Manoel Onofre Jr.

Darcy Ribeiro já disse que Oscar Niemeyer é o único brasileiro a ser lembrado, no mundo todo, daqui a mil anos. Desnecessário ressaltar a autoridade, o peso das palavras do mestre Darcy, especialista em brasilidade. Acho que toda pessoa medianamente informada concordará com o famoso escritor e antropólogo. Pode ser que alguém junte ao nome do arquiteto o do compositor e maestro Villa-Lobos. Seria razoável. Mas, o que é fato é que ninguém contesta a enorme importância de Niemeyer.
Com cento e quatro anos de idade, e ainda em atividade, o grande artista das linhas curvas, como é mundialmente reconhecido, contribuiu de modo decisivo para renovação da arquitetura do século XX. Distingue-se sobretudo pelos edifícios públicos que projetou para Brasilia, mas numerosas outras obras de sua autoria espalham-se por diversos países. Quase todas estas edificações, por serem verdadeiras jóias arquitetônicas, são muito bem cuidadas, e não poucas tornaram-se atrações turísticas. Há, no entanto, duas exceções. É triste dizer, caro leitor, mas estas se situam em nossa cidade. Refiro-me ao Parque “D. Nivaldo Monte” com a sua belíssima torre, e o monumento ao presépio, no bairro de Lagoa Nova. Desprezados pelos orgãos ditos competentes, acham-se em lastimável estado de conservação. Dá pena vê-los.
Qualquer outra cidade se orgulharia de contar com obras de arte admiráveis, como essas. Mas, Natal…
Urgem providências por quem de direito. É preciso dar um basta à desídia e à incultura.
Respeitem Niemeyer !
PS:  Fato desconcertante: Não há nenhum presépio no monumento ao presépio. Apenas um painel de Dorian Gray sobre a natividade, aliás, muito bonito (criminosamente depredado).
Podia-se promover, ali, anualmente, por ocasião do Natal, um concurso de presépios. Os melhores seriam expostos em dependências existentes junto ao monumento.

Manoel Onofre Jr.
Escritor,critico literário e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras