Pesquisa feita por Horácio Paiva
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João Soares de Paiva (nascido em 1140) foi um poeta (ou trovador) português e nobre, muitas vezes reconhecido como o primeiro autor literário em língua galego-portuguesa, e, portanto, do próprio Português. Ele morou no norte de Portugal perto das cachoeiras do rio Paiva e também em Aragão, próximo a Monzón, Tudela e Pamplona, perto da fronteira com Navarra. Quando o soberano aragonês foi em Provença e territórios Aragonenses foram invadidos por Sancho VII de Navarra, Paiva escreveu uma cantiga de escárnio intitulada ‘Ora Faz ost’o senhor de Navarra’ atacando o Rei de Navarra por isso.
A datação desta cantiga é problemática, já que o rei de Aragão não é identificado pelo nome. Se for Pedro II, o poema deve ter sido escrito provavelmente entre 1200 e 1204, durante um período de conflito entre Navarra e Aragão, ou em Setembro de 1213, enquanto Pedro II estava no Languedoc, onde morreu na Batalha de Muret. Por outro lado, pode ter sido escrito entre 1214 e 1216, enquanto o pequeno rei Jaime I foi ficar em Monzón. No entanto, as boas relações de Jaime I com Sancho VII tornam provável que o incidente ocorreu no reinado de Pedro II.
“Agora faz isso o senhor de Navarra,
pois em Provença é o rei de Aragão;
não têm medo, nem do seu pico, nem à sua Marra
em Tarazona, nem que está perto;
não têm medo de lhes colocar aríetes
e serão rir muito Inzura e Darren;
mas, se Deus traz o senhor de Monção
estou certo de que lhes destruirá a bacia.

Se o bom Rei lhes arrasa a Escudela,
que de Pamplona ouvistes chamar,
mal ficará o outro em Tudela,
não tem outra coisa de que se preocupar:
pois verá o bom Rei em acampamento
e destruir até o burgo de Estella:
verás sofrer os navarros e ao senhor
que a todos comanda.

Quando o senhor sai de Tudela, lança
ele a sua hoste e todo o seu poder;
bem sofrem aí de sacrifício e de pena,
pois saem para roubos e voltam correndo;
o Rei procura, como perito,
que não amanheça em terra alheia,
e de onde partiu, ele torna a dormir,
o almoço ou então o jantar.”
— Tradução livre da cantiga
Ora faz ost’o senhor de Navarra, João Soares de Paiva
“Ora faz ost’o senhor de Navarra,
pois en Proenç’est’el-Rei d’Aragon;
non lh’an medo de pico nen de marrra
Tarraçona, pero vezinhos son;
nen an medo de lhis poer boçon
e riir-s’an muit’Endurra e Darra;
mais, se Deus traj’o senhor de Monçon
ben mi cuid’eu que a cunca lhis varra.

Se lh’o bon Rei varrê-la escudela
que de Pamplona oístes nomear,
mal ficará aquest’outr’en Todela,
que al non á a que olhos alçar:
ca verrá i o bon Rei sejornar
e destruir atá burgo d’Estela:
e veredes Navarros lazerar
e o senhor que os todos caudela.

Quand’el-Rei sal de Todela, estrëa
ele sa ost’e todo seu poder;
ben sofren i de trabalh’e de pëa,
ca van a furt’e tornan-s’en correr;
guarda-s’el-Rei, comde de bon saber,
que o non filhe a luz en terra alhëa,
e onde sal, i s’ar torn’a jazer
ao jantar ou se on aa cëa.”
— Versão original, em galego-português, da cantiga
Ora faz ost’o senhor de Navarra, João Soares de Paiva
[editar] Referências
• olman, Earl Dennis. “Critical Analysis of a Cantiga d’Escarnho.” Luso-Brazilian Review, Vol. 8, No. 2. (Inverno, 1971), pp. 54–70.
• Pensa-Galiza “Ora faz ost’o senhor de Navarra”

MAIS INFORMAÇÕES DO CANCIONEIRO

?O mais antigo dos trovadores conhecidos dos Cancioneiros é João Soares de Paiva, nascido cerca de 1140, dous anos após a batalha de Ourique, pertencente, portanto, à geração de Sancho I, que também figura como presumível autor de uma das mais antigas cantigas. Isto situa o início da literatura escrita portuguesa conhecida cerca dos começos do séc. XIII. É plausível relegar para depois dos dois trovadores mencionados a discutidíssima Cántiga da Garvaia (manto escarlate), de Paio Soares de Taveirós, que até há pouco se datava entre 1189 e 1198. Rodrigues Lapa aceita 1196 e outros 1213 como data da mais antiga cantiga (de escárnio) de Soares de Paiva. O trovador mais recente é o mencionado conde de Barcelos, falecido em 1354?. António José Saraiva e Óscar Lopes, História da literatura portuguesa (O Porto, 1978).