“Alguns poemas entre muitos”
Sérgio Milliet (1898-1966)
O mar outrora…1
O mar outrora era aventura
e seduzia-me a aventura.
Que me seduz agora?
Agora o mar é um desconsolo,
Até outrora é um desconsolo
se penso nele agora
Para viver tudo era pretexto
outrora. Um riso era pretexto.
Qual o pretexto agora?
Por que se aquieta o coração
de quem viveu do coração?
Por que se aquieta agora?
Veleiro ancorado no Porto.
já teme o mar fora do porto…
Que descansar agora.
Outrora o mar era aventura
Por que tanta amargura agora?
1 Sérgio Milliet, “Alguns poemas ente muitos”, São Paulo: Indústria Gráfica Brasiléia, 1957, p. 35.
O Autor. Poeta, ensaísta, tradutor, crítico de arte, crítico literário,
pintor, jornalista, servidor público, Sérgio Milliet (1898-1966),
nasceu em São Paulo e completou sua formação em Berna. Em
1922, de retorno ao Brasil, integra-se ao movimento da Semana de
Arte Moderna. Não demora muito no Brasil, voltando à Europa
entre 1924-5. Estará no Brasil novamente em 1926, onde
permanece, inclusive, aposentando-se em 1959, ocasião em que é
condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Legião de Honra do
Governo francês.

Bibliografia. Terminus secos e outros cocktails – 1932; Marcha à ré –
1936; Roberto – 1935; Ensaios – 1938; Roteiro do Café – 1938; Pintores e
pintura – 1940; O sal da heresia – 1940; Duas cartas no meu destino –
1941; A marginalidade da pintura moderna – 1942; Pintura quase sempre –
1943; Oh valsa latejante – 1943; Diário crítico (10 v.) – 1944-1959;
Poemas do trigésimo dia – 1950; Panorama da poesia moderna brasileira –
1955; Alguns poemas ente muitos – 1957; Cartas à dançarina – 1959; De
ontem hoje e sempre – 1960; De cães e gatos – 1964; 40 anos de poesia –
1964;
O livro. “Alguns poemas entre muitos”, publicado em 1957, em São
Paulo, provindo das oficinas da Indústria Gráfica Brasileira , e tendo
como conteúdo os seguintes poemas:
Ele dizia…; A flor do cacto; Valsa latejante; Viajante fecha os
olhos…; Este céu; O sol adolescente; Eu sou família; Sou puro;
Ausência; Eu defendi nosso amor; Ó bem da gente; Tristeza; Tu és
quieta; Jamais seremos um…; Solidões…; Saudades; Trecho do
“Poema de trigésimo dia”; O mar outrora…; A vida que desejas;
Dizia um sábio; Fugir em vôo rasteiro; Saudade; A vida é morta; O
quarto; A amputação; O olho; Nada que recorde nada…; Há olhos
vazios…; Primavera italiana; É doce morrer no mar…;
Desencontros…; Amanhã será setembro…; Inverno suíço; As mãos;
Elegia; Quietude; Quebrai os espelhos; Vazio da vida; À glória de
um poeta esquecido; Não irei mesmo em junho; Judeu errante; Para
o céu não me tontei ; Saudade;
Bibliografia:
Enciclopédia de Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Ministério da
Educação e Cultura/Fundação de Assistência ao Estudante, vol. 2,
1990.
MILLIET, Sérgio. Alguns Poemas entre muitos. São Paulo: Indústria
Gráfica Brasileira, 1957.
Crédito da Gravura. Crayon que retrata o poeta Sérgio Milliet é de
autoria de Quirino da Silva (1897-1981), em 1944.