Lúcia Helena Pereira – 2009

Encher uma mala bem grande, com minhas bonecas,
Meu gato Tarico, meu passarinho Verdico,
As minhocas todas dos massapês do vale,
A minha varinha de pescar tilápias no rio Água Ázul.

Queria ter crescido levando os meus brinquedos:
As bonequinhas de pano confeccionadas por dona Biluca,
Os ovos pintados pela neguinha Ciça,
A galinha Teimosa com seus mil pintinhos,
O cofrezinho de prata que vovó me deu.

Eu encheria uma mala com os pés de mastruço,
Goiaba, pitanga, araçás, graviolas,
Santo Deus, aquele abacateiro robusto,
Os coqueiros da Casa-Grande,
Zé Doido fabricando carrinhos artesanais…

Queria ter crescido levando os meus brinquedos,
Ou o mundo lobateano de Piô e Maroca,
O circo Nerino do vale, com os trapezistas Roger e Macotinha.
E daria tudo para rever minha babá:
Regina Dias, que fazia burrinhos, casinhas, vaquinhas,
De um açúcar tão alvo e perfumado,
Transformado em alfinis deliciosos!

Queria tanto a minha Páscoa de infância,
Os coelhinhos de verdade pinotando no quintal,
Mamãe reclamando e papai gargalhando…
Rever os coelhinhos: Dinho, Xavier, Chico e Bebel…

A minha Páscoa festiva, agora, é a saudade,
Saudade de querer bem, de amar e ser amada,
Saudade da mesa enorme, com meus pais
E minhas irmãs: o começo de minha vida!!

Perdi boa parte dos meus brinquedos,
No meio do caminho, vindo para Natal em 1952.
Na estrada eles foram se espatifando…
Sobrando as recordações, as Páscoas incomparáveis
Com bolos de fubá e glacê,
Os alfinis de Babá, caldo-de-cana no mercado,
As barras de chocolates que papai nos dava…
OH! Páscoa…onde estarão os meus brinquedos?
E os meus sorrisos de menina?
Lúcia Helena Pereira