Artigo Jurandyr Navarro, Prof. Aposentado da UFRN e Presidente da Academia de Letras Jurídicas do Rio Grande do Norte.

Há muito é propalado, nos espaços intelectuais, ter sido a Cultura, ao longo do tempo, relegada a plano secundário, pelos poderes públicos. Não deixa de ser, tal impressão, uma triste realidade. Os nossos políticos, salvante raríssi¬mas exceções, desprestigiam a manifes¬tação do Belo e as conquistas da Inte¬ligência. Prova irrefutável desta asser¬ção é a irrisória dotação orçamentária destinada aos bens culturais.

Reiterados apelos têm sido for¬mulados pelas diversas instituições, no sentido de minorar esse estado de coisas. A vigente legislação de incen¬tivo à publicação de livros, não aten¬de a contento a clientela dos autores interessados.

Semelhante à Cultura nacional, cujos autores interagem em arquipéla¬gos, nas regiões geográficas, somente se reunindo, fortuitamente, em congres¬sos de números reduzidos, e feiras de livros, igalmente vivem as nossas entidades científicas e literárias, sem con¬trato direto entre si. Essa falta de inter¬cambio propicia a falência de seus projetos programáticos, por não serem auto-suficientes, tornando-as impotentes para reivindicarem o seu direito perante os cír¬culos oficiais de uma sociedade divor-ciada do binômio – igualitária e frater¬na – valorizando, apenas, o poder, o apadriamento dissimulado e o vil metal.

Há algum tempo que vinha germi¬nando, na mente, a idéia da criação, em nosso meio intelectual, de uma Fe¬deração Cultural, qual manto protetor, que abrigasse todas as instituições em funcionamento – Academias, Institu¬tos, Fundações, Conselhos, Museus, Memoriais e de outras designações, existentes no Rio Grande do Norte, re-lacionadas com a cultura em geral.

Uma sociedade, também, de direi¬to privado, porém, de patamar hierar-quicamente superior pela sua natureza jurídica, sem, contudo, tirar a indepen¬dência interna das instituições-membros, a ela filiadas, cujos deveres e responsabilidades cons-tam de seus respectivos estatutos e regimentos in¬ternos, nos moldes como funcionam, ipso facto, as federações classistas, es¬portivas e de outros gêneros.

Trata-se, em suma, de um orga¬nismo centralizador dos interesses su¬periores da Cultura, sendo sua Diretoria composta de integrantes represen¬tantes de todas as entidades culturais, formadoras do seu corpo social.

A oportunidade de exteriorizar a idéia surgiu durante o almoço de con-fraternização dos componentes da Aca¬demia de Letras Jurídicas do Rio Gran¬de do Norte, ocorrido aos vinte e dois de dezembro próximo passado, presti¬giado por cerca de trinta e poucos con¬vidados. Em meio a outros assuntos de alguns circunstantes, como José Au¬gusto Delgado, Diógenes da Cunha Lima, Zélia Madruga, Anísio Marinho, Paulo Macedo, Anna Maria Cascudo, Armando Holanda, Luciano Nóbrega, Ivan Lira, Ribamar de Aguiar, Carlos Gomes, Lúcio Teixeira, Arthunio Maux e Odúlio Botelho, lancei a idéia da cria¬ção da Federação da Cultura, após o belo discurso de Joanilson de Paula Rêgo e antes do lançamento do livro de poesia de Assis Câmara.

A semente foi lançada em terra boa.

Diógenes da Cunha Lima aplau¬diu com o entusiasmo dos colecionadores de feitos memoráveis, tal o animus do conhecido lírico latino, cujo o pensamento, revestido de assas brancas, culminava as constelações.

E todos nós, dirigente e associa¬dos de Institutos, Fundações, Acade¬mias, e demais agremiações congê¬neres, devemos nos contagiar do mesmo entusiasmo sadio em nome da cultura da nossa terra. As cousas no¬bres enriquecem o patrimônio cultu¬ral e histórico da boa gente potiguar, transmitindo seus bens às gerações porvindouras, que se beneficiarão de seus efeitos salutares.

A Federação representará as socie¬dades federadas nos assuntos de alta magnitude, de interesses comuns e mesmo isolados, dependendo de sua importância, junto a autoridades ofi¬ciais e outras. Advoga, outrossim, di¬ficuldades de ordem cul-tural de entidades recém-criadas e de menores portes.

As mãos serão dadas e, dessa união fraterna, de co-irmãs, resultará a força geradora do espírito de luta, confiante e permanente.

A Governadora Rosalba Ciarlini promete criar a Secretaria de Estado da Cultura. Trata-se de um sonho, há muito acalentado, pelos intelectuais da gleba de Miguelinho.

Essa atitude, merecedora de aplau¬sos, recebida qual dádiva do Olimpo, trazendo consigo uma devota do altar de Minerva: – Isaura Amélia Rosado!

A nova Pasta encontrará uma par¬ceira fiel – a Federação da Cultura!

As formosas Graças – Aglaia, Eufrosine e Tália festejarão ao sabor do capitoso vinho, servido pela graciosa Hebe, adornada de reluzente avental, presente dourado por Hefesto,

Diógenes da Cunha Lima reúne, em sua pessoa, os requisitos indispen¬sáveis para ser o Presidente da Fede¬ração das Instituições de Cultura do Rio Grande do Norte. Rico o seu cur¬riculum concernente à área cultural, senão vejamos: Presidente da Funda¬ção José Augusto, Secretário de Esta¬do da Educação e Cultura, Magnífico Rei-tor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Presidente do Con¬selho de Reitores das Universidades Brasileiras, Membro-Nato do Conselho Estadual de Cultura e Presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Le¬tras, dentre outros títulos.

Esqueçam-se rivalidades, dominem-se fraquezas da humana espé¬cie, pois “outro valor mais alto se alevanta”.

Unamo-nos, todos, em nome da Cultura!

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O Jornal de Hoje – Natal 4 de janeiro de 2011