Públio José – jornalista

(publiojose@gmail.com)

Por mais simples e singelo que o significado do termo “salvação” represente

para nós, dificilmente o ser humano comum, e o convertido a Jesus Cristo em

particular, alcançarão a real dimensão do que Deus quer para nós ao nos

brindar com a sua salvação. Comecemos pelo que a palavra representou para

povos antigos. O termo vem do latim “salvare” e “salus”, que significam,

respectivamente, “salvação” e “saúde”. Ou seja, um estágio, digamos assim,

que contempla o homem com o bem-estar espiritual e o conforto físico. Já no

hebraico a raiz da palavra salvação tem uma conotação mais profunda

indicando também “segurança”, proposta segura e concreta de salvação. Todos

estes significados, entretanto, estão longe de alcançar a dimensão plena que

o termo, do ponto de vista de Deus, traduz.

Já no grego o significado de salvação, no original “soteria”, nos abre um

pouco mais o leque sobre o que a palavra representa: cura, recuperação,

redenção, remédio e resgate. Apesar de todos estes significados, o que

significa realmente a salvação de que tanto nos fala a Bíblia? O que

representa a salvação no nosso dia-a-dia? Quem será salvo? E a justificação

existe de fato ou Jesus foi crucificado em vão? Para os povos do Antigo

Testamento – apesar das citações até profundas consignadas em Is. 45.17; Dn.

7.13 e Is. 53 – a salvação estava bastante ligada à discussão sobre

“livramento de alguma coisa” e “livramento para alguma coisa”. O homem,

nesse sentido, estava salvo para se livrar de algum mal, de si mesmo e do

pecado. Para que? Com que objetivo? Os rabinos acreditavam na alma, no pós

vida e nos lugares celestiais.

Para onde certamente seriam encaminhados os que tinham permanecido fiéis aos

conceitos da elevação espiritual, do livramento do pecado, fugindo da

degradação moral e dos castigos que devem afligir aos que teriam de se

submeter ao julgamento divino. Mas a percepção nunca passava disso, nem

nunca tomou os aspectos revelados por Deus ao homem através dos escritos do

Novo Testamento. Baseados nos textos do Novo Testamento, principalmente no

Evangelho Segundo João e nas Epístolas Paulinas, fica estabelecido que

aquilo que o Filho é nisso seremos transformados, pois a nossa condição de

salvos nos garante a qualidade de autênticos filhos de Deus. Em João, fica

bem claro também a respeito da participação do homem na vida necessária e

independente de Deus. Vida necessária tendo por base que a vida de Deus é o

âmago, a essência, a fonte e o sustentáculo de toda expressão de vida.

Ao passo que as outras vidas são não-necessárias, ou seja, podem existir ou

deixar de existir, por ser vida potencialmente perecível. Por outro lado,

Deus tem vida independente através da qual depende somente dele mesmo para

continuar a viver. Portanto, foi esse tipo de vida que Jesus Cristo recebeu

por ocasião da sua encarnação e é essa vida que, através Dele, os remidos,

agora passam a exalar, passam a refletir. Nas epístolas do apóstolo Paulo o

conceito de salvação se aprofunda mais ainda – e por revelação divina, ou

seja, autenticada pelo próprio conhecimento vindo de Deus. Agora, a salvação

envolve nossa transformação segundo a imagem moral de Cristo, da qual

compartilharemos a sua natureza essencial. Toda essa operação se processa

pela presença do Espírito de Deus em nós, que nos amolda segundo a natureza

moral de Cristo.

É essa participação na divindade, aberta a todos os homens que Nele crêem,

que tanta diferença faz do conceito cultivado pelo povo do Velho Testamento.

Mas e o meio pelo qual alcançaremos tamanha graça? Todo o conceito está

expresso através do arrependimento, da fé, da conversão, do perdão, que nos

declara detentores da glorificação e cidadãos do novo mundo. Pela plenitude

de Deus, da qual passamos a fazer parte, concluímos que o processo de

salvação é eterno e infinito. Assim, a salvação, em última análise, consiste

em trazer o infinito ao que é finito, em trazer o que é divino ao que é

humano. Diante de dimensão de tal grandiosidade, passamos a entender que

nesse processo não pode haver fim e que toda eternidade, através do que

Jesus nos assegura, está à nossa disposição, juntamente com uma vida aqui na

terra plena das qualidades de Deus em nós. Já pensou? Aleluia!