Da Flipipa e outros eventos literários

Por Sérgio Vilar (DN-MUITO-18.11.2011)

 

Em Pipa desde ontem. Acompanhei as mesas e sobretudo a movimentação do público em torno da Pipinha Literária – um pequeno complexo de atividades relacionadas à literatura. Tento diagnosticar o proveito desses eventos literários. Quase todos dispendem grande montante de dinheiro e deixam muito pouco proveito.

Fialho detonou a rasgação de dinheiro da Fliporto. Concordei com os argumentos dele, que organizou há umas semanas um evento com R$ 20 mil reais. A UBE/RN, fez um também recente com R$ 5 mil, só com literatos locais. Cada qual com seu alcance. O do Jovens Escribas apresentou proposta interessante focada no livro. Enfim…

A Flipipa investiu diretamente R$ 100 mil. E conseguiu mais uns R$ 300 mil indiretos, em forma de publicidade, apoios como a biblioteca itinerante do Sesc, etc. É muito? Difícil afirmar. Ou concordar. Quando se vê muitas crianças circulando entre muitos livros, escritores e um ambiente literário contagiante, qual o valor do dinheiro?

É o que tenho visto por aqui, sobretudo nesta terceira edição do evento. Muitos jovens, estudantes e nativos. Claro, para algum fica uma imagem, um incentivo. Também gostei das temáticas levantadas. Perdi a primeira mesa em razão de entrevistas fora da tenda. Pelo que colhi de quem viu, a primeira sobre a obra de Lamartine foi decepcionante.

Assisti metade da segunda, com o português Miguel Sousa Tavares. O tema foi bem desvirtuado. Woden Madruga mediou vários assuntos. E dividiu a plateia que gostaria de se aprofundar no historicismo do livro Equador, e outra que gostou da variedade abordada. Gostaria que ele falasse da mãe, Sophia de Mello Andresen – uma senhora poeta do mar.

A palestra de Arnaldo Antunes foi legal. O esperado. Temia que descambasse muito para o lado musical. Chato mesmo foi o trato dele com a imprensa. Mais uma vez a “estrela” se isolou e não falou com ninguém. Ao contrário de Fernando Morais, que visitou o complexo mesmo antes do dia de sua palestra e cedeu entrevista a meio mundo de gente.

Hoje talvez seja o melhor dia. A primeira mesa traz o debate até manjado em torno das cartas de Cascudo e Mário de Andrade. Vamos ver se sai algo novo. O modernismo de Bandeira traz o crítico Davi Arriguci Jr. O cara é fera. E na terceira, Fernando Morais dá mais uma vez o ar da graça, provocado por Cassiano Arruda.