Por Eduardo Gosson (*)

Meu filho fausto

Porque em vida

Foste puro, justo e bom

Deus,  na hora extrema,

Resgatou-te das trevas

 

Sim, meu filho

Quero  dormir eternamente

Junto de ti

Porque agora dormes

Com Deus.

 

Os filhos  vem ao mundo para enterrar os pais e não os pais enterrarem os  filhos. É a ordem natural das coisas.  Entretanto, fui surpreendido: dia 27 de maio de 2012  quando enterrei o meu  filho FAUSTO chamado na intimidade  de “fafau”.

Adverte o Poeta Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola, após o fim do colonialismo, que  “não basta que seja justa a nossa causa/é preciso que a beleza e a justiça existam dentro de nós”. E  Fausto era puro, justo e bom. Demonstrou nos seus breves 28 anos de vida. Era gêmeo com Thiago. Filho com  a minha primeira esposa a médica pediatra Maria Gorette Fernandes de Melo . Alguns atos a seguir relatados provam à afirmativa:

1º ATO -  muito apegado ao irmão Thiago. Qualquer hora do dia ou da noite acordava-o para oferecer comida.

2º ATO -  quando o irmão demorava a chegar da Faculdade, ligava para todas as pessoas que conhecia tentando localizá-lo.

3º  ATO – filho amoroso, ligava pelo menos três vezes ao dia para mim. Muita vezes,  ligava às 22h para dizer: “- papai, estou te ligando só para ouvir a tua voz”. Guardava 02 exemplares dos livros que escrevi  no seu quarto e mostrava a todos que iam  visitar-lhe. Tinha orgulho de mim.

4º ATO – ligava diariamente para as filhas Hulimase Maria e Maria Eduarda que moram no interior. Sofria por não tê-las perto. Tinha consciência da impossibilidade por causa  da sua DEPENDÊNCIA QUÍMICA.

5º ATO -  Muitas vezes ficava sem comer porque dava todo o seu  almoço aos mendigos. Seu cristianismo era dos primeiros tempos.

Escrevo essas linhas  para compartilhar  com os meus poucos leitores a saudade  que sinto do meu filho Fausto.Afirma Chico Buarque: “a saudade é o pior  tormento/ É pior do que o esquecimento/a saudade é arrumar  o  quarto do filho que já morreu”.

Maior choque que sofri na vida, eu não sabia que doía tanto!

(*) Presidente da União Brasileira de Escritores  – UBE/RN