Reportagem: J. Medeiros e Eduardo Antonio Gosson
RITA LEE JONES já era sucesso nos MUTANTES. Agora, três anos depois de montar o seu grupo, o TUTTI FRUTTI, e de ter gravado dois LPs, e
la é, sem dúvida, a nova vedete de VANGUARDA MUSICAL BRASILEIRA. Rita Lee conversa, ri, faz movimentos e fala de sua música para o jornal EQUIPE.

RITA LEE JONES já era sucesso nos MUTANTES. Agora, três anos depois de montar o seu grupo, o TUTTI FRUTTI, e de ter gravado dois LPs, ela é, sem dúvida, a nova vedete de VANGUARDA MUSICAL BRASILEIRA. Rita Lee conversa, ri, faz movimentos e fala de sua música para o jornal

EQUIPE.
P. Você freqüentou alguma escola de música?
R. Eu não tenho escola, não freqüentei nenhuma escola. A escola que tive foram “OS MUTANTES”, minha doce escola. OS MUTANTES foram  uma escola à parte. De OS MUTANTES que eu tocava só resta o Sérgio; Arnaldo também já saiu.

P. E o TUTTI FRUTTI?

R. O  TUTTI FRUTTI, o meu recente grupo, é bem ao pé da letra TUTTI FRUTTI (todas as frutas), tem vários tipos de cabeças, várias idéias, assim à manhosa, a gente resolveu levar ao pé da letra  este nome. TUTTI FRUTTI andou atravessando etapas, hoje nós temos três anos de TUTTI FRUTTI.  No ano passado eu tocava teclados; este ano entrou o Paulinho, assim estou mais livre, posso dançar e comunicar mais com o público. Eu quero ser sempre nova. Nós estamos fazendo muita coisa nova. O Rock é uma música que não tem definição, não é um movimento, é uma coisa totalmente aberta, não tem fronteiras. Nós estamos  fazendo um Rock brasileiro, porque na realidade somos todos brasileiros.

P. E o seu último LP, Fruto Proibido?

R. Fruto Proibido, o meu último LP, está saindo bem, até lá fora está sendo vendido, também é um pioneirismo de Rock brasileiro. Tem vindo muito gringo para cá, como Rick Wakeman. Esse  pessoal vem aqui, dá uma bicada no que  é nosso.  Tem que haver um intercâmbio, como também o pessoal não pode pegar tudo que é nosso e levar; então eu acho legal numa de trocar com eles. A técnica deles e a cuca da gente.

P. E o seu próximo trabalho?

R. O nosso próximo trabalho a gente já tem: será lançado agora em março. É um trabalho entre um LP e outro. A gente tá criando muito, nosso grupo está bem grande, todos compõem, ficando assim aquela enxurrada de músicas. Agora sai um compacto, só com músicas novas,  depois gravaremos um próximo LP.

P. As suas transações rockeiras são de descendências americanas?

R. Não! Eu não me apeguei ao Rock pelo fato de ser filha de americana, mas porque eu vivo na cidade, e o Rock é coisa bem urbana. O folclore de São Paulo é o metrô, realmente. Lá não tem nada de coisas bucólicas, românticas, nem artesanais.

P. Você retrata em sua música  Rock and Roll, o surgimento do Rock?

R. Não. Eu não vejo mais o Rock anos 50, e sim o presente. Nela eu retratei a estória de  uma mãe preocupada com o envolvimento da filha com um tal de Rock and Roll. Ela acha que Rock e o nome do cara que a filha namora, é uma  estorinha… uma peça… uma operetazinha…

P. Como você vê a Bossa Nova?
R. Como todo os movimentos, trouxe algo de importante para a MPB. As coisas acabam por se definir demais e terminam… se acabando realmente.

P. Você pretende introduzir o folclore nordestino na sua música?

R. Eu pretendo aproveitar tudo! Acho legal as pessoas que já moram aqui, como: Alceu Valença, Fagner, etc. Eles tem mais condições do que eu de introduzir o folclore na sua música.  Eu fico só falando na cidade grande mal e bem, né?

P. Você pensa em levar  algum trabalho do pessoal da terra, como Mirabeus, lá pro sul?

R. Eu quero muito, acho muito legal, no mesmo dia em que cheguei  conheci esse pessoal, poderei fazer muita coisa com eles.

P. Por que  em suas apresentações você prefere lugares grandes, bem maiores que um auditório ou um teatro?

R.  Pelo fato de serem de curta temporada. Nos ginásios dá mais gente, mais cocota e mais loucuras.

P. Atualmente como está  o TUTTI FRUTTI?

R. O TUTTI FRUTTI  atualmente está composto de 7 músicos e 12 internos. Minha empresária sempre foi Mônica Lisboa, que também é grande amiga. O nosso equipamento de som, a maior parte é estrangeira e  também muita coisa nacional. O que  envolve mais o Rock no Brasil é o equipamento que tem de ser importado, nada é facilitado, nem que você tenha carteirinha da Ordem dos Músicos.

P. Qual sua opinião sobre o trabalho de Rick Wakemam?

R. Bem, o gringo é bom … aquele negócio… eu estive batendo um papo com ele, e este ficou surpreso, achou  que o público brasileiro sabe ouvir…

P. E a saída de Lúcia do seu grupo?

R. Bem, a Lucinha fez falta sim, mas foi logo substituída  por outro baterista. A transação da POP que Lúcia  não teria feito falta ao TUTTI FRUTTI foi tudo cascata… coisa de imprensazinha marron, a gente vai retificar e acaba passando por ridículo.
(In Jornal Equipe, ano I, nº 2 – abril/1976, págs. 4 e 5)