O SR. DINARTE MARIZ – Sr. Presidente, Srs Senadores, no dia seis de agosto deste ano falecia em Natal o Dr. Edgar Ferreira Barbosa, deixando viúva Dona Maria das Dores Albuquerque Barbosa e, órfãos, quatro filhos do casal: Elione, Élio, Edna e Maria Lídia, a quem apresentamos a nossa solidariedade.
Jornalista brilhante, professor emérito, escritor primoroso, estilista, detentor de raro poder de síntese, juiz reto e probo, Edgar foi, na constelação dos valores culturais do meu Rio Grande do Norte, astro de primeira grandeza, iluminando, com a força do seu talento e o privilégio de sua cultura, a paisagem humana da terra que tanto amou e à qual dedicou toda sua vida.
Foram seus pais Vicente Justiniano Barbosa e Dona Joana Ferreira Barbosa, já falecidos. Nasceu em Ceará-Mirim, Rio Grande do Norte, a 15 de fevereiro de 1909. Talvez a cidade-jardim que lhe serviu de berço, alimentada pela exuberância do seu vale, com os seus engenhos e os seus verdes canaviais, tenha concorrido para transferir ao espírito a paisagem com que a natureza brindou sua visão de adolescente.
O Sr. Agenor Maria – Permite V. Exª um aparte?
O SR. DINARTE MARIZ – Com muito prazer.
O Sr. Agenor Maria – Desejo associar-me às manifestações de pesar pelo falecimento do Dr. Edgar Ferreira Barbosa. O nosso Estado perde, na pessoa do Dr. Edgar Ferreira Barbosa, um dos vultos de maior proeminência das letras do nosso Estado. Desejo inserir no discurso de V. Exª este aparte e encaminhar à família enlutada o meu mais profundo pesar. Muito obrigado a V. Exª
O SR. DINARTE MARIZ – Obrigado pelo aparte de V. Exª
Jornalista por vocação, colaborou, muito jovem, em todos os jornais da época, assumindo, quando ainda acadêmico de Direito, a direção de “ A República”, jornal oficial por onde passaram as maiores figuras da política e da cultura do Estado.
Dedicou-se ao magistério, lecionando em vários estabelecimentos de ensino médio, inclusive no Velho Ateneu Norte-rio-grandense, do qual foi aluno e professor, até que chegou a Universidade, da qual se tornou catedrático e professor emérito. Tudo indica que a sua rápida passagem pela magistratura , onde se houve com competência, austeridade e probidade, foi um meio a que recorreu para complementar seu orçamento na manutenção do lar,pois a nossa província é sempre ávara na retribuição de bens materiais  para com aqueles que se dedicam ao setor da cultura. Nisto ele foi um exemplo: – viveu pobre e morreu pobre.

Sr. Presidente, Srs. Senadores, pensei muito como fazer este discurso em homenagem à memória de Edgar Barbosa. Uma idéia logo me ocorreu: deixá-lo aqui presente, a conviver conosco, através da transcrição, em nosso Anais, de tópicos do seu livro “ Imagem do Tempo”. Assim, nenhuma palavra mais precisa ser pronunciada. É ele quem vai falar.