arlos Pompe *

A pergunta foi feita e respondida por Mariana Ushli Poloni, no seu blog Le Pitanga, o texto abaixo, que reproduzo pela exposição simples, coerente e, a meu ver, correta na sua conclusão.

Eis uma grande questão a ser levantada. Muito mais do que uma questão de cor, de classe social, raça, a religião (ou falta dela) mexe com nossa fé. Você não pode impor fé ou crença à alguém. Ninguém pode obrigar outra pessoa a Acreditar, pode-se obrigá-la a dizer que acredita, agir como se acreditasse, mas o seu fundo espiritual nesse aspecto continuaria vazio.

Agnósticos e ateus têm o direito de acreditar, desacreditar ou duvidar da existência de Deus?

Eu honestamente nunca pensei sobre isso e não me recordo de conhecer algum Ateu ou Agnóstico.

Olhando por uma visão não preconceituosa e de respeito a qualquer ser humano, a resposta é simples: sim. Porém, na história do mundo a Igreja perseguiu e matou milhares de pessoas em nome de um Deus que muitos não compartilhavam a mesma fé.

Ateus e agnósticos passaram suas vidas escondidos e calados. Os poucos que tiveram coragem de expressar seus pensamentos e ideias não estão mais vivos.

A influência da Igreja Católica atualmente está longe de ser desprezível, pois um sexto da população mundial é católica.

Há quem diga que os tempos mudaram e que atualmente “não crer” não é mais uma questão levada a ferro e fogo (vida ou morte) pela Igreja. De fato, a Igreja perdeu muito do seu poder. Na antiguidade a Igreja já foi o poder maior dentro da política de uma sociedade e era ela quem ditava regras e julgava o certo e errado. Atualmente a Igreja em (quase) nada interfere na forma de governar um país.

Recentemente ateus e agnósticos decidiram não se calar mais perante as descriminações. Através da ATEA, a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, retomaram seu poder de fala e suas reinvindicações por respeito.

Em setembro de 2010 a ATEA protocolou uma ação contra o José Luiz Datena. Em um de seus programas na Bandeirantes, no mês de agosto, Datena relata a ação de bandidos que entram num sítio, roubam e ainda estupram uma mulher. Em seu relato ele afirma que esses bandidos “não possuem Deus no coração”. Logicamente que membros da ATEA se enquadram nessa frase e nem por isso são criminosos sem escrúpulos. Datena ainda comenta no ar, afirmando “que se lasque quem não acredita em Deus… quem não acredita em Deus geralmente não tem limites…”

A ATEA esta veiculando uma campanha patrocinada por ateus em ônibus de Porto Alegre e Salvador, com cartazes que nos fazem pelo menos pensar.

A ideia da campanha é clara e não tem como objetivo ganhar seguidores e sim encontrar o seu espaço dentro de uma sociedade majoritariamente católica e nesse aspecto preconceituosa. “Ter um lugar à sociedade significa também que nossos pontos de vista têm o mesmo direito de exposição que todos os demais, atentando sempre para críticas em tom civilizado dirigidas às idéias, e não a pessoas.”

Nesse post falo da Igreja Católica, pois essa é minha religião. Eu sou Católica e fui educada a vida inteira em um colégio religioso. Acredito em Deus e em Jesus Cristo, assim como questiono alguns pontos e condeno alguns comportamentos da Igreja. E isso não me faz melhor ou pior que ninguém.

Porém a minha crítica aqui vale para todas as religiões, lembrando que um dos maiores massacres na moral dos EUA, a queda do WTC, foi assinado por muçulmanos.

Admiro a iniciativa da ATEA e como eles compartilho a ideia de que CARÁTER esta desvinculado de religião. Não precisamos de um Deus pra nos dizer o que é moral, o que é certo. É necessário respeitar a opinião, cultura e religião de cada um.

Num planeta globalizado, mas com tantas diferenças de raças, povos, culturas, formas de governar e viver, é imprescindível o conceito de moralidade para mantermos o equilíbrio da sociedade, respeitando o espaço e a individualidade de cada um. Se cada povo precisa de um Deus pra encontrar a moralidade, que assim seja. E se existe pessoas que a encontram de forma totalmente desvinculada a Deuses e religiões, que assim seja também.

O que é inconcebível é não só ser dependente de um Deus ou doutrina para alcançar a civilidade, como usá-los para transgredir os direitos do outro, matando, aprisionando e discriminando.

Em minha opinião um dos cartazes mais emblemáticos da campanha da ATEA carrega a seguinte frase: “Somos todos ateus com os deuses dos outros”.

Então porque condenar aqueles que não acreditam em Deus algum, ou que duvidem da existência e de uma força maior?

* Jornalista e curioso do mundo. – www.vermelho.org.br – 11/7/2011