(Crato, Ceará, 6 de outubro de 1962) é um jornalista e escritor brasileiro. Começou a carreira no Recife e é atualmente colunista dos jornais Folha de S. Paulo, Diário de Pernambuco, Diário do Nordeste,O Tempo, de Belo Horizonte e Correio da Bahia. Também faz parte da bancada do programa “Cartão Verde” da “TV Cultura”, todas as quintas-feiras, às 22:10hs, juntamente com o craque Sócrates, o jornalista Vitor Ernesto Birner e o apresentador Vladir Lemos.

L.O. O que o escritor almeja, na verdade? O romancista, o contista, o cronista, o poeta: qual é o móvel do seu desejo?

X.S. Rapaz, sou daqueles cabras do interior do Nordeste que sonhavam ser escritores e que acabaram nas redações, não tinha outro jeito para ganhar umas patacas… E assim sobreviveram, compraram casas para as mães, primeira promessa, depois publicaram uns livros… Agora o que vier é lindo, mas que venha de saia ou de vestido.

L.O. Que dificuldades existem para os autores brasileiros publicarem seus livros?

X.S. Pelos caminhos convencionais, óbvios e sem graça existem todas as dificuldades possíveis e inimagináveis, mas que tal mandar todo mundo às favas e publicar você mesmo, inventar você mesmo o seu livro, o seu selo, a sua editora, seja somente para download na rede ou para xerox, cordéis e quetais. Por que pagar pau eternamente para as casas gutenberguianas que sugam teu sangue?

L.O. Nesse contexto, as novas linguagens, tais como os blogs, sites e e-books e outras alternativas eletrônicas seriam soluções viáveis a serem consideradas?

X.S. Só existe uma linguagem no mundo, que são três: a coragem, a cara de pau e o sangue quente. Ai tanto faz publicar em litogravura, xilo ou e-book.

L.O. O livro, como suporte para a palavra, será ultrapassado um dia?

X.S. Jamais, quer dizer, tomara! Mas talvez a poética oral do Nordeste domine o mundo de uma vez e acabe com o resto das coisas modernas do Universo, é o que vejo no momento na minha bola de cristal bêbada.

L.O. No que toca ao gênero Crônica, como encontrar o caminho certo da escrita?

X.S. Rapaz, a musa é a encomenda e a prática. E alguma dor de corno também ajuda.

L.O. Nesse contexto, a Crônica já não pode ser definida como um gênero nobre da Literatura?

X.S. Sim, é a forma mais nobre de morrer de fome.

L.O. Há necessidade de se fazer, hoje, uma literatura engajada politicamente?

X.S. Toda escrita é engajada e política, no bom sentido, no último. Das pedras lascadas do primeiro homem lá em São Raimundo Nonato (Piauí) às pichações e grafites das ruas das cidades. Como a política convencional hoje é escrita por publicitários e ghosts em gerais, mais importantes ainda se tornam os que escrevem, picham ou borram em qualquer margem.

L.O. Vale a pena fazer literatura no Brasil, hoje?

X.S. À maneira do século XIX, não. É babaquice! Vale a pena fazer literatura como quem dá escândalo ou faz uma merda grande. A escrita de hoje só vale a pena quase como ressaca moral.

L.O. Quem faz a boa literatura no Brasil, na sua opinião, hoje? Você conhece bem a atual literatura do Nordeste (sua terra de origem)?

X.S. Conheço e acompanho, mas a melhor literatura continua sendo a poesia fescenina, os versos de putaria, da fuleiragem anônima.

L.O. Xico, qual a importância do erotismo na sua obra?

X.S. Só escrevo pela vontade de comer gente. coisa de quem descobriu o erotismo pelas plantas, cactus, bananeiras e só mui tardiamente arranhou perna de moça.

L.O. E onde fica o humor? Que espaço tem na sua escrita?

X.S. Se não for pra brincar, caio fora. E nem é por aquela coisa latina do “rindo corriges os costumes”. é pela sacanagem pura mesmo. Tô dentro até os ovos das carijós lá de casa.

L.O. Pode haver casamento entre a literatura e o jornalismo?

X.S. Até que os chefes de redações burocráticos nos separem, né mesmo? comecei nessa brincadeira acreditando nisso, mas só agora, depois de véio, posso fazer algo do gênero. Fica o recado para os burocras: deixem os meninos brincarem, mesmo que errem aqui e acolá vai ficar lindo mais adiante!

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    Comentários (1)

    #1 escrito por JORDANO`S
    há 1 ano atrás

    venho por este meio acrecentar mais qualquer coisa ao vosso trabalho ” I – De Portugal Antigo e Moderno, de Pinho Leal Vol. I – Pág. 238: “Querem alguns que o nome que lhe foi dado por os bons, puros e salutíferos ares que há aqui”.

    II – De Domingo Ilustrado – Vol. III – 1898 – Pág. 523: “Provém-lhe o nome dos bons, puros e salutíferos ares que nela se desfrutam”.

    III – De Informação Particular de 1941, do Dr. Joaquim da Silveira: ” No foral de Marvão de 1226, fala-se já “come de Ares” (- ês). Creio ser um topónimo estrangeiro importado por ocasião do repovoamento e colonização do Alentejo. Em Espanha há Arés nas províncias de Alicante e Lérida, Arés del Maestre na de Castellon de la Plana. Em Itália há Arese (Milão).

    Outros topónimos italianos e espanhóis para cá foram transplantados.

    A ortografia oficial manda grafar com Z e não S, o topónimo citado, mas pela explicação do erudito toponimista deveria ser escrito com S”.

    IV – Da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira – Vol.XXXVIII – Apêndice – Pág. 514:

    “O Topónimo AREZ costuma também aparecer ARES (e daí ter-se interpretado como alusão aos bons ares da localidade, o que é inaceitável, ainda a ser correcta tal forma algum dia), e é de crer que se relacione com o nome comum Arentius, de acordo com os vestígios de romanização na região de Nisa, especialmente Nisa-a-Velha, não afastada de AREZ”.

    V – De Esboço Monográfico de Arez – Povoação do Concelho de Nisa – Algumas notas para um bosqueio etnográfico de cariz económico – social em ordem ao estudo de um território denominado por antonomásia, região das areias no Alentejo Alto (Relatório de Estágio pelo médico-veterinário Dr. José Fazendas Louro Chambel, Lisboa – 1972 – Págs. 28/31).

    Antes de transcrever as palavras respeitantes à etimologia , do citado trabalho, que apenas se encontra dactilografado, é uma pena que não seja passado a letra de forma, para ser devidamente divulgado, e ficaria a ser mais uma achega para a história geral do País, porque esta, como se sabe é formada pelas histórias locais.

    Além disso, afreguesia de AREZ, ficava a possuir a sua monografia isto é, a sua história que, estou certo seria um precioso auxílio para estudos não só dos presentes como ainda dos vindouros.

    Passo agora a transcrever as palavras do referido livro respeitantes à etimologia de AREZ.

    “AREZ, (ou ARES) é uma povoação do concelho de Nisa, situada a 7,5 Kms desta vila para Oeste; dista 10 Kms da estação de Vale do Peso, no ramal de Cáceres; 40 kms de Portalegre, sede de distrito e 11 Kms do Tejo (Barca d´Amieira).

    De prosaica aparência, pouco tem de notável a olhos turistas e desprevenidos. Como tantos outros aglomerados populacionais de porção norte do ALentejo, passará facilmente despercebida, sobretudo a quem cruzar velozmente, de motor nervoso e roncante em busca de melhor poiso para o ócio e outros afazeres.

    A aldeia é cindida, a meio, por uma importante estrada, baldeando a toda a hora um sbstancial movimento rodoviário de Lisboa, Ribatejo e Alentejo para as Beiras e vice-versa, o que lhe confere uma falsa representação de progresso, aliás, um pouco à guisa de Tântalo: vendo-o, quase nada usufrue dele; servindo, jaz des-servida, apenas uma fugaz afora ruídos impertinentes e fumos fedorentos que mal presumo – serão em tudo nada toxígeneos.

    Mas no arrepjo do progresso, retrogrademos todavia ao longe do tempo e, não recusando o braço à fantasia,mergulhemos nas incomensuráveis e nublosas regiões da História e da Lenda, prescrutando “à vol d´oiseau” o que a nossa curiosidade pode encontrar…

    Donde proveio o nome desta antiga povoação? Quais as suas origens? Que testemunhos do passado existem que comprovem a asserção da sua alta antiguidade?

    Comecemos por apresentar uma lista de nomes e apelidos, usados desde os nossos mais remotos avoengos, qu, de algum modo, nos parece interessante relacionar com o topónimo AREZ.

    No que concerne à legitimidade desta conexão, que os filologistas nos revelam o descaro.

    - ARIAS, hoje AIRES, bastante usado em documentos antigos (existe aqui, um tema germânico: ar -).

    - Airam (séc. XII) hoje Airão, de Ariani.

    - AREZ (nome judeu) in Gil Vicente (Diálogo de luus tres judeos e dous centurios sobre ressureyção.

    - Araos.

    - Araos.

    - Araes

    - Arones (de Áron).

    - Aruncio.

    - Aro (cercania da povoação) – do lat. aruum – campo de lavradio.

    - Ares – Marte “…sacrificavam (os lusitanos) um bode a Ares e os prisioneiros e cavalo”Estrabão”.

    - Arebtius – deus Arencio.

    - Ario – outras formas: Arius, Areus.

    - Ariz -

    - Arrezo (cidade da Toscana)

    - Ares – topónimo (concelho de Ponte da Barca).

    - AREZ- antiga cidade da Lusitânia (perto de Alcácer do Sal).

    - Aires – lugar histórico romanoARENTIS (Torres d`Ares) – Algarve).

    - Arez – árabe, existe um lugar em Gaza (Médio Oriente).

    - Aires – apelido e nome de lugar; abunda no Alentejo

    - Que bases haverá o Abade Augusto Ferreira (2) para derivar AREZ de Aresius,ii – Aresio (nome de um santo)? Ou, simplesmente, “…o nome lhe foi dado por os bons, puros e salutíferos ares que há aqui”(3)?

    Contudo “não deve haver dúvida de que o povoamento do território desta freguesia deve ascender, não apenas a antes do séc. XII, isto é, à denominação arábica efectiva, mas às referidas épocas (pré-romanas e da romanização). Talvez se relacione com elas o velho topónimo AREZ, talvez arabicamente influênciado… O toponómio AREZ costuma também aparecer ARES (e daí ter-se interpretado como alusão aos bons ares da localidade, o que é innaceitável, ainda a ser correcta tal forma algum dia) e é de crer se relaciona com o nome romano Arentis, de acordo com os vestígios de Nisa-a-Velha, não afastada de AREZ (4).

    Sem pretendermos aventurar-nos nas areias movediças da hipótese, não queremos deixar de referir alguma coisa do que se sabe (ou se julga saber) sobre Aritium ou Arício, misteriosa e importante cidade romana, de cuja a notícia os autores têm encontradas notícias, e “há a mencionar uma povoação que nos textos e numa inscrição romana é designada pelo nome de Aritium Vetus situada, segundo parece na margem esquerda do Tejo (5).

    Em 1659 foi achada, em Alvega, uma placa de bronze, onde se gravou em latim, o juramento prestado ao imperador Calígua pelos habitantes de Aritium Vetus. A placa desapareceu e apenas icaram cópias da inscrição. Apresentava quatro orifícios, um em cada ângulo, pelo que se presume, deveria estar aposta em edifício ou sítio público.

    Dadas as suas diminutas dimensões (1X25 palmos) e o facto de ter sido encontrado “…em uma ribeira próxima”, não prova suficiência, suposição de Jorge Cardoso, que a localizava em Alveza.

    Todavia, parece que existiu outra cidade designada por Aritum Praeetorium.

    Não são unânimes os historiadores e Aritum figura como tendo existido em vários locais: Abrantes, Benavente, Etc”

    O BLOG “GAVIÃO no ALENTEJO” LHE DIZ; MEU AMIGO ALEXANDRE DE CARVALHO COSTA….. O MELHOR SEU ESCRITO E TRABALHO ATÉ AO MOMENTO E ALGUMAS LUTAS SE DEIXARAM FICAR….
    abalho e pesquisa

(Crato, Ceará, 6 de outubro de 1962) é um jornalista e escritor brasileiro. Começou a carreira no Recife e é atualmente colunista dos jornais Folha de S. Paulo, Diário de Pernambuco, Diário do Nordeste,O Tempo, de Belo Horizonte e Correio da Bahia. Também faz parte da bancada do programa “Cartão Verde” da “TV Cultura”, todas as quintas-feiras, às 22:10hs, juntamente com o craque Sócrates, o jornalista Vitor Ernesto Birner e o apresentador Vladir Lemos.

L.O. O que o escritor almeja, na verdade? O romancista, o contista, o cronista, o poeta: qual é o móvel do seu desejo?

X.S. Rapaz, sou daqueles cabras do interior do Nordeste que sonhavam ser escritores e que acabaram nas redações, não tinha outro jeito para ganhar umas patacas… E assim sobreviveram, compraram casas para as mães, primeira promessa, depois publicaram uns livros… Agora o que vier é lindo, mas que venha de saia ou de vestido.

L.O. Que dificuldades existem para os autores brasileiros publicarem seus livros?

X.S. Pelos caminhos convencionais, óbvios e sem graça existem todas as dificuldades possíveis e inimagináveis, mas que tal mandar todo mundo às favas e publicar você mesmo, inventar você mesmo o seu livro, o seu selo, a sua editora, seja somente para download na rede ou para xerox, cordéis e quetais. Por que pagar pau eternamente para as casas gutenberguianas que sugam teu sangue?

L.O. Nesse contexto, as novas linguagens, tais como os blogs, sites e e-books e outras alternativas eletrônicas seriam soluções viáveis a serem consideradas?

X.S. Só existe uma linguagem no mundo, que são três: a coragem, a cara de pau e o sangue quente. Ai tanto faz publicar em litogravura, xilo ou e-book.

L.O. O livro, como suporte para a palavra, será ultrapassado um dia?

X.S. Jamais, quer dizer, tomara! Mas talvez a poética oral do Nordeste domine o mundo de uma vez e acabe com o resto das coisas modernas do Universo, é o que vejo no momento na minha bola de cristal bêbada.

L.O. No que toca ao gênero Crônica, como encontrar o caminho certo da escrita?

X.S. Rapaz, a musa é a encomenda e a prática. E alguma dor de corno também ajuda.

L.O. Nesse contexto, a Crônica já não pode ser definida como um gênero nobre da Literatura?

X.S. Sim, é a forma mais nobre de morrer de fome.

L.O. Há necessidade de se fazer, hoje, uma literatura engajada politicamente?

X.S. Toda escrita é engajada e política, no bom sentido, no último. Das pedras lascadas do primeiro homem lá em São Raimundo Nonato (Piauí) às pichações e grafites das ruas das cidades. Como a política convencional hoje é escrita por publicitários e ghosts em gerais, mais importantes ainda se tornam os que escrevem, picham ou borram em qualquer margem.

L.O. Vale a pena fazer literatura no Brasil, hoje?

X.S. À maneira do século XIX, não. É babaquice! Vale a pena fazer literatura como quem dá escândalo ou faz uma merda grande. A escrita de hoje só vale a pena quase como ressaca moral.

L.O. Quem faz a boa literatura no Brasil, na sua opinião, hoje? Você conhece bem a atual literatura do Nordeste (sua terra de origem)?

X.S. Conheço e acompanho, mas a melhor literatura continua sendo a poesia fescenina, os versos de putaria, da fuleiragem anônima.

L.O. Xico, qual a importância do erotismo na sua obra?

X.S. Só escrevo pela vontade de comer gente. coisa de quem descobriu o erotismo pelas plantas, cactus, bananeiras e só mui tardiamente arranhou perna de moça.

L.O. E onde fica o humor? Que espaço tem na sua escrita?

X.S. Se não for pra brincar, caio fora. E nem é por aquela coisa latina do “rindo corriges os costumes”. é pela sacanagem pura mesmo. Tô dentro até os ovos das carijós lá de casa.

L.O. Pode haver casamento entre a literatura e o jornalismo?

X.S. Até que os chefes de redações burocráticos nos separem, né mesmo? comecei nessa brincadeira acreditando nisso, mas só agora, depois de véio, posso fazer algo do gênero. Fica o recado para os burocras: deixem os meninos brincarem, mesmo que errem aqui e acolá vai ficar lindo mais adiante!

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  • #1 escrito por JORDANO`S
    há 1 ano atrás

    venho por este meio acrecentar mais qualquer coisa ao vosso trabalho ” I – De Portugal Antigo e Moderno, de Pinho Leal Vol. I – Pág. 238: “Querem alguns que o nome que lhe foi dado por os bons, puros e salutíferos ares que há aqui”.

    II – De Domingo Ilustrado – Vol. III – 1898 – Pág. 523: “Provém-lhe o nome dos bons, puros e salutíferos ares que nela se desfrutam”.

    III – De Informação Particular de 1941, do Dr. Joaquim da Silveira: ” No foral de Marvão de 1226, fala-se já “come de Ares” (- ês). Creio ser um topónimo estrangeiro importado por ocasião do repovoamento e colonização do Alentejo. Em Espanha há Arés nas províncias de Alicante e Lérida, Arés del Maestre na de Castellon de la Plana. Em Itália há Arese (Milão).

    Outros topónimos italianos e espanhóis para cá foram transplantados.

    A ortografia oficial manda grafar com Z e não S, o topónimo citado, mas pela explicação do erudito toponimista deveria ser escrito com S”.

    IV – Da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira – Vol.XXXVIII – Apêndice – Pág. 514:

    “O Topónimo AREZ costuma também aparecer ARES (e daí ter-se interpretado como alusão aos bons ares da localidade, o que é inaceitável, ainda a ser correcta tal forma algum dia), e é de crer que se relacione com o nome comum Arentius, de acordo com os vestígios de romanização na região de Nisa, especialmente Nisa-a-Velha, não afastada de AREZ”.

    V – De Esboço Monográfico de Arez – Povoação do Concelho de Nisa – Algumas notas para um bosqueio etnográfico de cariz económico – social em ordem ao estudo de um território denominado por antonomásia, região das areias no Alentejo Alto (Relatório de Estágio pelo médico-veterinário Dr. José Fazendas Louro Chambel, Lisboa – 1972 – Págs. 28/31).

    Antes de transcrever as palavras respeitantes à etimologia , do citado trabalho, que apenas se encontra dactilografado, é uma pena que não seja passado a letra de forma, para ser devidamente divulgado, e ficaria a ser mais uma achega para a história geral do País, porque esta, como se sabe é formada pelas histórias locais.

    Além disso, afreguesia de AREZ, ficava a possuir a sua monografia isto é, a sua história que, estou certo seria um precioso auxílio para estudos não só dos presentes como ainda dos vindouros.

    Passo agora a transcrever as palavras do referido livro respeitantes à etimologia de AREZ.

    “AREZ, (ou ARES) é uma povoação do concelho de Nisa, situada a 7,5 Kms desta vila para Oeste; dista 10 Kms da estação de Vale do Peso, no ramal de Cáceres; 40 kms de Portalegre, sede de distrito e 11 Kms do Tejo (Barca d´Amieira).

    De prosaica aparência, pouco tem de notável a olhos turistas e desprevenidos. Como tantos outros aglomerados populacionais de porção norte do ALentejo, passará facilmente despercebida, sobretudo a quem cruzar velozmente, de motor nervoso e roncante em busca de melhor poiso para o ócio e outros afazeres.

    A aldeia é cindida, a meio, por uma importante estrada, baldeando a toda a hora um sbstancial movimento rodoviário de Lisboa, Ribatejo e Alentejo para as Beiras e vice-versa, o que lhe confere uma falsa representação de progresso, aliás, um pouco à guisa de Tântalo: vendo-o, quase nada usufrue dele; servindo, jaz des-servida, apenas uma fugaz afora ruídos impertinentes e fumos fedorentos que mal presumo – serão em tudo nada toxígeneos.

    Mas no arrepjo do progresso, retrogrademos todavia ao longe do tempo e, não recusando o braço à fantasia,mergulhemos nas incomensuráveis e nublosas regiões da História e da Lenda, prescrutando “à vol d´oiseau” o que a nossa curiosidade pode encontrar…

    Donde proveio o nome desta antiga povoação? Quais as suas origens? Que testemunhos do passado existem que comprovem a asserção da sua alta antiguidade?

    Comecemos por apresentar uma lista de nomes e apelidos, usados desde os nossos mais remotos avoengos, qu, de algum modo, nos parece interessante relacionar com o topónimo AREZ.

    No que concerne à legitimidade desta conexão, que os filologistas nos revelam o descaro.

    - ARIAS, hoje AIRES, bastante usado em documentos antigos (existe aqui, um tema germânico: ar -).

    - Airam (séc. XII) hoje Airão, de Ariani.

    - AREZ (nome judeu) in Gil Vicente (Diálogo de luus tres judeos e dous centurios sobre ressureyção.

    - Araos.

    - Araos.

    - Araes

    - Arones (de Áron).

    - Aruncio.

    - Aro (cercania da povoação) – do lat. aruum – campo de lavradio.

    - Ares – Marte “…sacrificavam (os lusitanos) um bode a Ares e os prisioneiros e cavalo”Estrabão”.

    - Arebtius – deus Arencio.

    - Ario – outras formas: Arius, Areus.

    - Ariz -

    - Arrezo (cidade da Toscana)

    - Ares – topónimo (concelho de Ponte da Barca).

    - AREZ- antiga cidade da Lusitânia (perto de Alcácer do Sal).

    - Aires – lugar histórico romanoARENTIS (Torres d`Ares) – Algarve).

    - Arez – árabe, existe um lugar em Gaza (Médio Oriente).

    - Aires – apelido e nome de lugar; abunda no Alentejo

    - Que bases haverá o Abade Augusto Ferreira (2) para derivar AREZ de Aresius,ii – Aresio (nome de um santo)? Ou, simplesmente, “…o nome lhe foi dado por os bons, puros e salutíferos ares que há aqui”(3)?

    Contudo “não deve haver dúvida de que o povoamento do território desta freguesia deve ascender, não apenas a antes do séc. XII, isto é, à denominação arábica efectiva, mas às referidas épocas (pré-romanas e da romanização). Talvez se relacione com elas o velho topónimo AREZ, talvez arabicamente influênciado… O toponómio AREZ costuma também aparecer ARES (e daí ter-se interpretado como alusão aos bons ares da localidade, o que é innaceitável, ainda a ser correcta tal forma algum dia) e é de crer se relaciona com o nome romano Arentis, de acordo com os vestígios de Nisa-a-Velha, não afastada de AREZ (4).

    Sem pretendermos aventurar-nos nas areias movediças da hipótese, não queremos deixar de referir alguma coisa do que se sabe (ou se julga saber) sobre Aritium ou Arício, misteriosa e importante cidade romana, de cuja a notícia os autores têm encontradas notícias, e “há a mencionar uma povoação que nos textos e numa inscrição romana é designada pelo nome de Aritium Vetus situada, segundo parece na margem esquerda do Tejo (5).

    Em 1659 foi achada, em Alvega, uma placa de bronze, onde se gravou em latim, o juramento prestado ao imperador Calígua pelos habitantes de Aritium Vetus. A placa desapareceu e apenas icaram cópias da inscrição. Apresentava quatro orifícios, um em cada ângulo, pelo que se presume, deveria estar aposta em edifício ou sítio público.

    Dadas as suas diminutas dimensões (1X25 palmos) e o facto de ter sido encontrado “…em uma ribeira próxima”, não prova suficiência, suposição de Jorge Cardoso, que a localizava em Alveza.

    Todavia, parece que existiu outra cidade designada por Aritum Praeetorium.

    Não são unânimes os historiadores e Aritum figura como tendo existido em vários locais: Abrantes, Benavente, Etc”

    O BLOG “GAVIÃO no ALENTEJO” LHE DIZ; MEU AMIGO ALEXANDRE DE CARVALHO COSTA….. O MELHOR SEU ESCRITO E TRABALHO ATÉ AO MOMENTO E ALGUMAS LUTAS SE DEIXARAM FICAR….
    abalho e pesquisa