Públio José – jornalista
(publiojose@gmail.com <mailto:publiojose@garrapropaganda.com.br> )

Hoje é sentido por todos que Natal é um grande
engarrafamento. De norte a sul, de leste a oeste ninguém escapa mais desse
enorme transtorno. Não existe mais horário nem lugar onde não aconteçam
filas e mais filas de carros tentando chegar aos seus destinos. Acabou
aquele tempo em que você, para qualquer área da cidade que se deslocasse,
consumia entre 15 a 20 minutos. Agora, para atingir certos pontos de Natal,
além do desgaste e do stress, é necessário o tempo absurdo de até uma hora
no trânsito, engatando uma primeira e, no máximo, uma segunda marcha, quase
o mesmo tempo que se leva para João Pessoa. Esse fenômeno registra, sem
sombra de dúvidas, que a cidade está crescendo, embora também deixe
consignado que, na mesma proporção do aumento do número de automóveis,
também vai pro beleleu a qualidade de vida do habitante da cidade. Será o
preço do crescimento?

De forma simplista, podemos dizer que sim. Porém,
serão necessários tantos transtornos diários (os do trânsito principalmente)
para Natal adquirir o carimbo de cidade que cresce? Ou poderíamos almejar o
patamar de urbe desenvolvida sem termos que carregar os problemas e
dissabores das chamadas grandes cidades? O certo, entre outras questões, é
que Natal nunca mais foi objeto de obras que adequassem sua estrutura urbana
ao movimento dos novos residentes (e seus carros) que para aqui vieram – e
continuam a chegar. Aliás, faz um tempão que a cidade não é contemplada com
obras viárias que enlargueçam e ampliem suas ruas e avenidas – para dar
solução às demandas decorrentes das altas taxas de crescimento alcançadas
ultimamente. Aí, na inexistência de tais obras, um preço é cobrado. Que
preço? Engarrafamentos, trânsito lento, exasperação… Transtornos, enfim.

E muita confusão e desconforto por toda parte, com
as costumeiras demonstrações de incivilidade, agressividade, impaciência
coletiva, buzinaços, apupos e xingamentos À falta de semáforos e guardas de
trânsito em certos cruzamentos, o motorista e o pedestre respondem com uma
verdadeira avalanche de palavrões e a prática de um sem número de
irregularidades. Entretanto, nesse caos que, lentamente, vai se
estabelecendo na cidade, uma exceção chama a atenção. É o caso do trecho sem
semáforos – e ausentes guardas municipais – no “t” formado pelas ruas
Dionísio Filgueira com Major Afonso Magalhães, próximo à avenida Getúlio
Vargas, no bairro de Petrópolis. É uma área normalmente engarrafada, mas
que, ao contrário do que era de se esperar, não registra entre seus atores
os naturais e constrangedores espetáculos de agressividade e grosseria
normalmente vistas por aí. Estranho, não?

O clima ali é civilizado, sem que alguém ou algum
órgão tenha dado as caras para sinalizar formas e regulamentos a serem
seguidos para o trânsito fluir melhor. Quando o fluxo fecha na Getúlio
Vargas, os motoristas na Dionísio Filgueira param e permitem a passagem de
quem vem pela Afonso Magalhães, numa manobra que facilita as coisas pra todo
mundo e gera um clima de entendimento dificilmente visto. Não deixa de ser
interessante a visualização dos próprios motoristas se monitorando,
permitindo, com isso, a prática de um surpreendente cavalheirismo, além de
uma demonstração bem vinda de educação e bom senso. De admirar, além do
mais, que essa atitude coletiva não tenha um dono, fato que a habilita ainda
mais como exemplo para outras áreas da cidade. Até quando essa situação vai
perdurar ninguém sabe. Ou o fim virá quando aparecerem os tais poderes
constituídos?