O Conselho-Plenária de Depto. de História da FFLCH/USP deliberou que uma das salas de aula do Edifício Eurípedes Simões de Paula (onde funciona o curso, na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, São Paulo, SP) receba o nome de NELSON WERNECK SODRÉ, homenageando esse importante historiador brasileiro no ano de seu centenário de nascimento.
A sala será inaugurada durante o Encontro Nacional da ANPUH, no dia 19 de julho de 2011, no horário de 12 às 14 horas (Edifício Eurípedes Simões de Paula, Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, São Paulo, SP). Haverá nessa ocasião um espetáculo (canções e poemas) dedicado ao historiador, em diálogo com temas e problemáticas de sua obra, com o título “Enquanto acontecia”. Esse espetáculo inclui canções de Paulinho da Viola, João Bosco, Chico Buarque, Ismael Silva, Lamartine Babo, Milton Nascimento, Wilson Batista e outros, além de poemas de Cruz e So uza, Gonçalves Dias e José Régio. Haverá também uma participação especial do Cordão Encarnado do Pastoril do Grupo Ô de Casa.
Como todos sabem, Nelson Werneck Sodré escreveu uma obra vasta e importante, dedicada especialmente à História, com desdobramentos em estudos literários, memorialismo, jornalismo e polêmica política. No campo da História, destacam-se especialmente seus estudos sobre Imprensa, Militares e Literatura.
A inauguração de uma sala com o nome desse Historiador no Depto. de História da FFLCH/USP é um desagravo intelectual (quase uma anistia acadêmica!) e garantia de acesso à diferença como objeto de debate, não de censura e maldição. Homenageá-lo não é endossar suas teses. Homenageá-lo é reconhecer sua importância como interlocutor.
Em ditaduras não existem interlocutores, existem dominadores e perseguidos. Seria um insulto à memória de Werneck Sodré entronizá-lo como neo-dominador. É uma atitude dign a de gente comprometida com o diálogo trazê-lo para o cenário principal.
Na extensa obra de Werneck Sodré, muitos gêneros textuais se fazem presente. Há dignidade intelectual profunda (trabalho de erudição, paciência argumentativa) em livros como Razões da Independência e Memórias de um soldado, dentre tantos outros.
Ninguém é obrigado a pensar como ele. Todos nós nos beneficiaremos se pensarmos junto com ele – às vezes apesar dele, até contra ele. Universidade é universo intelectual, convívio entre diferenças, não monopólio do saber por um ou outro.
Essa homenagem tem um significado muito especial para nós, que lemos seus livros e aprendemos com eles, inclusive quando deles discordamos.

Marcos Silva
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