Pesquisa e Texto: Frank Tavares Correia

“VERTENTES (MEMÓRIAS)” – JOÃO MARIA FURTADO 09-06-1904 – 04-04-1997

“Durante cerca de quatro anos trabalhei nessa antiga ‘A República’ e nela tive minha escola prática de jornalismo. Daqueles antigos companheiros de trabalho de imprensa posso recordar Luís Torres (1906-1944), mestre da língua, o talento de Otacílio Alecrim e Edgar Barbosa, a eloqüência com que Rosemiro Robson da Silva desempenhava suas funções. No plano mais elevado: o Dr. Dioclécio Duarte, em suas efêmeras passagens por Natal redigia artigos com muita facilidade e nos encarregava de corrigi-lhes possíveis hiatos gramaticais. Lélio Câmara era a dedicação integral à sua tarefa, voltando à redação até pelas madrugadas para rever a repaginação final. Era para todos bondade e compreensão. Dr. Adauto Câmara figura cheia, moreno simpático era grande amigo de todos e um orientador seguro do nosso trabalho e Dr. Heráclito Vilar, magro em demasia em sua quase esqualidez era mestre do linguajar e se nos parecia como – o que era na realidade – o maior advogado do seu tempo” (João Maria Furtado, “Vertentes”. Rio de Janeiro: Olímpica, 1976, pp. 65-6).

O livro. “Vertentes (Memórias)”, saiu do prelo pela Gráfica e Editora Olímpica, Rio de Janeiro, 1976. Com 475 páginas 35 capítulos numerados em algarismos romanos e desdobrados em 659 parágrafos. Ao final dos capítulos, o Autor coligiu 35 anexos. Na página 07 encontram-se três epigrafes. A primeira de MILOVAN DJILAS, a segunda de ANATOLE FRANCE e por ultimo uma terceira assinada por CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. Das três, escolhemos a de ANATOLE FRANCE, a qual transcrevemos:

“E agora sabia que viver não vale nem tanta inquietação, nem tanta esperança e que não passa, afinal, de uma coisa bem vulgar”. Anatole France – O Livro Vermelho, pág. 22.

Após as epigrafes, João Maria Furtado faz, na página 09, duas dedicatórias. Sendo a primeira aos pais (João Batista Furtado e Doroteia Furtado) e a segunda à esposa (Senhora Jacira Furtado: “a incomparável companheira dos piores e dos melhores dias da minha vida”). A seguir duas outras dedicatórias. Desta feita aos amigos: Lauro Pinto e Helio Galvão.  Por fim, antes de começar as evocações, há ainda dois ditos, sem indicação de autoria:

“Aqui outrora retumbaram os hinos”…

“Basta viver para se ver tudo e seu oposto”…

Sob e epíteto de “Introdução”, Helio Galvão (1916-1981), escreve o prefácio de “Vertentes”. O enredo do livro são as memórias do autor, desde o nascimento (Assim me contaram), até as ultimas atividades em 1963.

Bibliografia do Autor. “Um Escândalo Judiciário”, 1971; “Vertentes”, 2ª Edição, 1989; “Recordações de Jacira”, 1992; .

O Autor. Jornalista, Juiz de Direito, Desembargador, Presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, Advogado, Memorialista, Assessor Jurídico do INCRA, nasceu em 09 de junho de 1904 e faleceu em 04 de abril de 1997.

Credito da fotografia. Acervo do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, e extraída da seguinte publicação: “Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte: Revista comemorativa dos 110 anos”, Natal: Gráfica Santa Maria, 2002, cap. 02: “Memória Fotográfica – O Tribunal de Justiça através do tempo”. Foto: Rodrigues.

Legenda da Fotografia. João Maria Furtado é o 6° da primeira fileira, e o único que está de braços cruzados, flagrante de 01 de julho de 1992, no Salão Nobre do Tribunal de Justiça, por ocasião do Centenário daquela Corte.