Double regard sur les mémoires et pratiques alimentaires à Arez (Nordeste de l’Alto Alentejo) et Lannéanou
(Nord du Finistère) – Manques, âges d’or, aisances et abondances
Résumé:
Le village portugais d’Arez, du Nordeste de l’Alto Alentejo (362 habitants en 2001) et le village français de
Lannéanou (363 habitants en 2004), dans le Nord du Finistère sont au centre de l’enquête ethnographique
multisite de cette thèse.
Cette enquête a permis de collecter des récits sur les mémoires alimentaires ainsi que d’observer de façon
intensive les pratiques alimentaires actuelles en tenant compte des différences entre pratiques quotidiennes et
pratiques festives plus exceptionnelles mais régulières. Cette recherche s’est effectuée auprès de représentants
hommes et femmes de trois générations.
L’investigation sur les mémoires alimentaires a permis de mettre à jour un positionnement contradictoire mais
complémentaire: d’une part la construction et la tentation d’un Age d’or c’est-à-dire la sélection des éléments les
plus socialisants des souvenirs de chacun. Parallèlement a émergé une certaine réticence à assumer les manques
alimentaires des temps passés par rapport aux abondances du présent. Cette partie de l’enquête a donné lieu
également à une forte volonté de se faire reconnaître en tant que génération aînée et souvent oubliée.
L’enquête synchronique a permis de mettre en lumière des conceptions indigènes de la modernité ou
l’abondance devient une valeur centrale et où s‘affirment des goûts individuels. Sur ce point le parallélisme entre
les deux sites incite à parler d’un changement européen plus que d’évolution régionale ou nationale.
Dans les deux villages, les ressentis autour des manques et des abondances alimentaires actualisent et s’affirment
comme un moyen de reconnaissance des goûts individuels (hérités, transformés, adoptés et transmis) de chaque
commensal.
Mots clés: transalimentation, mémoire alimentaire, âges d’or alimentaires, relocalisation, double regard.

Um duplo olhar sobre as memórias e práticas alimentares de Arez (Nordeste do Alto Alentejo) e de
Lannéanou (Norte do Finistère) – Carências, épocas áureas e abundâncias
Resumo:
Arez, aldeia portuguesa do Nordeste do Alto Alentejo (362 habitantes em 2001), Lannéanou, aldeia francesa do
norte do Finistère (363 habitantes en 2004) estão no centro da investigação etnográfica multisítio que deu forma
a esta tese.
Este trabalho permitiu recolher narrativas sobre memórias alimentares e observar de forma intensiva as práticas
alimentares actuais, tendo em linha de conta as diferenças entre práticas quotidianas e práticas festivas, assíduas,
com maior ou menor excepcionalidade. Foi uma investigação que beneficiou da contribuição de homens e
mulheres de três gerações.
A análise das memórias alimentares actualizou e colocou à prova um posicionamento contraditório e
complementar: a construção e a tentação de uma época áurea de vida que entronca na socialização e nas
vivências mais intensas de cada um. Ao mesmo tempo, pôs em evidência uma certa dificuldade em falar das
carências alimentares do passado relativamente à abundância do presente. Para este segundo aspecto, a geração
mais velha manifestou a vontade de se fazer reconhecer como geração mais experiente e, por vezes, esquecida.
A sincronia da investigação permitiu dar luz às concepções indígenas de modernidade e abundância que se
tornaram elementos centrais na afirmação dos gostos alimentares individuais, ao longo deste trabalho. Por esta
via, o paralelismo estabelecido entre os dois terrenos conduziu à necessidade de falar em transformação
alimentar europeia e não apenas em evolução regional ou nacional.
Foi no seio destas duas aldeias, que surgiram sensações e julgamentos em torno das carências e abundâncias
alimentares que se actualizam, afirmando-se como meio de reconhecimento dos gostos individuais (herdados,
transformados, adoptados e transmitidos) por cada comensal.
Palavras chave: transalimentação, memória alimentar, época de ouro alimentar, relocalização, duplo olhar.

A double vision about food storages and food practices in Arez (in the northeast of Alto Alentejo) and
Lannéanou (in the northern of Finistère) – Shortage, golden age and abundance
Abtsract:
The Portuguese village of Arez, in the northeast of Alto Alentejo (362 inhabitants in 2001) and the French
village of Lannéanou, in the northern of Finistère (363 inhabitants in 2004) are the center of this thesis.
The ethnographic study was conducted on these two sites. This survey has collected stories about food memories
and observed intensively the current culinary practices, taking into account the differences between daily
practices and the regular but more exceptional festive practices. This survey was conducted among men and
women representing three generations.
The investigation into the memories of food allowed us to reach a contradictory and complementary position:
The construction and the temptation of a golden age which means the most socialistic memories of each
interviewed. A sort of reluctance to assume in the present the food shortages of the past emerges. This part of the
investigation has also underlined a strong desire to be recognized as the old generation which is often forgotten.
The synchronic investigation has shed light on indigenous conceptions of modernity in which abundance
becomes a central value and individual tastes affirm themselves. On this point the parallelism between both sites
leads to talk of a European developpement rather than regional or national evolution.
In both villages, the feelings about food shortages and abundances emerge as a criteria of acknowledgement of
individual tastes (inherited, processed, approved and transmitted) of each fellow diner.
Key words: transalimentation, food storage, food golden ages, relocation, double vision.