Diulinda Garcia

Pressa
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Ponho os olhos na distância
Dos meus sonhos viajantes
E vou andando sempre apressada
Como se quisesse fugir
Do percurso do tempo
Do caminho das quietudes…
Mas é preciso esperar
Que as violetas azulem
E encontrem o meu olhar inquieto
Em direção a um horizonte distante.

BRINDE

Faço uma conexão com o universo
A consciência poética me sugere o verso
Meu plasma ferve
Procuro me refazer
Decodificando as imagens
Que retrocedem ao tempo do mergulho.
Esqueço a importância das desilusões
E destrono os enganos
Dos que me enganaram
Elevo um brinde à vida
E aos muitos que me amaram
Reverêncio em silêncio os que me abandonaram.

 

TRÂMITES
Na ida,
tropeços na vida
na lida
na lira…
Na lista dos classificados,
na fama
e na lama.
Na vinda,
conserta os tropeços
o preço
do apreço,
que lhe foi conferido
nos trâmites
da vida.

OBJETIVA

Incontáveis recordações,
correm silenciosamente
naquele rio de pensamentos
solitários,
que inexplicavelmente
se confundem
sob o olhar indiscreto
daquela objetiva.

 

CONTRADITÓRIAS PAIXÕES

A intensidade do instante
pleno
sereno
vazio
e distante,
roubava o sentido contraditório
das paixões
esquecidas
nas manhãs chuvosas
de abril.

VIL METAL

Ainda que não seja como desejei,
presermo-me o direito de:
sonhar
chorar
cair
levantar
prosseguir,
ir além do que as mãos
ousam tocar
e o vil metal
pode conquistar