Valério Mesquita*

mesquita.valerio@gmail.com

Devagar, como compete aos penitentes, vou soprando minha flauta aos ouvidos das autoridades. Esse prelúdio indefectível diz respeito ao Centro Industrial Avançado – CIA. Continuo sendo o fantasma dos seus mistérios circundantes. Aqui e acolá apareço que nem visagem pedindo e lembrando. Vamos ao assunto. Partindo de Natal a BR-101 vem duplicada e iluminada enrolando a curva no trevo de Parnamirim. Nessa bifurcação a estrada que segue à direita para Macaíba chama-se BR-304. Na sua extensão implanta-se paulatinamente o Centro Industrial Avançado (CIA), obra estadual.

São dez quilômetros do trevo de primeiro mundo de Parnamirim até o trevo mixuruca de Macaíba. Trata-se de um trecho no qual estão sendo investidos milhões de dólares representados nos investimentos de mais de trinta empresas. Somadas, essas indústrias irão oferecer nos próximos anos mais de dez mil empregos diretos. O fluxo, hoje, de veículos, segundo as pesquisas do DNIT já é preocupante. E irá, com certeza, ficar congestionado quando o CIA atingir a plenitude do funcionamento, com o tráfego permanente de coletivos e caminhões pesados. E qual a solução pretendida em  prosa, oração e verso: a  iluminação do canteiro central da BR-304, de trevo a trevo, de pólo a pólo. Semana passada, diretores das fábricas queixavam-se de que, à noite, os ônibus não estavam mais parando para os operários, aumentando o perigo de todos que trabalham ao longo do trecho. Mais aí vem a interrogação irreprimível: a quem compete iluminar a BR-304 nesse trecho? Para ser pontual respondo: o governo do estado, cuja reivindicação já completou dez anos. Mas, acima de tudo, é preciso o impulso, a sensibilidade e a vontade política de alavancar o projeto e buscar a decisão de executá-lo, igual a Rota do Sol que liga Natal a Pirangi.

Gostaria de pedir, como cidadão e eleitor, que o DNIT e o DER informassem algo a respeito. Uma obra dessa importância, com tantos usuários se perguntando a cada dia (o que está acontecendo?) não pode ficar sem justificativas, até mesmo as óbvias. A BR-304 serve de escoamento de quem vem das regiões do Seridó, do oeste do Rio Grande do Norte e do Ceará, bem assim para quem vai ou vem da Paraíba, Pernambuco, além do litoral agreste do estado.  As prefeituras, as câmaras de Parnamirim e Macaíba, os deputados federais e estaduais que representam os dois municípios devem se pronunciar, suscitar questionamentos, como também as associações de classe, setores do comércio e do próprio CIA. Calar é consentir com a inércia e o abandono.

Tenho certeza e confio na nova administração que assumiu os destinos do Rio Grande do Norte que despertará para o problema. Não é tão difícil o enfrentamento. A governadora sempre encarou desafios, embora saiba-se a situação que hoje as finanças públicas atravessam.

Não, não estou sendo visionário apesar de ter falado, no início, em fantasmas. Isso porque, tanto na política quanto na gestão pública, é preciso acreditar no invisível para não incorrer nos equívocos dos que se suicidaram no palpável. Sonhar é necessário até mesmo sozinho porque o sonho é contagiante. Virótico. De trevo a trevo. De pólo a pólo. Uma avenida iluminada de dez quilômetros na BR-304 para salvar os operários e usuários dos assaltos e da morte. E, ainda, incentivar a economia. É um grito, um clamor. Apenasmente. O tempo urge. Que alguém sonhe também esse sonho por mim.

(*) Escritor.