Por Franklin Jorge

[...]

A lberto Manguel escreve sobre Bioy Casares e seu livro mais famoso com o habitual pedantismo que o caracteriza. No entanto, acha-se Manguel um grande escritor, quando a meu ver não passa de um apressado resenhista, esnobe e superficial como qualquer um outro escritor de segunda classe. No caso, um escritor argentino de segunda ordem que aderiu, estrategicamente, à cidadania canadense.

Salva-o Uma história da leitura, trabalho de pesquisador. Porém, como escritor literário, deixa muito a desejar aos leitores mais exigentes. Como alguém que se notabilizou por aquela espécie de erudição -colocada em voga por Borges -, no seu caso uma erudição de internauta, desfruta do status de especialista em generalidades. Revela-se, em tudo, pouco exigente quanto a qualidade da informação com que brinda seus leitores.

Em Os livros e os dias, ao reportar-se aos funerais da escritora Luisa Mercedes Levinson, sua ilustre compatriota, grafa o seu nome equivocadamente – Maria Luisa Levinson – e não o corrige nas edições posteriores, em acintoso desapreço à verdade e aos seus eventuais leitores, como ocorreu na edição brasileira de seu livro que se lê com as mãos nas costas…

Não transparece da leitura dos eu registro que a tenha conhecido ou mesmo tomado conhecimento da contribuição da autora de El Abra e de Sumergidos às letras ibero-americanas. Valorizador do pitoresco, ao referir-se a Maria Luisa Levinson (sic), ressalta que o seu corpo foi coberto com algumas páginas de jornais, para que a posteridade, ao exumar o seu corpo, pudesse identifica-la como uma escritora argentina…

Manguel, para quem não o leu, é o Eduardo Bueno dos argentinos. Um compilador bem sucedido que passa por escritor e erudito, em outras palavras um produto da indústria cultural e da incrível habilidade que tem de servir aos leitores gato por lebre, ao valorizar os simulacros em detrimento dos legítimos criadores literários. No caso do brasileiro, Bueno tem sido confundido com um historiador, quando não passaria de um prosaico compilador versado em generalidades pitorescas que satisfazem à curiosidade de leitores superficiais ou pouco exigentes, que se comprazem no desfrute de uma falsa e espaventosa erudição.