Tenho sido acuado pelos neo-liberais sob acusações de que o PT e a base do governo inventaram a corrução no país e, com a maior sem cerimônia, apresentam como paradigma da ética e d moral os próceres oposicionistas, velhos tucanos de bicos alongados e famintos.
De repente um jornalista investigativo, daquela espécie dos americanos que denunciaram o escândalo Watergate que custou a cabeça de Nixon, põe a nu o rei da Maracutaia, o impoluto José Serra, que exibia uma roupa feita de tecido indelével que nem o monarca da história infantil de Hans Christian Andersen – aquela em que um espertalhão fingiu tecer um fio tão sutil que ninguém via e que uma criança acabou com a malandragem quando gritou que o rei estava nú.
Amaury Ribeiro Jr., no livro “Privataria tucana”, esgotado nas livrarias com 30 mil exemplares vendidos, expõe a cru toda a história das privatizações do governo FHC, capitaneada pelo então Ministro do Planejamento e paradigma da decência tucana, Zé Serra. O livro não apresenta factóides, nem ingressa na sombria via do jornalismo marrom. Nem acusa sem comprovar como tem sido o hábito de certa imprensa partidarizada. É antes de tudo um dossiê em que os fatos denunciados são devidamente confrontados com documentos autênticos, extraídos de orgãos públicos, declarações e documentos privados, depoimentos, notícias oficiosas e oficiais, etc.
Um mar de lama com milhões de dólares de propinas entre as ondas, cujos náufragos são, exatamente, José Serra, seus familiares e assessores diretos. E a lama respinga também, por conivência ou omissão, sobre a túnica de brancura imaculada do ex-presidente FHC, a vestal “hors-concours” do tucanato tupiniquim.
Que os meus amigos queridos, tenazes inquisidores e detratores da minha crença no país não imaginem que estou alegre ou que comemoro essa tragédia com espírito de revanche ou de vingança. De jeito nenhum. Como patriota, lamento, tanto quanto Jesus, os vendilhões do templo, qualquer que seja a sua posição politica.
Mas, aproveito para reafirmar, ai sim, prazerosamente, que antes de enxergar o argueiro no olho alheio, retire a trava que encobre a sua visão.
Também aprendi que é a relatividade que comanda as conclusões racionais. E que honestidade é obrigação, é atributo inerente à personalidade humana e ao exercício sadio da cidadania – não é qualidade ou virtude, apregoável como diferencial, como fazem certos políticos e agremiações partidárias. Se ninguém questionou sobre tal circunstância, porque projetá-la como se fosse suto-defesa?
Os cães ladram e a caravana passa.
INTÉ.