O presidente da União Brasi­leira de Escritores – UBE, secção Rio Grande do Norte, Eduardo Gosson, deu entrevista ao jornalista José Pinto Júnior, para o programa Conexão Potiguar (TV União). Na ocasião, ele falou sobre os projetos da UBE para 2010, a situação das letras no RN e de como solucionar problemas como a falta de apoio.


O que foi feito pela UBE em favor da literatura no Rio Grande do Norte no ano de 2009?

2009 foi um ano muito produtivo para nós que fazemos a União Brasileira de Escritores, uma vez que foi o ano da consolidação, ou seja, toda parte legal da entidade foi consolidada, o registro, o CNPJ, a conta bancária, fizemos o alicerce para implementar grandes vôos no biênio de 2010 e 2011. Agora em outubro, foi realizado todo o processo eleitoral da UBE, onde nós fomos reconduzidos, porque a gestão passada era uma diretoria provisória e o estatuto reza que com 120 dias de registro teria que ser organizado um processo eleitoral. Correu tudo bem e nosso nome foi lembrado para encabeçarmos neste biênio.

Para o ano de 2010, o que está previsto?

Em março deste ano o Sarau Poético volta para os potiguares, que durante nove anos nós fizemos na cidade do Natal em diversas livrarias, e estará de volta com uma nova formatação e vamos nos articular para o dia da poesia. Estamos pensando também, para abril, no dia 23, que é o Dia Mundial do Livro e do direito autoral, fazermos um seminário conjuntamente com o poder público, para fazermos o plano anual de difusão do livro, que consta na lei Henrique Castriciano, uma grande conquista encaminhada pela UBE ao poder legislativo na gestão anterior do poeta Lívio Oliveira.

E no dia 25 de julho tem uma programação para o dia do escritor.

Exatamente. O plano anual de difusão do livro será envolvendo todas as escolas da capital, todos os professores, ou seja, a gente quer ver a sociedade civil organizada, para traçarmos um plano consistente, que realmente venha levar os escritores ao alcance do público com um preço razoável. Para o segundo semestre, além da lei de escritores, estamos programando para o dia 25 de julho o Dia do Escritor, em que nós vamos fazer um seminário para discutir o papel do escritor na sociedade. Com tantas transformações, com tantas mídias alternativas, será que existe lugar para aquela pessoa que se dedica ao ofício de escrever? Então nós vamos trazer um nome nacional em conjunto com a prata da casa, porque nós sempre temos a aquela idéia de valorizar o que é nosso, reconhecendo os valores de fora, os valores cosmopolitas.

Apesar da UBE ainda estar trabalhando a questão do alicerce, o senhor já organizou dois encontros.

O segundo encontro foi agora em outubro, com uma programação cultural bem diversificada, envolvendo a literatura potiguar, a poesia, a prosa, a histografia potiguar e o teatro. Estamos caminhando para o terceiro encontro que será em outubro, nos dias 27, 28 e 29, culminando com o Dia Nacional do Livro. Nós vamos envolver todas as pessoas de todas as instituições que trabalham com o livro, para fazermos um grande encontro potiguar de escritores, com poucos recursos, mas com vontade e coragem.

O senhor tem até um frase, que parafraseia Adriano Suassuna.

Adriano diz que trabalha com três planos, o plano A, B e C. O plano A, com bastante dinheiro, o plano B com algum dinheiro e o plano C com nenhum dinheiro. Nós trabalhamos com o plano C e mesmo assim, realizamos e provamos que é possível se fazer desde que se tenha compromisso com a cultura potiguar.

A UBE teve um encontro marcado com a prefeita Micarla de Souza. Esse encontro aconteceu?

Infelizmente não. Quando terminou o segundo encontro, nós fizemos um ofício, cumprindo uma resolução do segundo encontro de escritores, no sentido de colaborarmos com o município com a política cultural. Por exemplo, toda cidade tem uma marca. Rio Grande do Sul tem as cidades que se dedicam a festa da uva, outras cidades se dedicam a rodeios. Qual seria a marca do Rio Grande do Norte? Luis da Câmara Cascudo. Na cidade do Natal, ali na entrada, próximo a Emaús, tinha um outdoor: ?Esta é a terra de Luis da Câmara Cascudo?. Esse outdoor foi retirado, mas a gente quer sugerir a excelentíssima senhora prefeita que o município deflagre uma campanha de auto-estima, colocando esta terra com a de Câmara Cascudo, que foi o maior folclorista do mundo, para que Natal tenha um referencial. Quando o turista aqui aportar, que ele tenha em mente que Natal é a terra de Cascudo, este gênio da cultura potiguar e universal. Também como resolução do segundo encontro, os escritores presentes sugeriram que se elaborasse, a exemplo de uma lei estadual do livro, uma lei municipal. Através da nossa assessoria jurídica, estamos nessa fase. Queríamos levar para a prefeita, para que ela, através de um vereador da base de sustentação, encaminhasse e sancionasse esse projeto. No entanto, até agora nós não obtivemos nenhuma resposta, sendo um absurdo para os cidadãos dessa cidade.

Como foi esse processo?

No dia em que estava agendado, quando estávamos chegando, recebemos um telefonema que teríamos que marcar num outro prazo e depois através do segundo escalão, a reunião foi remarcada duas vezes, o que não tem dado certo. Isso é um flagrante atentado aos escritores e ao povo potiguar.

A que o senhor atribui, como escritor, aos cortes na cultura sempre serem os primeiros, numa dificuldade financeira de uma administração pública?

Essa é uma conseqüência da má formação cultural dos nossos dirigentes, que acham da cultura um privilégio das elites, quando na verdade, ela deve ser um direito do povo, um direito do cidadão. No entanto, quando se tem restrições orçamentárias, a cultura sempre é penalizada. Infelizmente, essa é uma característica do terceiro mundo, mas que precisamos lutar para mudar, porque eu acredito que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Precisamos mudar as mudanças qualitativas, para que possamos dar um salto de qualidade.

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