Bartolomeu Correia de Melo

Escritor e Professor Universitário

Se nunca desabafou começando pelo dito: “Se eu fosse autoridade, faria assim-assado…”, esbarre por aqui mesmo nesta leitura. Siga adiante somente se estiver indignado com qualquer coisa troncha contra a qual já esteja cansado de lutar, quase com ganas de xingar e estrebuchar.

Convenha ser irritante quando a gente logo enxerga quanto são desatinados e malpermitidos certos vexames de poderosas mas indevidas providências!… Isso incomoda e subestima nossa inteligência! Ações ineptas – que nem fazem cócegas – contra os males crônicos da educação. Sendo indefeso cidadão, sem condão de deputança nem charme de governança, jamais poderá levar adiante nada além da revolta entalada que nos obriga a esbravejar. (Mas reclame de-com-força, pra atingir de-mesmo as mais inatingíveis autoridades.)

E não me venham receitar ações e pressões da sociedade organizada! Não creio em fantasmas tipo Associação dos Eleitores Traídos nem no Movimento Contra Promessas Recicladas; desencantei-me com ongues e pingue-pongues. Pois nisso, os homens de boa-vontade findam usados por algum canhoto protestador de profissão e suas ôcas palavras de ordem. E mais agora, com a falência comunista e o xabu doutros ismos, muito lambanceiro órfão anda desocupado, farejando alguma nova e suculenta bandeira de luta ou de filho da rima. E ainda chegam me chamando de companheiro… Daí, respondo de bate-pronto, companheiro é mãe!! Sou PROFESSOR, algo muito, muito acima dos tais “trabalhadores em educação”, que não educam, porque apenas “trabalham”, não professam. Cascavilham direitos na sucata dos deveres malcumpridos.

Nem me falem, também, em correção política e outras daquelas baboseiras, (nas quais, um corno trivial vira “terceirizador de serviços conjugais”). Dia desses, até me advertiram pelo emprego da palavra judiação num escrito de minha lavra. Respondi que continuarei usando esse termo, enquanto judiarem com o povo palestino. Politicamente incorreto é propaganda enganosa, professor malacabado e malpago, voto comprado e mensalão recebido!

Pois bem, se aqui me arvoro a escrevinhar essas maltraçadas é porque, pela minha rombuda visão, acho que agora lascou tudo, danou-se o desmantelo! Não dá mais pra segurar; desconjuro de quanta hipocrisia! – Findam, por exemplo, dizendo da Febre Amarela: “Reparando bem, trata-se duma linda cor!” E agora tirou o tampo mesmo, quando, na nova onda de fazer do errado certo, além de rebaixar os critérios do aprendizado, estão esculhambando mesmo. Deus nos acuda da subversão gramatical desses livrim indijente potrejidos pelas otoridade do insino!

Aliás, por via das dúvidas dos leitores justamente escabreados, juro e adianto que nunca serei candidato, nem a síndico de edifício. Não sei rir sem vontade nem abraçar sem querer bem. Se alguém, discordando ou incomodado neste protesto, quiser me rotular com alguma palavra findada em ista, nem ligo. Porém informo que sou apenasmente abecedista; não tão apaixonado, mas sincero xingador de cartolas safados, juízes ladrões e bandeirinhas cupinchas.

Ora, quem hoje anda autoridade educacional (igualzinho a quem andou ontem e antontem e tresantontem…) até parece não ser do ramo, fazendo tudinho assim, que nem meio de oitiva. Porque se fosse coisa planejada seria triste incompetência ou requintada conveniência, pra não dizer palavra mais exata. Pois, nos banhos-marias e quiromancias didático-pedagógicas, quanto projeto gorado, quanta proposta fora de esquadro!… E quanta tese acadêmica confusa se achando complexa… – Ah, onde andará o simples, honesto e eficiente “be-a-bá” das professorinhas normalistas?… Mas, dentre toda essa malcriatividade – que, por vezes, mais semelha turva conivência – nada mais bisonho que os rascunhos arrepiosos que há muito arranham a sina – tão desvalida que já tão descrida – das escolas e colégios de ensino público.

E ainda ficam pedindo paciência a grevista!… Ah, melhor diria de minha repulsa, na veemência dum sonoro palavrão!

Passei a vida avaliando esses pobres estudantes, oriundos dessa chacina de esperanças. Cada ano chegam piores. Não seria mentira dizer que metade dos vestibulandos não se atina na leitura; quando se prova que mais da metade dos candidatos vindos daquilo não se apruma na escrita. Também, pudera! Com a invenção da tal Avaliação Continuada, e outras estultices psico-pseudo-pedagógicas (que ajudam a esconder o lixo debaixo do tapete), aluno que repete reprovação finda aprovado (se não entendeu, faça de conta; é assim que funciona)… Daí vem a triste e limitada escolha dos menos-ruins que, entrando da universidade somente mais-ou-menos, perigam sair (quando saem) pouco ou nada menos-ruins do que chegaram. E ainda aparece quem disso negue a gravidade: “Afinal, os piores deles findam desempregados mesmo…” Morro de vergonha de informar quem afirmou tal canalhice!

Ontem cantávamos igualdade e liberdade como dons de justo e transparente merecer. Alguma coisa honesta que assim ecoava: “De cada um, segundo sua capacidade; para cada um, segundo sua necessidade.” Faz que tempo, esta máxima, vem também sendo descumprida no ensino público. Convenhamos, são tantos necessitados pra tão poucos capacitados… Também faz tempo que tal escola deixou de ser risonha e franca; virou apenas risível e fraca. Ou será que estou ficando velho, com saudades de longes e bons tempos?

Até quando isso será visto como nada assim tão grave que uma boa dose de demagogia não escamoteie?… Seria paranóia temer que tudo faça parte dum processo de contenção da inflação no preço do voto?

Nesse enfim, surge uma estrela salvadora… Num rompante pedagocrático, pronto que inventaram as tais confusas reservas de vagas e os incríveis fatores numéricos de correção de injustiças… E, seguindo avante nessa tendência, indo aos confins de critérios assim tão inusitados, nesse igualitário e libertário e ilimitado amor febril, pergunto, assim, muito de leve – temendo ser acusado de “zelite”:

Como findarão as universidades públicas?… Fornecendo Diplomas de Coitadinho?!

Inda é capaz de me chamarem de aloprado…