Públio José – jornalista

Está prestes a acontecer a realização de um sonho

longamente acalentado pelo ser humano endinheirado: viajar pelo espaço

sideral e conhecer outros planetas do nosso sistema solar. É nos Estados

Unidos que grandes corporações, com o mesmo espírito de pioneirismo que

caracteriza o povo americano, fazem as primeiras tentativas de tornar as

viagens espaciais algo tão corriqueiro, tão banal quanto o deslocamento

feito, nos finais de semana, para a praia da moda, para o resort preferido

dos famosos, ou para a fazenda de parentes abastados. De início, o objetivo

do homem era chegar à Lua. Pisar o solo lunar, tocar a singularidade do seu

chão, colher emoções e sensações antes nunca vividas. A Lua, cantada em

prosa e verso por românticos e assemelhados, era um dos grandes sonhos de

consumo humano. Hoje é assunto velho, ultrapassado, sonho já devidamente

vencido e arquivado.

O que entrou agora na pauta dos anseios espaciais de

muitos é conhecer Marte, o tal “planeta vermelho”. É para lá, para aquelas

imensidões de espaços inexplorados, que convergem os desejos e palpitações

dos mais intrépidos, dos mais ousados. E a idéia não é apenas de conhecer a

realidade marciana, mas de habitá-la, de promover em sua geografia a fixação

de uma primeira comunidade humana interplanetária. Nesse sentido, empresas

privadas americanas estão apressando o planejamento da empreitada, com

inscrições já abertas para os futuros e afoitos colonizadores. O custo da

passagem é uma loucura: 250 mil dólares, algo próximo dos 450 mil reais.

Mas, em um país onde gente milionária – e cheia de esquisitices – é

encontrada às pencas em todo lugar, o preço até que não soa absurdo; já para

outros povos a quantia soa muito alta, num patamar praticamente

inalcançável.

Com o passar do tempo, os patrocinadores da

alucinante iniciativa esperam torná-la coisa natural, de rotina, além de

mais barata. E no Brasil? Por aqui, logicamente, a mania espacial também vai

prosperar. A pergunta é: quem se habilitará à tamanha aventura? Ou melhor:

quem será destacado a figurar no projeto? Com o preço da passagem

inatingível para quase cem por cento da população, logo um jeitinho vai

surgir para privilegiar os de sempre – com o erário bancando tudo. Aí é a

vez dos políticos. José Sarney, por exemplo, vai querer indicar seus

apaniguados. Ou será que ele mesmo, apesar da idade, se incluirá nessa

emocionante aventura? (Seria bom para o Brasil se Sarney embarcasse para

Marte, mesmo o Tesouro pagando a conta). Outro que também poderá

“enriquecer” a densidade populacional marciana é Paulo Maluf. Certamente,

levando pra lá sua experiência de “tocador de obras”.

Ah! Sarney e Maluf distantes de nós! Aproveitando o

aventureirismo americano e picando a mula para Marte! Já pensou? Além dos

dois, o Brasil, entrando no projeto, se livraria de outros traquineiros da

pesada. A contribuição da direita e da esquerda (não esqueçamos o centro!),

garantiria o sucesso do negócio. Imagine estelionatários, nepotistas,

propineiros, subornadores, fraudadores, sonegadores – a escola nacional da

corrução – indo para Marte. Maravilha! Gente do quilate de Delúbio, Mabel,

Dirceu, Argello, Genoino, Valdomiro, Duda, Renan, Jader, João Paulo, Marcos

Valério, Valdemar, Roberto Jeferson, Roriz, Arruda, Jucá, todos dando forma

e conteúdo à educação, à cultura, à atividade empresarial, política e social

de Marte! Se o planeta vermelho não tinha o que comemorar, passará a ficar

exultante. Assestemos os olhos para Marte! Com tal entourage, o espetáculo

está garantido!