15 de junho de 2011

Da Agecom

A escritora Marize Castro lançou nesta sexta-feira, às 11h30, na Cooperativa Cultural da UFRN, seu mais novo livro: “O Silencioso Exercício de Semear Bibliotecas”. A publicação, resultado do trabalho dela no mestrado em Educação, é um profundo trabalho de pesquisa sobre a obra e a convivência de Zila Mamede com os livros. Ninguém melhor do que Marize para falar do seu ensaio sobre a trajetória de Zila e sua dedicação na organização de bibliotecas. Confira a entrevista:

Qual a sua relação com Zila Mamede?
Marize de Castro
– Conheci Zila e sua poesia na década de 1980. Ela era a poeta em Natal que mais me suscitava curiosidade. Admirava (ainda admiro, claro) sua preocupação com a forma, seu trabalho com a palavra. Fui vê-la pessoalmente pela primeira vez durante uma aula do Laboratório de Criatividade – uma experiência interessante, que reunia os jovens poetas da época, com professores-poetas como Luís Carlos Guimarães e Franco Jasiello. Zila foi convidada para falar sobre seu processo de criação. Depois da sua fala eu fiquei ainda mais interessada para conhecer sua poesia. No entanto, só fui apresentada a ela em 1984, quando ela estava lançando o seu último livro, “A Herança”. Quem nos apresentou foi o poeta Nei Leandro de Castro. Uma semana depois eu lancei meu primeiro livro, “Marrons Crepons Marfins”, e Zila Mamede foi a primeira pessoa da fila para quem eu autografei. Depois não mais deixamos de nos falar. Há um capítulo no livro que eu narro todos os nossos encontros até a sua morte, em 1985.


O que levou você a escrever “O silencioso exercício de semear bibliotecas”?
Marize de Castro – O livro é fruto de minha dissertação de mestrado no Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN, sob a orientação da professora Arisnete Câmara de Morais. Como disse antes, Zila Mamede e sua obra sempre foram de meu interesse. Quando ingressei na pós-graduação esse interesse tornou-se muito mais vigoroso. Pensei: eu posso estudar Zila no mestrado! Então fui ver o que já haviam falado sobre Zila na academia e constatei que a poeta já havia sido estudada, como relato no primeiro capítulo do livro, porém o importantíssimo trabalho dela como bibliotecária permanecia inédito. Daí, resolvi contar a trajetória dessa mulher excepcional semeando bibliotecas naquela Natal da década de 1960.


Foi difícil pesquisar o universo de Zila Mamede com os livros?
Marize Castro – [...] livros de memória de autores como Mailde Pinto Galvão e Umberto Peregrino, mas para reconstituir o trabalho pioneiro realizado por Zila na biblioteconomia potiguar obtive também depoimentos de familiares e de profissionais que trabalharam com ela e, também, fui aos chamados setores de pesquisa dos jornais Tribuna do Norte e Diário de Natal. Inúmeros exemplares desses periódicos foram investigados, sustentando, iluminando a pesquisa. Enfim, nesses arquivos encontrei verdadeiras preciosidades sobre Zila Mamede nos textos assinados por nomes como Sanderson Negreiros, Woden Madruga e Dorian Jorge Freire.

Qual a importância desta obra para a UFRN e para a cultura do RN?
Marize Castro – Diferentes abordagens trouxeram Zila Mamede à academia, mas a sua prática na área da biblioteconomia ainda não havia sido estudada. O trabalho pioneiro realizado por Zila de organizar bibliotecas no Rio Grande do Norte e de formar profissionais para trabalharem nessa “construção cheia de livros” – utilizando uma das acepções do Dictionnaire, de Furetière –, estava para ser contado. Este livro narra a trajetória pessoal e a trajetória profissional de uma pessoa que organizou as bibliotecas mais importantes do Rio Grande do Norte: a Biblioteca Central Zila Mamede, da UFRN, e a Biblioteca Pública Câmara Cascudo, acho que somente esses dados respondem a questão.