Públio José – jornalista
(publiojose@gmail.com <mailto:publiojose@garrapropaganda.com.br> )

Houve um tempo muito distante na história da humanidade que governava quem tivesse a espada, a força. Este importante ingrediente do poder reinou absoluto durante vários séculos e ajudou verdadeiros trogloditas a povoar o dia a dia de populações inteiras, e até continentes, com suas excentricidades e truculência. Depois – com a internacionalização, principalmente pelos fenícios, das atividades comerciais mundo afora – passou a dominar o mundo quem tinha o dinheiro. Não foi à toa que Hitler tanto se empenhou em “depenar” os judeus europeus, estigmatizando-os como verdadeiros demônios financeiros perante cultos e letrados – porém “lisos” – alemães, com o intuito de reequipar seus exércitos e se preparar para a guerra. Também não foi à toa que os reis Fernando e Isabel promoveram um dos maiores programas de extermínio de seres humanos que se tem notícia até os dias atuais.

O objetivo? Saquear o bolso alheio para enriquecer ainda mais as tesourarias reais, tendo como pano de fundo a luta contra os “infiéis dalém mar”. Os exemplos, como se vê, são inúmeros no tocante ao ardor com que os governantes, muitas vezes com cofres escassos, tentam unir à sua capacidade bélica os recursos abundantes em bolsos alheios. Com o advento da imprensa, a informação ganhou lugar de destaque na conquista do poder e o “fazer a guerra” revestiu-se de uma logística totalmente diferente. A capacidade de conquistar multidões sem o emprego da força – além de muito mais barato – tomou corpo nas engrenagens governamentais pelas inúmeras vantagens que passou a oferecer. A meta passou a ser a conquista de corações e mentes e os slogans das campanhas de conquista se tornaram tão ou mais eficientes do que propriamente as ferramentas de guerra.

Atualmente, este aparato sofisticou-se mais ainda.

A tal ponto que hoje os países guerreiam meses e meses sem disparar uma bala sequer, tentando, através da mídia, conquistar as simpatias da opinião pública mundial. De uns tempos desses para cá, quase sem ninguém perceber, outro elemento infiltrou-se nesse cenário: a droga. Terrível, assustadora, aparentemente sem dono, buscando não a conquista, mas tão somente a destruição, a droga vem se inserindo, lenta, porém inexoravelmente, nas entranhas das grandes organizações, destruindo vidas, arrasando talentos, inteligências e a capacidade de raciocinar das pessoas. Com poder destruidor muito acima da força bruta, do dinheiro e de qualquer operação persuasiva através da comunicação, a droga está chegando aos altos patamares do poder. Não me refiro ao poder somente do ponto de vista político. Falo dos centros de decisão em geral. Nas empresas, nas grandes corporações industriais, nos meios intelectuais.

Também nos meios acadêmicos, nas instituições militares, na família, nas escolas, nas organizações não governamentais e também nas entranhas do poder oficial. Não quero aqui fazer cobranças a ninguém a respeito de suas responsabilidades profissionais, nem de seus deveres como cidadãos e pais de família. Quero, simplesmente, saber para onde foi a alegria de viver. A capacidade de amar, de construir na vida dos outros, de edificar, de ser verdadeiramente livre. Envolvidos num processo de autodestruição implementado pela droga, para onde irá a vida dos viciados chiques, ricos, famosos, poderosos? Além do mais, detentores de grandes porções de poder, para onde nos levarão? Quantos prejuízos nos causarão, diante de decisões tomadas sob a influência da droga? É… A serpente está pondo seus ovos nas altas esferas. Ovos com alto poder de destruição. Por enquanto ovos. Já imaginou quando ela terminar de parir?