Por Eduardo Gosson (*)

                 “Mais digno de ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas; e a graça é melhor do que a riqueza e o ouro”. (Provérbios, 22- 01)

José Gosson, o quinto passageiro  da Nau da Eternidade,  nasceu em 23 de Dezembro de 1929 em Maranguape/CE, filho de Antonio José Gosson e Sofia Hamaney Gosson . Antes de ingressar na Magistratura   foi cabo do Exército,jogador de Volei (segundo Jurandyr Navarro o melhor levantador do  Nordeste , apesar da sua baixa estatura), professor de História do Atheneu, Adjunto de Promotor.

Amigo do Governador Sylvio Pizza Pedrosa, este mandava o seu motorista particular ir buscá-lo para jogarem esse saudável esporte.

Ao ingressar, mediante Concurso Publico, na Magistratura do Rio Grande do Norte no longínquo ano de 1961, foi designado para a Comarca de São Miguel, no Alto Oeste Potiguar. Depois, foi removido para a Comarca de São Gonçalo/RN , sendo o 1º  Juiz desta Comarca. Removido para Natal, foi para a Vara Criminal e, logo em seguida, para a segunda vara Cível, permanecendo por dezoito anos até ser promovido ao cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça do RN. Sobre a sua remoção para Natal/RN, deve-se ao amigo e escritor Jurandyr Navarro, que à época era o Secretário – Chefe da Casa Cível, no governo do Monsenhor Walfredo Gurgel (pelas regras, o Tribunal enviava uma lista tríplice e o Governador escolhia. Ao despachar com seu auxiliar, perguntara:

Governador:  “-Jurandyr, quem eu  nomeio nesta lista?”

Secretário: “—José Gosson, que é meu amigo”.

José Gosson humildemente conseguiu ultrapassar nomes fortes da magistratura. Portador de uma serenidade e tranqüilidade, o poeta e advogado trabalhista Gilberto Avelino dedicou-lhe um poema A Garça. Era adepto de que uma Conciliação era melhor que uma briga judicial (hoje, quando se fala tanto em Mutirão da Conciliação), é bom lembrá-lo como um Precursor.

Quando foi promovido ao cargo de desembargador, levou como assessor o Dr. Agamenon Fernandes, um magistrado aposentado conhecido pela sua eficiência.  Certa vez viajando para fazer correição nas comarcas, o Dr. Agamenon Fernandes perguntou-lhe: “- José Gosson, o amigo gostaria de morar naquela fazenda?”

Resposta na ponta da língua: “— prefiro um cantinho lá na penitenciária  João Chaves”. Era um cidadão totalmente urbano. Detestava a vida rural. Foi Corregedor, Vice-Presidente do TJ e membro do Conselho da Magistratura. Foi Corregedor, Vice-Presidente e Presidente do Tribunal Regional Eleitoral – TRE. Aposentou-se do cargo de desembargador  em Dezembro de 1999. Casou-se duas vezes, teve três filhas e cinco netos. Faleceu em 22 de Outubro de 2011, aos 82 anos de idade, vítima da diabetes.

(*) Preside a União Brasileira de Escritores – UBE/RN