Ilustríssimo Poeta Diógenes da Cunha Lima

Digníssimo Presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras

Meus confrades e confreiras da União Brasileira de Escritores

Meus Senhores e Minhas Senhoras

 

 

 

 

                    (fala de Eduardo)         

Em breves palavras podemos dizer que Félix Contreras nasceu em Pinar Del Rio, Cuba, no ano de 1940.  Formado  na Escola para Professores de Arte. Poeta, ensaísta, jornalista e pesquisador da música popular e tradicional cubana, sua história  vasta e rica é cheia de sabedoria. Abandonado pela mãe aos cinco anos de idade, foi resgatado por um padre que lhe ensinou a ler e escrever.

Fundador do El Caimán Barbudo importante revista mensal que agrupou a melhor poesia cubana dos últimos anos, publicou ainda Cuba Internacional, Bohemia, Juventude Rebelde, Prensa Latina, Granma Internacional. Publicou os seguintes livros: o tempo cara (1968), alguém tinha que vir (1972), Notebook para o nasciturno (1978), como o seu coração (1987), Vida Album (2003) e para você, por você (no Uruguai e Brasil). Pesquisador da música cubana, publicou  Porque eles tem Filin (1991), Gardel e assim é a rosa (1992), música cubana: uma questão pessoal (2001) e Eu conheci o Benny Moré (2002). Conferencista, tem andado na Bélgica, Espanha, México,  Argentina e Brasil.Único cubano a pertencer a Academia Nacional de Tango da Argentina, grande figura humana e poeta de Cuba para o mundo.

Após estas breves considerações, pedimos a seleta  platéia licença para fugirmos às formas  tradicionais de saudação e escrevermos um belo poema com várias mãos:

(fala de Lúcia Helena)

 

Poeta,

Se há oceanos

Que nos separam,

Não importa!

 

(fala de Eduardo)

 

Em Brasil pegam avião para mim

 

“Com um bilhete de avião dos amigos brasileiros

eu viajei todo o Brasil e conheci muitos poetas

Rio de Janeiro e sua gente tão próxima à de Havana

São Paulo e suas máquinas

Paraíba com a justiça que sonha mudar verde

Natal onde árvores paredes livros poemas

levantam a casa de Horácio Paiva

e assim que se chega e fica o pão sobre a mesa

e se escreve um poema

posso falar de Mário Quintana

morador dos hotéis

de Porto Alegre onde jantei com ele

traficante de ironias, piadas e formosas secretárias

sabendo que a poesia é mal remunerada

mas ninguém como o poeta

conhece os maus e bons pensamentos

Meu roteiro me levou a Recife

e na maior livraria da cidade

coalhada de todos os humores

que mistério que mistério: poucos compram

e a maré de volumes

sobe

sobe

sobe

Era verão

mas Vinícius de Morais não estava em Ipanema

olhando as garotas e seu violão

sumido em um bloco de cimento não cantava mais

Em Campina Grande uma formosa garota

escreve versos lava pratos

paga as contas de sua  morada com o suor de seu trabalho e

ao pé de seus poemas assina:

Fidelia Cassandra

Em Angatuba

situada como um ninho de pássaros

longe da fumaça dos motores de São Paulo

asfaltada de gabinetes e telefones

me faziam perguntas:

—Como é Cuba, senhor?

— Persiste o socialismo em Cuba, senhor?

Ali os relógios ainda pegam a hora nas paredes

e os padres escrevem poemas sonetos

e palavras cruzadas

os limoeiros perfumam a tarde dos domingos

e aflora tudo o mistério que tem o final das coisas

Ao fim cheguei ao Rio envolto nos morros

da gente que esquece a vida ruim

com a música e a dança

morei na casa de Manoel Carlos

em Santa Tereza

em suas mãos olhei

a justiça social que procuram

tantas mulheres meninos homens

No Rio eu sentia o cheiro de minha Havana.

 

(fala de Lucia)

 

“Poeta,

Se há um regime

Que nos separa,

Não importa!

 

 

(fala de Lucia)

 

“O concreto é o homem

o que sofremos

choramos

sobretudo a parte doente da  vida

essa mulher esse homem

que vão pela rua perguntando

à justiça que  é o concreto

mas a mão fica muito distante do que pede o sonho

e as estrelas e a lua choram

mas seja o que a vida determine

porque o concreto é o homem”

(FERREIRA GULAR, de Félix Contreras)

 

(fala de Eduardo)

Um homem dorme

Para Antonio Martins

Em Rio

São Paulo

em Recife

um homem dorme na rua,

a gente passa

mas, ele dorme,

em sua cama dura

mas, ele dorme

no solo frio

mas, dorme.

graças ao duro ofício que aprendeu

quando dexou de ser homem

e ficou mendigo

para dormir na rua.

 

(fala de Lúcia)

 

Poeta,

Se há  cidades

Que nos separam,

Não importa!

 

(fala de Eduardo)

“Com curiosidade  sentimental procurei  em Recife

a Manuel Bandeira

e as provincianas rosas que exalam seus poemas

me acompanhavam Verlaine, Guimarães Rosa,

Vinícius de Morais, Mário de Andrade e o variado

Fernando Pessoa

Mas

Manuel Bandeira andava arrumando o mundo

Pedindo governos honestos soldados e coronéis

Com honradez dos monumentos das praças

Ruas sem misérias

Mares sem marismas letais águas limpas

Mães para as crianças meninas

E manhãs

Para a gente que procura vida.”

(MANUEL BANDEIRA, de Félix Contreras)

 

 

 

 

(fala de Lucia)

“Poeta,

Se há ilhas

Que nos separam

Não importa!

 

(fala de Eduardo)

 

“Asas abanam o azul do céu

num passeio matutino pelo vale verde de minha infância

e assobia sinfonia de amores,

canções do vento,

melodias de outrora.

 

(fala  de Lucia)

 

“É Félix Contreras, poeta que Havana festeja

E todos os cubanos  aplaudem

Pela festa que ele faz,com suas asas emblemáticas

Voando pelo infinito da poesia!

 

(fala de Eduardo)

 

“Ele é o pássaro azul do verde cubano,

É a poesia de asas abertas voando

Pelos céus de Cuba e do Brasil,

Onde a beleza se fez e a poesia se manifesta

Como forma de amor, alegria, saudade!

 

(fala de  Lucia)

 

“Este é um poema  de improviso,

que um pássaro azul veio trazer-me,

como presente, das  mil e quinhentas ilhas,

que formam o arquipélago cubano,

de uma imensa poesia de rio

chamada Félix Contreras!”

(O PÀSSARO AZUL DO VERDE CUBANO, de Lúcia Helena Pereira)

 

(Eduardo e Lúcia)

Poeta,

Se há oceanos,

Se há um regime,

Se há  cidades,

Se há ilhas

Que nos separam

Não importa!

 

A Poesia nos Conforta!

 Natal/RN, 28 de agosto de 2012

 

(*) Eduardo Antonio Gosson é poeta. Presidente da UBE/RN

(**) Lúcia Helena Pereira é poetisa. Diretora de Divulgação da UBE/RN

 

(após esta última parte, sairemos em direção ao auditório que será estimulado a recitar os poemas de FÉLIX que estarão dentro de uma cesta; terminamos a saudação indo em direção ao poeta e repetindo:

“-A poesia nos conforta!”)