Brasília, 26 de fevereiro de 2011.

Caríssimo Moacir:
Assustaram-me suas palavras, hoje, postadas no blog do seu irmão Carlos Roberto. Afinal, o que se passa com os nossos conterrâneos? Estão adormecidos? Bêbedos de absinto, fascinados diante de sonhos que não vemos? Confesso abertamente o meu medo, a preocupação com o futuro da cidade e o amanhã do Estado. O Rio Grande do Norte não é rico e o ensandecido poder Público articula a própria quebra, que encherá seus filhos de vergonha.
Há muito estou fora do Estado, ainda que, esporadicamente, retorne para reencontrar os amigos que não esquecemos. Ando pelas nossas ruas e perplexo vejo a falência do urbanismo. A Ribeira, dos valentes e inesquecíveis canguleiros, abandonada, a Cidade Alta, que prefiro chamar de Ribeira do Alto, num flagrante processo de decomposição ambiental e o Alecrim, dia após dia, ingressando no túnel do esquecimento.
Afinal, o que se passa com a nossa sociedade, outrora tão ciosa dos deveres e incrivelmente atenta aos problemas? A mídia nativa sedenta de notícias escandalosas, estampando manchetes de oito colunas para registrar crimes e desgraças, está silenciosa e demorando na abordagem corajosa da onírica construção da Arena das dunas, destinada a ser, e você diz bem, um elefante branco. Basta refletir sobre o atual estádio, num passado recente chamado de poema de concreto armado. O descaso administrativo permitiu que seus espaços ociosos não fossem aproveitados com projetos socais para beneficiar determinados setores da comunidade, a exemplo do que foi feito com os CIEPS, no Rio de Janeiro, no Governo Brizola, e à semelhança do Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Iniciativas desse porte certamente facilitariam a injeção de recursos, além dos provenientes dos paupérrimos eventos esportivos que muito pouco ou quase nada ajudam para garantir a boa manutenção da estrutura física, hoje deteriorada e apresentando problemas Não sou especialista no assunto, mas creio que a negligência pode ter provocado danos irreparáveis ou, pelo menos, a custos consideráveis. E agora toquemos um tango argentino diante das promessas mirabolantes. Você falou dos valores olhando o templo tupiniquim do rei Salomão, sonhado pela municipal e pretensiosa rainha de Sabá que não dispõe do ouro de Ofir para fazê-lo. E as obras complementares na infraestrutura da urbe, das maiores como o aeroporto às menores, como o equacionamento de ruas e avenidas para melhorar a circulação de veículos e minorar o trânsito caótico? Que nos digam o valor final dessa gastança.
Arquivei seu comentário o que todos de bom senso deveriam fazer para juntos, amanhã, cobrarmos o preço da irresponsabilidade.
Receba o forte abraço do
Ciro José Tavares.