Percurso percorrido entre as praias de Pipa/RN e Canoa Quebrada/CE)

Partimos da pousada Peixe Galo às 08h da manhã do dia 11, quarta-feira. Contratamos um guia para nos conduzir por cima das dunas móveis de Galos/Galinhos, pois o caminho pela estrada normal aumentaria em pelo menos 30 km o nosso percurso. A trilha é de difícil transposição e torna-se necessário a companhia de um guia experiente. O caminho é para quem realmente conhece o local, pois existe o perigo de nos depararmos com enormes barrancos criados pela mobilidade das dunas. De quando em vez nos deparamos com “oásis” e lagoas azuis, perdidos no meio dessas dunas. Um dos nossos companheiros de viajem viu muita semelhança daquele local com os “Lençóis Maranhenses”.

Durante a travessia avistamos ao longe enormes pirâmides de sal que contrastava sua brancura com o amarelo claro das areias das dunas. Nesse percurso, não foi raro ficarmos literalmente a ver somente céu e areia. O caminho nos levou a atravessar grandes áreas de salinas, onde tivemos a oportunidade de passar bem perto das enormes pirâmides de sal. Na região das salinas, a todo instante éramos premiados com a visão lúdica de bandos de maçaricos que alçavam vôos das várzeas cobertas de pirrixiu. Essa pequena ave migratória com média de 25 cm e pesando em torno de 200 gramas, chega a voar até 16.000 km entre os extremos das Américas, em busca de comida e um clima mais ameno para procriar.

A maioria da nossa produção de sal é transportada em barcaças para o proto-ilha que se localiza a 26 km da cidade de Areia Branca e a 14 km da costa. Esse terminal salineiro também denominado porto-ilha, construído pela empresa norte-americana Soros Associates Consulting Engineers, foi inaugurado em 3 de fevereiro de 1970. Nesse terminal os grandes navios cargueiros se abastecem desse nosso “ouro branco” e o distribui por todo o planeta. Os municípios de Macau, Mossoró e Areia Branca são principais produtoras de sal em nosso Estado. Nossa produção anual gira em torno de 5,5 milhões de toneladas, representando 95% da produção nacional, que gera mais de 15 mil empregos. Para se ter uma idéia da importância da atividade salineira em nosso Estado, só em impostos são arrecadados mais de 200 milhões/ano.

Fiquei maravilhado e também envergonhado, pois até esta data, do alto dos meus 60 anos de idade, nascido e criado nesse pedaço de chão do meu Rio Grande do Norte, nunca tinha visto, a beleza das pirâmides de sal nas salinas do município de Areia Branca. Imediatamente me veio à pergunta. Por que nós conhecemos tão pouco do nosso país que é um dos mais belos do mundo? Por que nós nos preocupamos em conhecer o Estado vizinho antes mesmo de conhecermos o nosso? Às vezes conhecemos todos os pobres países da América do Sul e não sabemos praticamente nada do nosso Brasil. Não concordo com a retórica de que nós temos um alto custo para o turismo interno, pois nem sempre foi assim. Não seria mais justo e mais honesto dizer que é simplesmente a vaidade de transpor fronteiras? A eterna bobagem de ser internacional?

Dados recentes mostram que os brasileiros em 2010 gastaram alguns bilhões de reais fazendo turismo somente nos Estados Unidos. Divisas que certamente poderiam estar melhorando nosso turismo interno. Entretanto, reconheço que os nossos governantes ficam a nos dever quando se trará de incentivar o turismo interno, principalmente no nordeste. Vários países pelo mundo vivem quase que exclusivamente da indústria do turismo, porque seus governantes enxergam com mais inteligência e valorizam esse mercado. E assim vamos perdendo divisas e ganhando ignorância sobre nossa pátria.

Finalmente depois de um grande arrodeio chegamos ao porto de Prategy, onde embarcam habitantes e visitantes das praias de Galos e Galinhos, quando chegam pelo continente. Nesse local a Prefeitura mantém um estacionamento para carros das pessoas que atravessam o braço de mar. Deixamos o nosso guia para que retornasse de barco para Galos e prosseguimos viajem.

No caminho para Areia Branca, passamos pelas “Dunas do Rosado” onde a coloração das areias chama a atenção de todo que se aventure por aquela região. As cores das areias nos encantam com seus vários tons entre branco, amarelo, vermelho, chumbo e diversas outras cores que se misturam diante de nossos olhos. Dessas dunas são retiradas as areias que os artesãos utilizam na confecção das famosas “garrafinhas” com paisagem coloridas.

Prosseguimos viajem e passamos pelas cidades de Baixa do Meio, Pendências, Alto do Rodrigues, Carnaubinha e chegamos à praia de Ponta do Mel. Como já eram 14h, fomos para uma barraquinha a beira-mar e acabamos surpreendidos com o “tira gosto” no mínimo inusitado. Foi nos servido peixe com “baião de dois”. Esse fato não me passou despercebido, pois mais uma vez, vimos também na culinária, o sertão misturando-se com o mar, pois o “baião de dois” é um prato genuinamente sertanejo.

Pegamos o asfalto na RN-221 com destino a bela cidade de Areia Branca que fica na foz do rio Mossoró. Seu nome primitivo era Ilha das Maritacacas, depois chamada de Ilha das Areias Brancas e por último, Areia Branca, nome que se consagra até hoje. O povoado surgiu em fevereiro de 1870 e seu fundador foi João Francisco de Borja. Embarcamos nossos veículos em uma balsa e após meia hora de travessia, atracamos no porto da cidade de Grossos. Daí, seguimos para a Cidade-Praia de Tibau do Norte, que tem o litoral conurbado com o de Icapuí já no estado do Ceará.

Já no litoral cearense passamos pelas praias de Manibu, Melancias, Tremembés, Ibicuitaba, Picos, Quitérias, Peroba, Barreiras e chegamos à praia de Redondas pelo alto das falésias. Todas as praias que percorremos dentro do município de Icapuí, foi um verdadeiro deslumbre para os nossos olhos curiosos de visitantes/exploradores daquele belo litoral.

Na praia de Redondas a principal atividade econômica é a pesca de lagosta, e a colônia conta com mais de 150 barcos em plena atividade. Possui também uma boa infra-estrutura de bares e restaurantes com diversas opções de pratos à base de frutos do mar.

Seguimos adiante, pois nossa parada para o almoço seria na vizinha praia de Ponta Grossa. Por indicação de amigos trilheiros, almoçamos na barraca Pantanal, nome por sinal bem sugestivo, visto que a área onde esta localizada é bastante úmida. Um pequeno curso d’água passa a caminho do mar, dividindo em dois a área do restaurante. O local é bastante rústico com palhoças feitas com troncos de carnaúba e coberta com folhas dessa palmeira. O piso é da própria areia da praia. Bastante freqüentada principalmente por trilheiros e bugeiros que se destinam á praia de Canoa Quebrada, 30 km adiante se o percurso for feito pela beira da praia. Se resolver ir pelo asfalto aumenta para 50 km.

(Última parte da viagem na próxima sexta-feira)

ORMUZ BARBALHO SIMONETTI (Presidente do Instituto Norte-Riograndense de Genealogia-INRG, membro do IHGRN e da UBE-RN)

www.ormuzsimonetti@yahoo.com.br