegando até à América Central.

Satisfaço-me com a explicação, mas abandono, temporariamente, a alta, esguia e exuberante palmeira, para pesquisar as suas conseqüências toponímicas, pois quero tratar da cidade de Macaíba, antes conhecida como Coité, este, um arbusto que também produz frutos

Cogito que a cidade tanto cresceu que o arbusto tornou-se insuficiente para descrevê-la, e então a vila se converteu em árvore, altaneira, rija e pujante graças ao empreendedor Fabrício Gomes Pedrosa que entendeu a metáfora e propôs a mudança.

Sempre que vou à Quinta dos Pirilampos o meu paraíso incrustado em Tabatinga, no território macaibense, escolho o trajeto da BR por comodidade. Não que a estrada esteja em condições trafegáveis, mas é asfalfada, circunstância que nos transmite uma impressão de segurança e conforto. De fato, aqui para nós, apesar de todos os perigos, sinto-me tentado a ir pela estrada que segue pela ponte das lavadeiras, enfrentar a curva da morte, o Peixe-Boi, pelos Guarapes, até chegar na Mangabeira, para evocar meu tempo de menino dos anos cinqüenta.

Entre o incerto e o duvidoso, optei por uma terceira via, inusitada, alguns até entenderão como despropositada,mas vocês perceberão o porquê dessa reviravolta.

Rumo para Macaíba numa jangada que aluguei em Muriú. Chegando na boca da barra, tomei o rumo das cabeceiras do Potengi pelas quebradas do Jundiai. Aporto no velho cais, onde já me aguardavam alguns amigos, e me dirijo às Cinco Bocas, na companhia desses tais, Fabrício Pedrosa, Severo, Alberto Maranhão, Auta de Souza, Tavares de Lira, Otacílio Alecrim, Henrique Castriciano, Olímpio Jorge Maciel e o velho alcaide pessedista Alfredo Mesquita Filho.

O objetivo do cortejo, menos numeroso que as possibilidades das palavras rimosas que invoquei no início do texto, era estabelecer os fundamentos da cidade, a sua geografia sentimental, o futuro e, porque não, sacudir um pouco da poeira dos antanhos para acarinhar e acender o lume do coração macaibense.

Fui moderador da reunião. Ouvi atentamente todos os ilustres participantes, cada qual  se superando nas loas e elegias à cidade-árvore, e, concluídas as intervenções, convidei o velho líder Mesquita para assumir o meu lugar para, mesmo sendo forasteiro do Ceará-Mirim, apresentar uma proposição.

Perguntei se algum deles já havia lido “Trilogia do Cotidiano”, “Pisa na Fulô”, ou “Macaíba de seu Mesquita”, do jovem Valério Mesquita. O velho Alfredo, entre a satisfação e o orgulho, levantou a mão. Auta de Souza o secundou, confessando haver realizado uma leitura astralina dessa obra e fez questão de registrar a gratidão pela solidariedade do autor quando demoliram a sua casa.

Atrevi-me e pedi licença para algumas considerações.

Esclareci que nesses e em outros livros, o macaibense sempre macaibense Valério, ofertava-se à sua terra, arrancando-a de um anonimato ruinoso e decadente, para exibi-la viva, vibrante, original, como desagravasse uma falsa imagem que se tem de alguém colhido pela velhice, testemunhando, através de uma velha foto, a fisionomia real e imorredoura que ainda pode ser distinta se comparada aos sinais contemporâneos.

Um procedimento mágico e simples em que o investigador, movido pela imaginação e pelo amor , vai afastando as rugas, a calvície, os olhos vazios e a boca quase vazia de dentes  que compõem o molde real e então como que captura os sinais de vitalidade da perdida juventude escondidos pelo tempo. Que de fato nos apresenta uma ilusão de ótica.

São relatos bem humorados que não alcançam o desrespeito nem a gozação, mas que revelam um espírito desarmado e feliz que confraterniza o humanismo dos seus quase-personagens. É uma declaração de amor e de saudade, um preito ao seu tempo de aprendizado da vida em que foi iniciado por mestres e mestras tão experientes e tão plenos de amor à existência.

Em seguida, Olimpio Maciel também manifestou o conhecimento e o reconhecimento do lavor do seu conterrâneo em favor da pátria aldeada.

Otacílio Alecrim estava desolado. Não, não o conhecia, mas tivera conhecimento do seu empenho pessoal para reeditar as suas obras. Fabrício, o dínamo macaibense, estaria comprometido com outras fundações. Augusto lamentou a falta de tempo, envolvido nas suas aventuras aéreas. Alberto Maranhão alegou o seu envolvimento com as questões políticas e Castriciano com alguns projetos educacionais.

Prossegui.

- Tenho uma proposta para a qual peço a atenção e a devida consideração de Vosmecês. Que Valério seja declarado “Benemérito de Macaíba”, com a chancela desse seleto grupo de ilustres macaibenses, que, por todos os títulos, são os expoentes da cidade, aqueles que lhe deram aprumo e norteio.

Auta de Souza e Olímpio Maciel passaram a relatar as iniciativas do homenageado em favor de Macaíba e, depois dos relatórios, li alguns trechos da “Trilogia”, exatamente aqueles que mais diretamente expressavam o amor incondicional e irrestrito do jovem macaibense à sua terra, as suas preocupações e temores, as suas indignações e as suas esperanças.

A moção foi aprovada por unanimidade e eu, apenas um escrevinhador-cambiteiro do alagadiço da terra dos canaviais, fui encarregado de lavrar o relatório com as conclusões da reunião, missão que aceitei com prazer, advertindo, todavia, os participantes, que o faria do meu jeito, sem protocolo, pompa ou circunstância como sói acontecer com as almas alforriadas da escravidão dos paletós e gravatas, dos entretantos e considerandos.

Alfredo Mesquita me abraçou com muita efusão e me disse para transmitir ao filho o orgulho e o amor de um pai estremecido pela saudade e pela gratidão. Que perseverasse, porque Macaíba era maior que qualquer querela, circunstância ou reparo. Que se lembrasse quantas vezes, ele, o pai, com uma espinha entalada na garganta, tivera que degluti-la a seco, a troco da paz familiar ou do interesse de sua cidade.

Disse-lhe, em resposta, que o seu filho era agora Conselheiro do Tribunal de Contas e havia-se retirado da arena da política partidária militante, conformando-se na trincheira do jornalismo. O velho ficou pensativo, mas não demonstrou, na sua expressão, qualquer ricto que pudesse ser objeto de interpretação. Não ouso avaliar o seu silêncio, até para concordar com as minhas aulas de direito quando dizia aos alunos que o ditado “quem cala consente” é um engodo jurídico. De fato, quem cala, não diz nada.

Com passos firmes, acompanhou-me até o Cais, olhou em grande angular a sua terra querida e desapareceu numa neblina sabendo a fios de prata.

Passo ao meu relatório.

E começo dizendo que Valério é uma instituição. Ultrapassou o limite do individual e do coletivo. Instituiu-se. Plantou-se e enraizou-se duplamente macaíba, árvore e cidade e triplamente folha, fruto e flor nas variações do Coité, da Macaíba e no advento da Valeriana.

Ninguém o excede no amor à sua terra, nem mesmo Jorge Fernandes, o Drummond de Itabira, ou Mauro Mota e Capiba do Recife. Talvez o iguale o Mestre Cascudo. Eu disse talvez, porque o meu guru universalizou-se, não tem mais eira nem beira, é de domínio público. Nilo e Edgar, cidadãos beneméritos do meu amado Ceará-Mirim, guardaram um amor telúrico, emotivo, mas construído à distância, nos ontens da infância, pelas veredas da saudade.

Em direção oposta, o meu colega-amigo de infância do Marista, Valério Mesquita, fundeou-se nas ribeiras do Jundiaí e aí deixou que a sua âncora se incrustasse no leito do rio, irreversível, inamovível, definitivamente presa, sem direito a alvará de soltura ou possibilidade de habeas corpus, porque o paciente não pretende se libertar. Ao contrário, mais e mais se enreda nas teias da doce e caprichosa prisão patrocinada pela amada.

A diferença entre este macaibense e outros amantes de suas respectivas aldeias é mais visível quando se constata que Valério viveu toda a sua vida na sua cidade. Aqui e ali, permitindo-se a certas licenciosidades com a vizinha Natal, mas fidelizado à sua terra. Conviveu com o seu povo, sentiu o cheiro da cidade, encheu os olhos do seu casario, participou do trivial e do cotidiano, foi bem-amado e mal-amado, sorriu, chorou, foi amamentado e desleitado.

Valério é parte de Macaíba, não um seu destaque, como as ilustres personalidades aldeãs famosas e arribadas que, tal como o pássaro do Baghavad Gita, mergulham e não molham a plumagem. Ao invés, ele se envolve, participa, briga, realiza, pacifica, frustra-se com os pleitos desatendidos, vibra com as realizações. Respira Macaíba. E mergulha por inteiro no Jundiaí, molhando toda a penugem.

Estica as pernas e vai às ruas do Pernambuquinho, do Comércio, Dr. Pedro Velho, da Cruz, do Umarizeiro, do Gango…Abre os braços e recebe a criança apadrinhada, o abraço do esmoler satisfeito, a noiva para entrega ao consorte, o capão para o almoço, a cuia de feijão verde, o abaixo assinado, a carta anônima difamatória, o escapulário, as rezas das novenas, o retrato da padroeira, o caçuá de manga, a cesta de cajus, a “lapada” de cana de um Zé qualquer, muito importante.

Abre os olhos e se depara com o sol mais ensolarado das manhãs nascentes de verão, com os luares sonsos e acolhedores à beira do rio ou sob o abrigo da ponte devassa, a policromia de uma cidade que vive constantemente luminescente fletindo-se sobre a paisagem. Descobre a diferença entre ver e enxergar, num, os olhos fotografam apenas, noutro, as retinas comunicam à memória a necessidade de registro para toda a vida e ao coração, o prazer da beleza.

Macaíba é o seu rosário, o seu lençol de cheiro, a água de beber da quartinha amanhecida, a pátria natural e afetiva, o seu chão, leste e oeste, horizonte e infinito. Ponto de fuga. Sonho e pesadelo. Vá lá! Que seja um lugar comum, mas é verdade verdadeira: seu oxigênio. Tanto que, afastado do cotidiano de Macaíba, o ar fica rarefeito e Valério ressente-se de mil e uma patologias das vias aéreas. Então, embarca no Pax de Augusto ou na luz mística de Auta e sobrevoa a cidade, sobrevindo a cura. Macaíba é seu xarope, bálsamo e vitamina.

E tanto amor não distingue macaibenses e macaibeiros. Alcança os dois, porque o amálgama é o amor à terra. E porque dizem que é melhor amante aquele que fez a opção de filiação do que o que não teve alternativas senão render-se à fatalidade.

Tem apenas duas queixas urbanas recorrentes: a demolição do prédio onde nasceu Auta de Souza, com a inevitável queda do jasmineiro ao pé do qual a doce poeta cantou os seus versos;  e o não ter comprado o casarão onde morou o seu avô e ele próprio, ainda menino.

E um reparo sómente: de um Prefeito que quis mudar o nome do conjunto habitacional que leva o nome do seu pai, num ato revanchista mesquinho e desmotivado. Fato já superado graças às transigências de parte a parte.

Aliás, o benemérito macaibense é mestre na arte da negociação, da conciliação e da transigência. Desde que não lhe pisem o calo de estimação – a sua dignidade pessoal, a sua honra, únicos patrimônios que amealhou vida inteira. Sem esse aceiro, o fogo se espalha e as brasas incendeiam o rastilho da porção Mesquita. Que nem aquela provocação infantil interiorana dos cuspes simbólicos: t´aqui sua mãe e t´aqui a minha. Pisasse na mãe do outro…!

Mas as compensações são maiores que as desfeitas, e ele prefere pensar naquilo que acresce ao seu amor pela terra natal, desprezando o que o afasta, porque Valério tem a mesma estatura moral que a sua envergadura física e a mesma maturação dos cajus veraneados.

Disse, certa vez, que há um tipo de conhecimento que nos credencia a afirmar que somos os melhores do mundo: o nosso dialeto, a nossa aldeia. Ninguém no mundo nos supera nessa ciência. Por isso insisto tanto para que os meus filhos se dediquem à língua brasílica e à história, geografia e geopolítica do nosso país.

Louvado nesse raciocínio, eu posso assegurar que ninguém conhece mais Macaíba que Valério, e por isso ele é a maior autoridade do mundo na Macaibística. Não me cochichem Alecrim, Tavares, ou quem quer que se pretenda ser. O diferencial valeriano é o amor e a vivência. Pensem num amor que se realiza à distância, que preserva o amante dos inconvenientes do dia-a-dia. Amor assim pode eternizar-se, mas não é verdadeiro, não há irmanação. Acaba-se no primeiro mau cheiro. Ama-se mais o que se vê refletido no objeto amado, além das virtudes e das excelências, nunca o negativo que habita todas as coisas. O lado gauche e noir de ser de cada criatura humana.

Valério conhece e vê Macaíba pelo direito e pelo avesso. O aroma e a inhaca. As grandezas e as pequenezas. As graças e as desgraças. Os bons e os maus tempos. O progresso e a decadência. Vive Macaíba como quem vive o seu amor com mulher de virtudes e temperanças medianas, defeitos e deslizes também meãos. Sem alardes, sem ostentação, sem glamour, nem juras ao luar. Ali, no corpo a corpo, no mano a mano, de pés descalços, suado, descabelado, comendo com as mãos os ossos da galinha roubada no sábado de aleluia. Com farofa da graxa dela mesmo.

Picado pelas mesmas muriçocas, alcançado pela falta d´água e de saneamento, sinal ruim da televisão, calor atroz na sessão do cinema desconfortável e sombrio, roupa lavada com anil e batida nas pedras do rio, gole de zinebra com umbu-cajá sentado num impoderável tamborete na casa de mulher-dama.

Ouvir as arrelias e arengas dos populares amigos. Dividir o pão, literalmente, e pagar o caldo de cana no mercado. Pelejar com os amigos da opa. Tirar os pequenos contraventores da cadeia. Ir à feira como cidadão comum, catando os versos dos repentistas e cantadores, experimentando a farinha e o picado, o fubá recém-pilado e a goma fresca para a tapioca e o grude.

Só quem vive esse cotidiano, em tempo real, pode dizer que conhece a sua aldeia, porque o tempo não pára, não estaciona nas memórias, nem nas lembranças fugazes. Há, sim, o tempo virtual das recordações. Esses momentos servem à individualidade, em fuga do inferno ou de retorno ao paraíso, ou ainda, ao intelecto à procura de um tema literário. Mas não marcam com fidelidade de origem, como digital ou pedigree, a fixação epidérmica do amante em relação à sua amada.

Olho Valério e apesar de enxergar nele o facies do pai, Alfredo Mesquita e de alguns outros espectros alheios ou de genéticas ancestralidades, consigo ver também, encorpado nele e ao seu redor, azinhavrado numa simpática algazarra, os “Zés” do seu chão: Zé da Bomba, Zé Jeep, Zé Caíco, Zé Mimoso, Zé Batata, Zé Deca, Zé Buchudo, que bem poderiam ser personagens de outro Zé, o Condé, de uma Caruaru por ele glorificada e imortalizada no “Pensão Riso da Noite”. Os boêmios e os “bocas do inferno”, gente simples, carne com osso e pelanca, no entanto iguarias de primeira, temperadas e cozidas no fogo brando do coração Valeriano.

Vejo nele um gentil-homem, um fidalgo caboclo, sertanejo na sua compreensão mais abrangente, saído do romance armorial de Ariano Suassuna: valente, decidido, decente, justiceiro e perdidamente compromissado com a sua terra.

Se pudesse fazer outra proposição aos ilustres macaibenses, os já encantados e por isso mesmo mais influentes ainda sobre a população descendente deles, seria para que se instituísse um Senado com jurisdição municipal e se criasse apenas um único cargo de Senador, vitalício, que só pudesse ser provido por Valério, extinguindo-se após sua morte.

Ou que Macaíba passasse a se chamar “Valeriana”, outra espécie vegetal (valeriana officinalis), também conhecida como erva-gato, recomendada para acalmar acessos de histerismos, espasmos, epilepsia, convulsões, neuralgias e dores de cabeça persistentes. Calmante para os nervos e estabilizante emocional.

No porte, a Macaibistica acusaria um retraimento da cidade á condição de menor porção vegetal, depois de ter sido promovida de arbusto a árvore. Mas a sua redução teria muito mais valia, como já se verifica, correndo em sua defesa o dito popular assacado nas disputas de brigas de rua: o que passar de mim é podre, ou nos discursos de efeito: são os pequenos frascos que contêm as melhores essências. A terapêutica municipal traria inúmeras vantagens e compensações.

Sobretudo nas refregas e quase carnificinas do período eleitoral. Luta de canibais e de xipófagos, coisa para ser narrada por Homero, o grego, ou pelo americano Stephen King. Fratricídio, parricídio. Traições, infâmia, tresloucamentos.

Melhor, portanto, a convocação para o chá de valeriana.

É este o relato, ao meu modo de também pastorador de lembranças, ou, no melhor dizer de Valério, capataz de lembranças.

Mas a vida continua, mutante como ela só, como por perto filosofou dona Nair, mãe do meu amigo, na altura do seu mais do que centenário. Só não mudou o itinerário sentimental do seu filho, que permanece romeiro devoto da rua da Cruz, quando menos, nos sonhos cotidianos. Os passos sempre o conduzem ao número 39 para reverenciar o imemorial que se cristaliza numa dobra de intemporal dimensão, movido apenas pela lembrança.

È como se recorressemos a uma passagem do livro “O Pássaro Azul” de Maurice Maeterlinck, quando um velho, esclarecendo a surpresa do neto por vê-lo vivo, depois da morte, lhe diz: nós só morremos, de fato, quando somos esquecidos.

PEDRO SIMÕESProfessor de Direito. Escritor. Advogado.