Funcarte busca verba extra para viabilizar o São João 2011 e terminar o ano sem débitos
Sérgio Vilar // sergiovilar.rn@dabr.com.br

D ívidas acumuladas, pendengas processuais, críticas, denúncias e um inferno astral com dois anos e meio de duração. A Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte) cavou um buraco fundo demais para tentar sair até o fim da gestão municipal. A escalada à superfície cabe ao presidente Roberto Lima. Há três meses no cargo, ele confidenciou ao Diário de Natal: “Só agora estou conseguindo respirar”. Mas o ar ainda está carregado. E permanecerá. O orçamento municipal pra cultura até o fim do ano é de apenas R$ 1 milhão.

Natal já iniciou o ano com míseros R$ 12 milhões de orçamento pro setor. Dos R$ 23 milhões de contrapartida municipal para a Copa do Mundo, R$ 4 milhões saíram dos cofres da Funcarte. Um decreto da prefeita Micarla de Sousa de redução de gastos contingenciou 30% do orçamento das secretarias e confiscou mais R$ 2 milhões. Sobraram R$ 6 milhões. R$, 2,5 milhões são referentes a dívidas da gestão anterior, comandada por Rodrigues Neto. Somados aos R$ 2,5 milhões da folha de pagamento e manutenção, sobra apenas R$ 1 milhão.

A Funcarte conseguiu patrocínio de R$ 500 mil junto ao Banco do Brasil para promoção do São João deste ano. Outros R$ 400 mil foram solicitados ao Ministério do Turismo para apoio de infraestrutura. O projeto está em análise. “Buscamos mudar a cultura histórica de problemas processuais da Funcarte. Não queremos mais problemas de empenho de orçamento. E como estamos com redução de despesas, buscamos parcerias para execução dos projetos” disse a coordenadora de Núcleo de Desenvolvimento Social, Cultura e Turismo, Rosy de Sousa.

Roberto Lima garantiu mesmo tratamento para artistas nacionais e locais. “Todos subirão ao palco com empenho feito”. A programação está sendo montada. Dependerá do orçamento conseguido. Dorgival Dantas já foi confirmado. “Buscamos ampliar o São João nas regiões. Faremos um São João menor na Zona Sul, com show de Dorgival Dantas, Banda Sinfônica e duas eliminatórias do Forraço. Um maior na Zona Norte, com a final do Forraço e atrações a confirmar. E ainda um São João na Zona Oeste”.

Afora o R$ 1 milhão disponível à “sobrevivência” (aspas do presidente) da Funcarte até o fim do ano, a verba à cultura também se divide no fomento do Fundo de Incentivo à Cultura (R$ 400 mil destinados a pequenos projetos) e na renúncia fiscal da Lei Djalma Maranhão (R$ 4 milhões, onde menos da metade foi captado pelos artistas em 2010). “Eles precisam divulgar mais as empresas nos projetos. Colocam uma logomarca muito pequena. E as grandes empresas preferem, então, os patrocínios”, comentou Roberto Lima.

Muito
Edição de sábado, 11 de junho de 2011

Inadimplência junto ao MinC barra captação