Pesquisa e Texto: Frank Tavares Correia

“CONVERSA SOBRE ANATOLE FRANCE (Conferência)”: ANTÔNIO PINTO DE MEDEIROS (1919-1970)

“Muitos alegarão que France foi um contraditório, um confusionista, superficial, fragmentário, paradoxal. Seja.

 

“Muitos alegarão, como admiravelmente o fez, entre nós, snr. (sic) Tristão de Ataíde, um esplêndido paralelo entre M. Bergeret e Gide, sua desordem interior. Seja.

 

“Muitos alegarão que ele aderiu inteiramente ao comunismo russo e até ofertou à casa da revolução soviética 40 mil francos que lhe couberam como detentor do prêmio Nobel de Literatura em 1921. Seja

 

“Muitos alegarão como Maurois, incoerência entre sua teoria e prática da vida, ao colocar Valery em face de M. Teste e Anatole ante Bergeret. Seja.

 

“Muitos farão suas, aquelas palavras de Gabriel D’Anuzio ao lhe ofertar ‘Pisanelle : – ‘Á Anatole France á qui tous les visages de la Verité et l”Erreur sourient pareilament’ Seja.

 

“Não pronunciarei o meu j’Accuse contra esses. Apenas vos aconselho: Entrai em contato com Anatole France. Ele vos ensinará o riso – e a tolerância, raízes da sabedoria da vida.

 

“Não vos esqueçais. Seja este o grande ensinamento. O riso a tolerância.

 

“Com eles soerguereis o mundo.

 

“Mas… cuidado. Não vos esqueçais: o riso e a tolerância” (Antonio Pinto de Medeiros, “Conversa sobre Anatole France” – Conferências no Colégio Estadual –. Natal: Oficinas da Empresa O Diário, 1943, p. 57).

 

A obra. “Conversa sobre Anatole France”, foi uma Palestra proferida por Antônio Pinto de Medeiros (1919-1970) em 17 de julho de 1943, no Atheneu Norte-rio-grandense. Sendo publicada num opúsculo com outras quatro conferencias de autores diferentes sob o título: “Conferências no Colégio Estadual (1ª Serie)”. A edição de “Conferências no Colégio Estadual”, data de do mesmo ano das “Conferências”, 1943, sob o selo das “Oficinas da Empresa Diário Ltda.”. Constam de 105 páginas, com orelhas de Américo de Oliveira Costa e Veríssimo de Melo. Precede as Palestras, um discurso de então Diretor: Alvamar Furtado de Mendoça e Menezes. “Conversa sobre Anatole France”, é a segunda, precedida pela primeira, da lavra de Rivaldo Pinheiro (“Retrato de uma hora de transição”), seguida de uma terceira, assinada por Luiz Maranhão Filho (“Lembrança de Zaratustra”). A última é de autoria de João Wilson Mendes de Melo (“Presença de alguns mortos”). Além da Conferência em comento, publicou Antônio Pinto 03 livros de poesia, a saber: “Um poeta à toa”, 1949; “Rio do vento”, s/data; “Elegia da Rua Quinze”, s/data.

O Autor. Graduado em Direito pela Faculdade de Direito de Recife, professor (tendo lecionado tanto em Natal como em Mossoró latim, português e literatura), poeta, conferencista, contista e ensaísta, jornalista.  Nasceu em Manaus (Amazonas) em 1919, e faleceu no Rio de Janeiro em 1970. Protagonizou episódio celebre em Natal. Depois de eleito para Academia Norte-rio-grandense de Letras, renunciou a imortalidade.

Perfil de Antônio Pinto por Veríssimo de Melo:

“Antônio Pinto foi um moço que teve formação muito diversa da nossa. Andou em seminário, foi obrigado a aprender as declinações latinas tim-tim por tim-tim. Não é admirar, portanto, que ele citasse na língua do Evangelho. Além disso abandonando a vocação sacerdotal, o que é naturalismo, veio com aquela esfomeada curiosidade de ler autores proibidos. Topou com os franceses. Entre os franceses topou com Anatole France. Atitude pelo avesso daquela outra” (Veríssimo de Melo, “Notícia sobre Antônio Pinto de Medeiros”, extraída de “Conferências no Colégio Estadual”, Natal: O Diário, 1943, orelha do livro.

 

Fontes Consultadas. LIMA DUARTE, Constância & PEREIRA DE MACEDO, Diva Cunha. Literatura do Rio Grande do Norte, Lidador, Rio de Janeiro: 2001.

Conferências no Colégio Estadual (1ª Série), Natal: Oficinas da Empresa O Diário Lada, Natal: 1943.

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Crédito da fotografia: fotografia de Antônio Pinto de Medeiros, sem autoria, extraída de: www.enciclopedianordeste.com.br