A situação difícil e incerta desses dias. Bloqueio por todos os cantos da vida. Vida valendo nada, noves fora: zero. Pois bem, façamos doidices enquanto é tempo. Sejamos pornográficos, docemente pornográfico como quer o Poeta. Inventemos coisas que de costume não são ditas e jamais escritas. Por exemplo: fulano suicidou o vizinho. O navio dizia boa-tarde com muitas bandeiras. Oh, como estavam deliciosos aqueles abacaxis, com gosto de laranja cravo! Um médico que era uma flor de acadêmico de medicina. E aquele lago, sim aquele lago gorgolejava na pia da catedral. Mas, em compensação, minha distinta Senhora, seus suspensórios vão muito bem com as suas ceroulas…

Depois, à tarde em plena meia-noite pôs-se a solfejar no galho da roseira, esta cheia de botões de rouxinóis amarelos! Valia a pena ouvir o bom cura dizer, quase no fim da missa cantada: “ Bebam coca—cola, meus amados irmãos!” Ou então o sábio farmacêutico, gaguejando be…be…bebam mais ma…mais o que? É que ele gaguejava tanto tanto mesmo, que chega esquecia o remédio que devia mandar beber…E encerrando essas lúcidas loucuras, o jornalista conversava com o redator pelo telefone: “ Deu a manchete sobre Cuba?” E o outro, completamente por fora, “ que Cuba?” “ Ora, Cuba”, respondia o outro. E o segundo: “ você ta doido”. O outro: “ Não”. E levaram a manhã toda nessa disputa, mesmo no instante em que os russos vinham de encontro ao bloqueio… O resto, bem, o resto, esperamos para depois, se é que há ainda depois. Adeus e danem-se!