Bené Chaves

Tive minha primeira namorada aos quinze anos. Uma bela pré-adolescente, acho que ainda na floridade, no máximo catorze primaveras.  Estaria desabrochando como uma pétala. Mas, uma moça perfeita, de precoce crescimento. Era de se admirar que ela tivesse tal estatura.

                   Logo me encantei, eu bobo ainda, numa idade fogosa e necessitada de desejos próprios ao período juvenil. Não me lembro onde a conheci, porém tenho certeza que foi um dos dias mais felizes da almejada época. Uma cegueira incompleta para a jovem visão de um menino ávido por um relacionamento seja lá o que fosse. Seria uma oportunidade de ouro.

Alba era o seu nome. Um nome doce, delicado, apaixonante. Dotada de um belo corpo em formação, seus olhos verdes faziam a diferença. Resplandecendo de um modo expressivo e mágico, também se assoberbava do poder de tê-los.

                 Os seus seios, então, nem se falam: surgiam tímidos, arredondados e voluptuosos. E quão desejosos! O quadril, ah, tinha a primorosa forma de um violão, desses novinhos em folha, saído da fábrica. E delineava-se no simultaneamente anexo.

                 Descendo um pouco, via-se um lindo umbigo afeiçoado na pequena e bem-feita circunferência. Mais abaixo, a vagina… Ah, que vulva! Em crescimento, é verdade, porém denotando as partes sensíveis e esboçadas.

                 Surgindo já com pequenos pêlos de um marrom escuro, a pequena região triangular se mostrava jovial, pouco intumescida, mas apetitosa. Poder-se-ia dizer que estava se recheando, saborosa e delicada em sua fase de mutação.

Assim no início imaginava Alba, lógico, pois ainda não conhecia suas partes íntimas. Apenas sonhava vendo o formato do corpo que se punha à minha presença. Afora os olhos esverdeados, evidentemente. Tudo seria uma vontade surgida de um menino (no singular ou plural) em estado latente, embora as moças da época fossem reservadas o suficiente para um ato libidinoso.

                  E era assim. Quando muito, se podia pegar nas suaves mãos. (E como eram suaves as mãos de Alba!). Aquilo já deixava os rapazes eriçados, inclusive comigo e minha primeira morena namorada. E diante de tantas indefinições do período mesmo, elas se mantinham em um posicionamento de retaguarda.

                Às vezes alguém mais afoito queria avançar o sinal, mas não saberia ao certo qual reação viria do lado oposto. E ela, Alba, parecia não fugir à regra. Parecia…
Como outras tantas que cresciam para uma maturidade ambígua.

                 Eita mundozinho ficando sem-vergonha, mal-amanhado! Capaz de numa cusparada enorme arreganhar todas as suas entranhas, seus nocivos e incubados desejos. Aí vocês vão ver, com certeza irão presenciar, apreciar e atestar. Ou desapreciar… Ou desatestar…