No último dia 19, o autor pernambucano Manuel Bandeira, um dos maiores poetas brasileiros, completaria 125 anos. Sua obra, repleta de lirismo, continua causando eterno “alumbramento” em muitos leitores. Ao tornar sublime aquilo que se esconde na simplicidade, nas pequenas coisas corriqueiras da vida, Bandeira fez poesia não só para os cultos, não só para o seu tempo.

Nasceu em 1886, no Recife, mas, ainda na infância, viveu também no Rio de Janeiro e em São Paulo. Aos 18 anos, foi diagnosticado como tuberculoso. A doença abortou seus planos de ser arquiteto, mas fez nascer o poeta.

“A poesia de Bandeira tem início no momento em que sua vida, mal saída da adolescência, se quebra pela manifestação da tuberculose, doença então fatal. O rapaz que só fazia versos por divertimento ou brincadeira, de repente, diante do ócio obrigatório, do sentimento de vazio e tédio, começa a fazê-los por necessidade, por fatalidade, em resposta à circunstância terrível e inevitável”, diz o crítico, Davi Arrigucci Jr.

Bandeira viveu “sempre como que provisoriamente”, à espera da morte – que viria apenas aos 82 anos. Muitos de seus versos refletem, então, essa sensação de melancolia, de “uma vida inteira que poderia ter sido e não foi”. Por outro lado, a urgência e a incerteza fizeram dele um poeta atento às pequenas descobertas da vida, que valorizava a existência cotidiana e todos os seus detalhes.

“Eu faço versos como quem morre”, escreve Bandeira, no poema “Desencanto”. Para ele, “a poesia está em tudo – tanto nos amores quanto nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas”.

Seu primeiro livro, “A cinza das horas”, foi publicado em 1917, sob uma influência tardia dos parnasianos e simbolistas. Dois anos depois, lançou “Carnaval”, fazendo uso do verso livre, que introduziu no Brasil.

Alguns poemas da publicação seguinte, “Ritmo dissoluto” (1924) já trazem versos que seguem a linha do modernismo emergente. Depois, Mário de Andrade o chamaria de “São João Batista do modernismo brasileiro”.

Bandeira foi convidado a participar da Semana de arte moderna de 1922, e, embora não tenha comparecido, deixou um poema seu (Os Sapos) para ser lido no evento. Em “Libertinagem”, os versos de “Poética” viraram uma espécie de símbolo do movimento. Neste mesmo livro, estão ainda outras poesias que são cruciais para entender a obra desse poeta, a exemplo de “Vou-me embora pra Pasárgada” e “Evocação do Recife”.

A família, a morte, o amor, as lembrança