ANVERSO DO FOLHETIM
Jania Souza

Sai à rua…
deparei-me com sua alma
(anjo profano).
Tomei-a em minhas mãos…
sem nenhuma vergonha
- desnudei-a por inteiro –
perscrutando seu íntimo.
Surpreso! Vi por entre meus dedos
- derrame –
panfletos, jornais, pasquins…
de sangue era seu peito
num charco sobre o limbo da cova fria.
Dentro, restos crus de memória
na ignorância da deslembrança
do final do dia.
As manchetes – notícias do outro dia -
nada revelam de novo
(sempre pré-fabricadas)
- paradoxo –
“as colunas sociais puras fanfarras dos endinheirados
o disse me disse da politicagem sempre cega aos descamisados
e – a imoralidade do guloso e incorrigível tráfico
a ceifar cada vez mais almas…”
A sociedade desmancha-se perdendo seu brio, seu brilho
esteio da esperança.

Ah! Rua menina mulher
barco à vela sem horizonte
meretriz sem prostíbulo
ocaso do dia…
Em ti, depositei minhas esperanças de melhores dias.
Mas, sem nenhum compromisso traíste minha confiança…

Eh! Rua menina mulher
parideira sem ofício
ocaso do dia!

 

 

CARROSSEL DA IRMANDADE DA VIDA

Em borbulhas de amor, dedo da Criação
descerra névoa da escuridão na revelação dos dias.

Seu sopro, berço suntuoso da vida
abre as páginas da poesia
escrita com a raridade e a perfeição ímpar
do Idealizador da beleza da diversidade da vida.

Formas multiplicam-se do uni ao pluri
em bandejas, verdes matas cerradas
desertos de areia, de sal, de gelo e até de almas…

A vida espalha-se por terras, rios e ar
na enchente de viventes sobre campos, oceanos, montanhas
até nas profundezas desconhecidas por todos os mortais
donde se ouve o silêncio do canto das flores
sepultura da paz, outrora reino do horizonte sem fim
no abraço à eternidade em pleno arrebol de alegria infinda.

Gotas de orvalho são lágrimas de prazer
sobre a magia debulhada da diversidade da vida.

A passarada entoa convite à reflexão sobre caos no planeta.

O arco-íris, essência da própria felicidade, sorri
e todos se encantam com a mensagem das cores
e o milagre da vida repete-se simples, constante, sem fim.

Tórrido vendaval esse amor aos sentidos
secreto segredo da abelha rainha
imã na atração à beleza da diversidade da vida.
Seu vôo ébrio entre aromas sensuais e díspares
polemiza luxúria no mágico distúrbio de infindos tons
irresistível porta aos pecados humanos mundanos
rico oceano em fulgor, variedade de infinitas espécies
empréstimo ao brilho da harmonia do poder do universo.

Nem mesmo os parcos jardins de espinhos e egoísmo ego
(veneno aterrador a devastar a vida no eco-sistema)
conseguem destruir a força da restauração dos sábios dedos das crianças
resistência aguerrida na preservação de todas as espécies.

Ante a resposta dos vivos à necessidade da vida
a Criação em sinfonia rejubila-se
com a variedade diversa da vida
numa beleza de encanto único, imperdível!

Maravilha magnífica de todos os sentidos sensitivos
a relação de baleias, homens, rouxinóis, andorinhas
comunhão do cosmo com o carrossel da irmandade da vida.

Autoria Jania Souza, Natal/RN
Sócia fundadora da SPVA/RN
Voluntária no Projeto Fraldinha

 

RETRATO DE MULHER
Jania Souza

Catedral de fé e esperança (…) Mulher!

Sois coração superior à razão
Sois das batalhas estandarte da paz

Semeeira do jardim da tolerância
Sois andorinha serva do amor
Águia esplendorosa em defesa do ninho

Sois renda miçanga pão alecrim
Mágico mister de ternura e paixão
Cheiro de tarde, porta aberta aos sentidos
Aurora na canção de bom dia.

Eis frasco com preciosa fragrância
Sábias mãos na ordenha do mundo
Incenso ímpar de aromas mil
Secretos noturnos paridos no amor
Lábios em vestes de cetim e mel (…)

Sois rio manso, córrego, alicerce
Sois cria – criadouro; sois essência

Peito farto em aconchego, sois Mulher!