quarta-feira, 6 de junho de 2012

CARLOS MORAIS DOS SANTOS ESCREVE CARTA-POEMA “AS MAIORES DORES DA VIDA – “As que não se sabiam que doiam tanto”, E OUTROS POEMAS DEDICADOS AO QUERIDO AMIGO-IRMÃO, POETA EDUARDO GOSSON, Presidente da U.B.E.-RN-Brasil E A SEU RECÉM FALECIDO FILHO FAUSTO GOSSON.

 

Carlos Morais dos Santos (*)
Desde que o nosso Querido Amigo Eduardo Gosson nos vinha enviando, carinhosamente, emails nos dando conta desde o primeiro momento, da situação de hospitalização em estado grave do seu querido filho Fausto Gosson, que nós, eu e Selma, daqui de Lisboa, embora muito chocados, pesarosos, emocionados e preocupados, fomos sempre enviano mensagems por email a Eduardo Gosson, tentando lhe dar o nosso pesar e a nossa solidariedade, mas acreditando que Fausto, com o grande empenho e apoio amoroso de seu pai, irmão, e de toda a família, e com a Cadeia de Solidariedade dos amigos como nós, transmitindo fé e energias positivas, haveria Fausto de vencer a luta. E esta correspondência fomos mantendo delicadametnte no anonimato respeitoso pela situação grave e pelos sentimentos fortes que íamos avolumando.
Até ao dia mais duro da notícia que abalou até ao fundo da nossa alma e desmoronou as nossas esperanças. Selma, tentava, até então, transmitir-me força e confiança, protegendo-me, preocupada, também, que as fortes emoções que estavamos vivendo não fossem abalar perigosamente o meu estado de convalescência de recente situação delicada de minha saúde, que me compelia, por exigência médica, a dever estar quase ausente do computador e do meu diário labor de escrita e de edição dos blogues.
Ficámos por isso muito tristes, desgotosos e em choque emocional profundo, ao recebermos o email que nos enviou o nosso querido amigo Eduardo Gosson, com a notícia do In-Fausto falecimento de seu amado filho Fausto Gosson. Mas o exemplo de grande coragem e tenacidade que Eduardo Gosson, mais uma vez, exemplarmente nos inspira, com o manter firme e inabalavelmente a sua já sofrida série de escrita de crónicas sobre todas as suas grandes perdas recentes de familiares, mas desta vez tratava-se da grande força de sulimação de escrever sobre a perda de seu filho, em cima mesmo do acontecimento.
Agora, o título genérico aplicado às suas 9 crónicas anteriores – “EU NÃO SABIA QUE DOÍA TANTO” – ganhava uma dimensão transcendental, homérica mesmo, porque trava-se já de como a força interior de um grande homem de coragem, com tanto de imensa firmesa como tem de capacidade de amar, sofrer, resistir, ir em frente até face ao devastador tsunami, que é a perda de uma amado filho jovem. Agora, ali estava Eduardo Gosson, de pé, erguido de uma morte emocional, daquelas que “não se sabe como é possível sobreviver sem queda e síncope”, pesando já de antes, como pesavam tantas e grandes dores que doeram tanto ou mais do que “não sabia que doía tanto”.!
Estes são os comportamentos e gestos da imensa força do caráter e do amor, são exemplos que no plano faniliar, como no plano das amizades fortes com os amigos, se agigantam para amarrar com fortes laços e nós bem apertados de afetos, toda essa rede de …”nós e laços entrelaçados…” (Os Nós e os Laços, do Livro Sossego Intranquilo, Ed.Hugin, Lisboa, CMS que fazem uma Cadeia de União de Humanismo Fraternal ganhar uma resistência a todas as erosões e porcelas que a vida reserva para nos abalar e por à prova, às vezes com grande violência, mas que se vencem porque há nessa trama de afetos e amores fortes, pessoas como Eduardo Gosson que são daqueles raros mencionados por Camões nos Lusíadas, …Aqueles que, por feitos valorosos, se vão da Lei da Morte Libertando”…
OS NÓS E OS LAÇOS
Se os Nós que nos ligam
São fortes Laços,
Que os sentimentos digam
Se são abraços !
Se são abraços com fervor
E Nós para durar,
Então são Laços de amor,
Não são Nós para desatar !
Se os Laços ficarem lassos /
E os Nós alassar, / São Nós e Laços, fracassos, / São ligações a findar ! /
Há complicados Laços /Que queremos desmanchar, / Não são Laços, são embaraços,
São Nós cegos, de atormentar ! /Só Nós e Laços bem ligados /Fazem na vida a ligação / Dos afectos entrelaçados / E dos Nós de amor em comunhão !
Mas só há vida bem vivida / Com Nós e Laços a emendar, / Porque a uma vida não sofrida / Faltam Nós e Laços para a enfeitar ! (Carlos Morais dos Santos)
E foi esse exemplo de esforço guerreiro de sublimação máxima, que eu vi publicamente assumida no mesmo dia, ao constatar a postagem que, com o mesmo teor e conteúdo, a poetisa e confreira Lúcia Helena Pereira, publicou no Blog da UBE-RN, certamente consentida por Eduardo Gosson, que me levou a sair do recato da correspondência privada, para ali, no Blog da UBE-RN, eu publicar, no mesmo dia do comunicado, como “comentário”, um simples mas muito sentido poema que a exemplar coragem do nosso querido amigo Eduardo Gosson me inspirou de imediato e que escrevi logo que vi o Blog, de olhos molhados, pingando sobre o teclado, gotas de emoção, de amor afetuoso e compadecimento, gotas de solidariedade muito forte e sentida. Poema que eu conferi que havia ficado publicado e que, agora, estranhamente, talvez por qualquer razão técnica, constato que desapareceu do Blog da UBE-RN, que, entretanto, fechou para obras!.
É de pessoas assim que este nosso mundo psicopático (como diria Alexis Carrel, no “Homem esse desconhecido”) precisaria em maior número, para ser mais habitável, e é de pessoas assim que eu tenho, desde muito cedo, procurado encontrar (como me aconselhou meu pai), para com essas pessoas partilharmos identificações e comungarmos valores comuns e, com isso, irmos acumulando o maior, mais valioso e sempre cada vez mais valorizável “Património de Afetos com Pessoas humanamente valiosas”, esse património que é a maior de todas as fortunas, que resiste a todas as crises, à erosão do tempo, da distância e da ausência e, ainda assim, continua a valorizar
Eduardo Gosson, tinha inspirado com o seu exemplo de homem, pai e grande poeta, que é capaz de, mesmo na hora em que devolve à terra o filho querido e o recomenda para a “Grande Viagem”, pelo seu belíssimo “Infinito Azul”, a caminho da purificação e redenção, lá para o “Oriente Eterno” onde nasce um “Enorme Sol” mesmo por cima do topo daquela montanha, que só se atinte caminhando e subindo as ladeiras pedegrosas onde os pés nus hão-de pisar as pedras do caminho por esses caminhos que só se descobrem e alcançam caminhando, como dizia o grande poeta sevilhano, um de meus mestres – António Machado, que mais à frente refirirei, noutro texto: …”caminante no hay camino, el camino se hace al andar…”
“Viagem pelo Infinito Azul” até onde nasce
o “SOL, do Oriente Eterno e Distante”
Eduardo Gosson, mais uma vez nos espanta de admiração pela sua força de viver e de aguentar com firmeza as maiores porcelas, as mais devastadoras que se possa imaginar, quando nos escancara o seu o seu enorme coraçao rasgado, aberto, sangrando, apesar de estar a suportar uma dor imensa, indiscritível, que paralisaria qualquer um, e tal como fez em outras recentes perdas de familiares próximos, ainda teve forças e corajem para juntar ao seu comunicado um sublime e dolorido poema de amor a seu filho junto com um texto dedicado a ele, em que nos oferece o retrato de um filho vítima das assassinas drogas, que tinham feito tombar um jovem de 28 anos, admirável no seu bondoso e belo carácter de grande solidariedade e amor ao pai, ao irmão gêmeo, a todoa a família, a toda a gente, privando-se, as vezes, da sua comida para a oferecer a pobres que encontrava.
É por demais evidente a forma altruísta em que Eduardo Gosson está na vida, dando de si o melhor aos outros, com amor, enfrentando tudo corajosamente e sem desfalecimentos, mesmo quando as intensas dores poderiam paralisar qualquer um.
AS MAIORES DORES DA VIDA
“As que não se sabiam que doiam tanto”
Carta ao querido Amigo-Irmão, Poeta Eduardo Gosson,
Presidente da U.B.E.-RN, Brasil
Por Carlos Morais dos Santos
As mais dolorosas dores, as que nos vão matando em vida,
Silenciosas, inimaginaveis na sua profundidade e dimensão,
as que não têm cura, nem medicina, nem tempo ou medida,
as que ficam, como facas, cravadas na nossa alma e coração,
são dores dos insubstituíveis amores irremediáveis, perdidos,
dores que gritam alto sem eco, inaudíveis no espaço e tempo,
dores que despedaçam a vã lógica da vida, todos seus sentidos,
que só se curam no “infinito azul”, Encontro Divino sem Templo!
Aí, descobrirás a renovação da vida à sombra de Acácias e Cedros:
Teu Deus, querido poeta meu irmão, lá te espera, braços estendidos,
fará contigo a Cadeia de União que cura todas as dores e medos,
num abraço reunirá pais, filhos, irmaõs, amados, todos os amigos.
Enfim, se revelarão os sentidos e segredos da vida e de todas as Verdades:
Que não há morte e só eterna paz no Ciclo da Vida, sempre em Renovação,
E que as maiores dores, as que doeram mais e se suavizaram em saudades,
foram pedras no caminho pedegroso e íngreme de quem viveu com-paixão!
E se perguntares: “então, os outros, que viveram sem buscar essas verdades”?
A Resposta Divina, talvez seja: “Não existem mais, foram poeira da escuridão,
perderam-se em buracos negros, não ganharam espaço no universo em expanção,
gastaram o tempo de vida quântica, sem luz própria. Vieram e foram escuridão!
“Toda a saudade é um cais de pedra”!, disse o génio de Pessoa, uma das Verdades,
sobre as pedras que o Bom Caminheiro, como tu, encontram na quântica imensidão,
caminho de amor-como falava Machado:..”que se hace al andar”- que deixa saudades
do Querido e Amado filho in-Fausto. Sei que Sublimarás no Bom Tiago seu Gêmeo-Irmão!
Lisboa, 05.06,2012
Carlos Morais dos Santos
(com amor de Carlos e Selma)
Eis, o que dizia Eça de Queiroz no subtítulo da “Relíquia”
…”sobre a nudez forte da verdade – o manto diáfano da fantasia”.
Mas Eduardo Gosson logo se afirma como esse forte cedro do Líbano, que mesmo muito dorido, não desfalece em resgatar a memória dos que muito amou e se foram lá para o Oriente Eterno, onde nasce o glorioso sol. Diz Eduado Gosson:
“…Passarei a falar sobre cada um deles porque é preciso sarar o luto, enterrar os mortos e evitar o esquecimento.”
Eduardo Gosson é destes caminheiros poeta de fibra de peregrino que enfrenta todos os obstáculos e mesmo de sandálias quebradas, pés esfacelados, peito aberto, rasgado, sangrando, mostrando todas as feridas, persiste em continuar a subir a montanha, por caminhos cheios daquelas pedras que o ferem, mas que encara essas pedras como suas amigas, companheiras ele sabe que tem de atingir o topo da montanha, para de lá, mais perto do Oriente Eterno de onde vem aquele sol esplendoroso, ele pode preparar-se para o Rencontro com os seus amados. Não poetas grandes que não tenham sofrido muito! A poesia autêntica, pura, limpa e límpida, é a que resulta do sofrimento. É aí também que Eduardo encontra o Verbo que se faz Logos. Enfim lá do alto da Montanha Sagrada, ela já não grita, ele laança ao vento que lhe sopra nas feridas e segue, palavras-Verbo-Logos, que já vão ao encontro do filho amado. Fausto vai receber essas palavras e vai ficar, sereno, sem sorimento, seu rosto bonito exprime a sua grande doçura e bondade, está iluminado por auele Sol tão perto, envolvido por aquele “Infinito Azul ” de que ouvira seu pai cantar, estava no lugar bom que havia sido reservado para ele viver em paz eterna e sorria porque já sentia que seu pai estaria no alto da montanha e saberia o caminho para o reencontrar, porque ele, Fausto ouvira o canto (que tanto apreciava) que seu pai lhe enviara:
Sim, meu filho
Quero dormir eternamente
Junto de ti
Porque agora dormes
Com Deus.
CAMINHANDO CAMINHADA
Subi uma montanha íngreme e penosa,
Desci a pequenos vales pouco verdes e estreitos,
Colhi algumas flores, mas nem sequer uma rosa !
Encontrei, enfim, rios de correntes, contrafeitos
No longo caminho descobri uma vereda
Que me levou a uma clareira com alguma luz,
Dessedentei-me em água clara mas…algo azeda
Senti, depois, o frio interior que a solidão induz
Quero o sol amigo para caminhar com claridade
Por entre escolhos, talvez, mas sabendo o norte,
Mergulhar meu corpo e alma em águas de liberdade
descansar à sombra de Cedros que encontrei,por sorte
E como já declinando vou em meu caminhar a diluir
Eu espero por brancas flores, lançadas ao vento norte
no movimento perpétuo das vagas do mar sul a ir e vir
ou ficar no berço de “infinito azul”, onde não há morte
Morte, quando há, é passagem em suave vaga de mar
que me levará à praia em Lua cheia e voltar a caminhar
Como dizia o poeta O’Neill: “Há Mar e Mar Há ir e Voltar”
a caminhada até ao topo da montanha do sol a brilhar
como disse o poeta de Sevilla: Machado, sobre o caminhar:
…Al andar se hace camino / y al volver la vista atrás
…se ve la senda que nunca / se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino / sino estelas en la mar…
Cuando el poeta es un peregrino /cuando..no… sirve rezar.
“Caminante no hay camino,/ se hace camino al andar…”
…golpe a golpe a golpe, verso a verso…
até ao “Grande Reencontro” que me há-de sosssegar !
Carlos Morais dos Santos
“…Passarei a falar sobre cada um deles porque é preciso sarar o luto,
enterrar os mortos e evitar o esquecimento.”
Eduardo Gosson

Eduardo Gosson, VC, Amigo, é uma Grande Lição de Vida que sempre nos emociona por aquilo que é o seu modo suave, firme, simples mas Grandioso, Edificante, que é o seu modo de SER, ESTAR e FAZER !
Receba um solidário e muito afetuoso Grande Abraço Global – nosso, de mim e de Selma – e estou certo de poder dizer em nome também de todos os ilustres nossos/seus colegas do “Conselho Editorial” deste nosso Blog-Revista “Culturas e Afetos Lusofonos”, alguns seus amigos de anos, aí do RN, e de muitos dos nossos leitores-amigos que o conhecem pessoalmeente ou pela sua sublime poesia que aqui temos publicado.
Todos aqui e agora, neste momento representados por mim, como Editor/Administrador e pelo nosso confrade da UBE-RN e tambem seu grande amigo e admirador – o nosso Querido Dr. Rubens Barros de Azevedo, Diretor Editorial (Brasil). O eco da sua dor e da nossa grande e global “Cadeia de União Fraternal, está ligada aos cerca de 120.000 leitores fieis amigos em 76 paises dos 4 continentes que nos lêem, ouvem, e vêem.
E, dito isto, e o mais o que adiante vem a propósito, damos agora, aqui, um grande abraço muito afetivo, de amor e solidariedade, a Eduardo, Tiago e restante família, e de afirmarmos a nossa inteira disponibilidade, mesmo vencendo a distância do atlântico que neste momento só nos separa fisicamente, a mim e a Selma, minha esposa também amiga e admiradora de Eduardo, como, por extenção da amizade, que ganhámos de afetos com os dois gêmeos, Fausto agora falecido e Tiago, também vivo – filho também igualmente muito querido, amado por seu pai e amante admirador dele – afetos que temos vindo a cultivar, especialmente naqueles bons momentos daquelas visitas que Eduardo com seus filhos nos davam a alegria de nos fazer, a mim e a Selva, o privilégio de nos visitarem na nossa casa de Ponta Negra, em Natal, na qual residimos 6 meses por ano, e de eles ali irem comungar e partilhar o convívio animado de poesia e música, no noso ambiente bucólico de muito verde, de ávores, gramado, plantas, muitas flores coloridas, passarinhos de coloridos e cantares vários e demais bicharada, em belas e saudosas tardes de boas e culturais conversas e debates, em animadas Tertúlias lítero-poéticas e musicais com muitos dos nossos amigos comuns.
Vem tão a propósito, que eu não resisti em aqui ter citado alguns trechos de uma carta-depoimento público, que adiante incluo nesta postagem, na sua integralidde, para mostrar quanto parte do seu conteúdo até parece premonitório. Trata-se de uma carta-depoimento que escrevi e enderecei ao meu querido Presidente da UBE-RN – União Brasileira de Escrtores-RN, sediada em Natal-RN-Brasil, o Escritor e Sublime Poeta, Dr. Eduardo Gosson – menciono estes detalhes, a pensar nos nossos amigos leitores deste Blog-Revista, distantes do Brasil que, obviamente, não sabem identificar de quem estamos a falar, e são cerca de 120.00 em 76 países – a propósito da crónica que Eduardo Gosson dedicada a seu pai e que está publicada no site da UBE-RN, sob o título da série de crónicas sentimentais e evocaivas das memórias de seus famialres queridos que já se foram, alguns sucesivamente em pouco tempo e muito recentemente.No fim desta publicação da HOMENAGEM A EDUARDO GOSSON E A SEU FILHO FAUSTO, encontrarão o belíssimo poema dolorido e pungente, e o texto de referência às qualidades humanas de seu filho, que o Dr. Eduardo Gosson escreveu como a X CRÔNICA MEMORIALISTA E DE HOMENAGEM A SEU FILHO, SOB O TÍTULO
“EU NÃO SABIA QUE DOÍA TANTO”.

(In www.cultura e afectoslusófonos.blogspot.com)